quinta-feira, novembro 15, 2018

União Europeia quer obrigar auto-rádios novos a terem a tecnologia DAB/DAB+

Quando o Parlamento Europeu aparenta não ter mais nada de importante para discutir, eis que os senhores deputados se lembram de apresentar uma medida de inventivo à escuta das emissões de rádio através da tecnologia digital DAB/DAB+. Se o projecto da directiva europeia for levada avante, os fabricantes de automóveis e os de auto-rádios serão obrigados a fabricar rádios que, podendo manter a funcionalidade de recepção das emissões FM e OM, terão obrigatoriamente de permitir a recepção das emissões digitais DAB/DAB+. Isto se a rádio digital estiver disponível na região do feliz comprador do automóvel novinho em folha...

Já por várias ocasiões falei neste blogue da rádio digital - e mantenho tudo o que escrevi. Se a rádio digital promete ser o futuro em países como o Reino Unido,a Suíça ou a França, há outros países europeus em que, para já, um auto-rádio com DAB só é útil para sintonizar as emissões FM. Com efeito, (já) não existem emissões DAB/DAB+ na Finlândia; bem mais perto de Portugal, na vizinha Espanha só existem emissões digitais nas regiões de Madrid e Barcelona. Outros países europeus têm uma cobertura radioeléctrica do DAB/DAB+ ainda muito limitada. E mesmo na Noruega, país não pertencente à União Europeia mas que teve a atitude radical de desligar as rádios nacionais em FM no ano passado (2017), obrigando as populações a comprarem receptores digitais, há muito boa gente que não ficou muito satisfeita...

E por cá? Como foi dito em Janeiro de 2017, Portugal não tem condições para acabar com a rádio FM a curto prazo. Num país onde as rádios locais sobrevivem mantendo mesas, microfones e outros equipamentos com mais de 20 anos de operação, onde sem a solidariedade dos ouvintes e empresários da região seria muito difícil restabelecer a emissão FM depois de uma estação "ver" a sua torre caída mercê de condições meteorológicas extremas, num país com um dos salários mínimos nacionais mais baixos da Europa e onde muitos profissionais da rádio (inclusivamente na rádio pública) permanecem em situação laboral precária há demasiados anos, diria, socorrendo-me de um ditado popular, que quem não tem dinheiro não tem vícios. Não tenho dúvidas que a digitalização da rádio é o futuro, todavia, ao custo a que está a tecnologia digital nos dias de hoje, não há condições para as rádios portuguesas, especialmente as dos operadores locais, procederem a uma profunda actualização tecnológica compatível com a operação em modo exclusivamente digital. Quiçá se possa pensar melhor quando os custos de aquisição e funcionamento dos equipamentos de emissão em DAB+ diminuam substancialmente...

1 comentário:

Rui Cleto disse...


Concordo que será ainda difícil, por enquanto, a transição total do FM para o DAB, especialmente para as rádios locais.
Recordo que, desde o dia 14 de novembro de 2018, aumentou consideravelmente o quantitativo de estações de rádio a emitirem em DAB na Bélgica, existindo a curto prazo um plano de expansão da rede. Também a França tem vindo, semana após semana, a aumentar a rede de emissores em DAB. Na Itália e Suíça acontece precisamente o mesmo. Estes incrementos na rede emissora DAB não terminou com o FM, existindo um período de transição, de maior ou menor duração, que permite a coexistência das duas tecnologias, favorecendo os ouvintes. Julgo que deverá ser este o caminho a percorrer por Portugal. Quanto ao preço de recetores, encontram-se por aqui, na Bélgica, a partir de um valor de €30. A maioria dos novos veículos já está equipada com a capacidade de receção em DAB, mantendo também o FM e mesmo a receção em Onda Média. Para quem, como eu, ouve o sistema DAB, com qualidade equivalente a som de CD, de facto não quer ouvir o FM.