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terça-feira, dezembro 18, 2018

Onda Corta en portugués? ¡Por supuesto!

No programa "Em nome do ouvinte" da passada sexta-feira, dia 14 de Dezembro, o Provedor do Ouvinte da rádio pública aborda a situação dos canais internacionais radiofónicos da RTP, a RDP Internacional e a RDP África.

Como não podia deixar de ser, o assunto Onda Curta da RDPi não ficou de fora das críticas do Provedor, havendo até lugar para a ironia da situação: enquanto Portugal abdica de um instrumento importante de soberania radiofónica e de promoção da língua e da cultura do país, no país vizinho a Rádio Exterior de Espanha reforçou as emissões em Onda Curta em português (com sotaque brasileiro).

É bom ver que há emissoras internacionais como a REE a apostar na língua portuguesa? Sem dúvida. Melhor ainda seria se víssemos a administração da rádio pública conseguir perceber o papel único que a Onda Curta desempenhava na aproximação dos emigrantes, dos luso-descendentes e demais lusófonos,
a Portugal. E, quase oito anos volvidos sobre o encerramento das emissões em OC da RDP Internacional, ainda há, felizmente, quem lamente esta decisão. A Internet pode ser censurada num determinado país, as antenas parabólicas podem ser proibidas numa qualquer região... mas a Onda Curta continua a poder ser ouvida por quem quer estar ligado ao seu país, à sua terra natal, às suas raízes.

quarta-feira, outubro 10, 2018

RTP: Centro Emissor de Onda Curta (São Gabriel) ao (quase) abandono

Uma notícia recente publicada no site do jornal "Correio da Manhã" revela o que se temia. O Centro Emissor de Onda Curta da RDP (CEOC), localizado perto da localidade de Canha, no concelho do Montijo, encontra-se praticamente ao abandono (ainda que tenha vigilância), sem ter qualquer utilização a não ser o de armazém de um espólio que merecia estar exposto num novo "Museu da Rádio" em vez de continuar a degradar-se sem honra nem glória.

Como se sabe, as instalações do CEOC em São Gabriel (um esclarecimento:"São Gabriel" não é nenhuma localidade ou um qualquer lugarejo perto das instalações da RTP; na verdade, trata-se simplesmente da designação do terreno onde se insere o CEOC) estão desactivadas desde 2011, na sequência do encerramento das emissões em Onda Curta da RDP Internacional. Aparentemente, há um hipotético interesse na alienação do complexo, integrado numa área de cerca de 90000 metros quadrados.

De referir, a a título de curiosidade, que a notícia já foi traduzida para a língua castelhana, através do sítio "El Radioescucha".

E é assim que o material histórico do serviço público de rádio e, por inerência, propriedade do Estado português, está a ser "estimado" ...

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Onda Curta da RDP Internacional: «é a economia, idiota!»

Permitam-me a famosa frase marcante da política americana, para sintetizar a real motivação para  a suspensão  temporária da RDP Internacional em Onda Curta.

No último programa da Provedora do Ouvinte da RTP (disponível em formato MP3), Paula Cordeiro respondeu às inúmeras pressões de ouvintes e entusiastas da Onda Curta, tendo assumido, de forma assertiva, inequívoca, clarividente e lacónica, o verdadeiro interesse no desmantelamento deste serviço deliberado pela então administração da empresa, diria eu, com o alto patrocínio do ministro que na altura tutelava a RTP,  Jorge Lacão: a alienação dos terrenos de São Gabriel (Centro Emissor de Onda Curta), no intuito de reduzir a dívida da empresa.

A verdade, qual azeite, acaba sempre por vir ao de cima. Caiu a máscara dos vitupérios lançados a respeito da Onda Curta: a tal coisa obsoleta, desactualizada, avariada, cara, que oferece péssima recepção, que tem uma qualidade de som terrível, entre outras ideias  desmontadas por uma legião de entusiastas da rádio, ouvintes, radioamadores e muitas outros defensores da soberania nacional na HF.

Vender os terrenos próximo da localidade de Canha para pagar a dívida? "Isso é uma enormidade" [sic], retorquia o então administrador Guilherme Costa. Pelos vistos, o então Provedor do Ouvinte, Mário Figueiredo, tinha razão. A importância da divulgação e afirmação da língua portuguesa no Mundo através das ondas de rádio seria totalmente esmagada pelo superior interesse imobiliário dos terrenos onde as antenas estão implantadas. Felizmente, depois de uma administração que quis vender o CEOC, depois de um ministro que quis vender tudo, parece que a nova equipa tenciona pelo menos ponderar a reactivação da Onda Curta. Creio que da fase do "não pode haver Onda Curta", está-se a caminhar para a fase do "talvez". Já não é mau haver esta ponderação. Oxalá que a história não se fique por intenções...

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Suspensão temporária, perdão, definitiva da Onda Curta da RDP Internacional


Infelizmente, parece ser definitivo: o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, confirmou, no final do passado mês de Janeiro, o fim definitivo da Onda Curta da RDPi.

Sem querer repetir argumentos, não posso voltar a perguntar: onde estão os estudos relativos à audiência da RDP Internacional em Onda Curta, os tais que justificaram a sua suspensão "temporária"? Na verdade, até a ERC, muito ajuizadamente, em Julho de 2012 entendeu não ter elementos suficientes para analisar a cessação definitiva das emissões da RDP Internacional a partir dos emissores em S. Gabriel. Aparentemente, ninguém é capaz de dizer quantos ouvintes foram afectados pelo fim da HF/OC, quem são, onde vivem e se podem recorrer a uma antena parabólica para ouvir a RDPi ou se têm ligação à Internet. Ninguém que avalie de forma sensata a situação consegue justificar uma decisão governamental que assenta exclusivamente em pressupostos económicos, ignorando o legítimo interesse dos emigrantes portugueses. Paradoxalmente, o mesmo Estado que pretende afastar os seus cidadãos residentes fora do território nacional da actualidade portuguesa é o mesmíssimo Estado que se preocupa com as remessas desses mesmos portugueses.

A todos os ouvintes afectados pelo fim da Onda Curta, apresento, mais uma vez, a minha solidariedade.

quarta-feira, março 21, 2012

Emissores do CEOC vendidos?!

Uma notícia recente do jornal "Público" revela que os deputados do PS Inês de Medeiros, Paulo Pisco e Manuel Seabra enviaram um pedido formal de informações dirigido ao Ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, solicitando que este confirme as «informações que referem que está em fase de receber propostas para a venda do património do Centro Emissor de Onda Curta. » . Em bom português: a confirmar-se esta teoria, a administração da RTP, sob o alto patrocínio da tutela, prepara-se para liquidar o Centro Emissor de Onda Curta (CEOC), alienando o seu património ao desbarato.

Por outras palavras, os primorosos mandantes democraticamente eleitos pelo povo, os mesmos que sugerem aos portugueses insatisfeitos com a sua vida que emigrem, tomaram a atitude paradoxal de continuar a dificultar (ou até barrar) o acesso à estação de rádio internacional portuguesa por parte dos milhões de emigrantes portugueses espalhados pelo mundo e restantes lusófonos que reconhecem a importância da RDP Internacional. E como se tal não bastasse, ainda (alegadamente) têm o descaramento de prepararem a venda de equipamentos de milhões de euros, provavelmente sem terem em conta o interesse público e sem acautelarem os interesses do próprio Estado, oferecendo os emissores a preço de saldo. Como se na parca memória dos mesmíssimos políticos não coubesse a informação que a Onda Curta da RDPi precisa de emissores de radiodifusão preparados para as faixas de HF, por forma a assegurar as emissões aquando de uma eventual reactivação do serviço. Mais: para que conste, com ou sem emissores, as emissões em Onda Curta da rádio pública portuguesa  só poderão ser definitivamente suspensas após a alteração do contrato de concessão do serviço público de radiodifusão. Qualquer outro enquadramento que não a "suspensão temporária" será, assim, ilegal.

Corolário: Antes de suspender definitivamente o CEOC, o governo terá, obrigatoriamente, de alterar a cláusula 2.ª do contrato de concessão do serviço público de rádio:

« (...)
Cláusula 2ª
(Âmbito)
A concessão do Serviço Público de Radiodifusão Sonora abrange todas as emissões de
cobertura nacional, regional e local, nas frequências actualmente autorizadas, ou que o
venham a ser, nomeadamente as emissões em DAB e, ainda, as emissões em onda curta e
por satélite, aqui designadas, no seu conjunto, por RDP INTERNACIONAL, bem como as
emissões de redifusão (satélite/FM) que constituem a RDP ÁFRICA. (...)»

in rtp.pt (sublinhados meus)

Admitindo-se a veracidade da situação relatada, que legitimidade terá o governo para manter uma "suspensão temporária" quando não estarão reunidas as condições para uma eventual a reactivação das emissões? Não haverá coragem política para mudar o contrato de concessão da RTP-rádio antes de proceder a um eventual negócio de alienação de infra-estruturas públicas que servem a emissora internacional portuguesa?

Muito sinceramente, espero que, a confirmarem-se os rumores, um responsável político com pejo, em nome da transparência e da confiança depositada nele pelos seus eleitores, tome a coragem de confessar publicamente o negócio, revelando os pormenores das negociações, não esquecendo a alteração legal referida. Caso contrário, os cidadãos portugueses legitimamente indignados com a "suspensão temporária" da RDPi reservam-se o direito de retirar a confiança política e institucional aos iluminados que, (mais uma vez, não estando oficialmente confirmado, continuo a utilizar o advérbio "alegadamente") estudam   veladamente um negócio altamente ruinoso para o interesse público e que claramente prejudica a afirmação de Portugal no mundo!

Os mesmos cidadãos (onde me incluo), perguntar-se-ão: mas onde estão os estudos de viabilidade das emissões em OC da RDP Internacional? Que impacto teve a suspensão das emissões nas audiências da estação? Quantos ouvintes deixaram de poder ouvir a RDPi devido à incapacidade de utilizarem sistemas de recepção alternativos? Boas perguntas, certamente, às quais, infelizmente, também procuro uma resposta convincente do ministro Miguel Relvas e da administração da RTP...


**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

quinta-feira, setembro 01, 2011

RDP Internacional em Onda Curta: "cara" e "obsoleta"?!

A audição dos responsáveis da RTP e do governo a respeito da suspensão temporária das emissões em Onda Curta da RDP Internacional, promovida no âmbito da Comissão de Ética, Cidadania e Comunicação pelo Partido Comunista Português (PCP) na passada 3.ª feira (dia 30 de Agosto), levou o ministro Miguel Relvas, o presidente do conselho de administração da RTP, Guilherme Costa e o Provedor do Ouvinte à Assembleia da República.

As escassas horas empregues no esclarecimento aos deputados da situação da rádio e televisão do Estado foram decididamente marcadas pelo cinismo e a hipocrisia reinantes nas declarações dos responsáveis da rádio pública e do governo . Começando nas exposições do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que se limitou a justificar a suspensão temporária com números (custos), passando pelas declarações do administrador da RTP, considerando que a empresa pública tem «todos os motivos» para suspender a Onda Curta da RDP Internacional. Guilherme Costa entende também que a Onda Curta é "cara", "tendencialmente obsoleta do ponto de vista da recepção" e "não tem hoje a audição que se supõe, para além de que parte dessa audição pode ser facilmente substituível", os esclarecimentos fornecidos aos nossos representantes, eleitos por todo nós, revelaram uma visão economicista, míope e desprestigiante de um serviço público que deve ser prestado nas melhores condições possíveis à vasta comunidade de emigrantes portugueses dispersa pelo mundo.

Sim, caro leitor, leu bem: a administração da RTP entende que existem todos os motivos possíveis e imaginários para acabar com a Onda Curta da RDPi. Creio que esta frase diz tudo: a hierarquia máxima da RTP julga-se no direito de denunciar uma postura altiva e prepotente quando avalia a situação dos nossos compatriotas (e outros lusófonos) que vêem na RDPi uma ligação umbilical com a sua pátria-natal. Como se o típico ouvinte de Onda Curta fosse um cibernauta activo que costuma preferir uma recepção da sua estação de rádio favorita através da rede mundial de computadores em vez de ligar o rádio portátil a pilhas na "velhinha" e "obsoleta" faixa do espectro radioeléctrico compreendida entre os 3 e os 30 MHz. Como se todos os ouvintes tivessem condições técnicas e legais para ouvir a RDPi via satélite. Como se a generalidade dos ouvintes tivesse acesso a uma rede de cabo que forneça o sinal da rádio internacional portuguesa.

Mais: tanto quanto me recorde, não foi feito nenhum estudo de audiência da RDPi que envolvesse as comunidades de emigrantes e as associações de portugueses radicados no estrangeiro. Como pode garantir, então, a RTP, que ninguém ouve a Onda Curta? Será que o número de ouvintes é igual ao número de reclamações ou haverá muitas situações de ouvintes que não podem, em tempo útil, defender a sua posição junto da estação pública?

Num parlamento que ouve dirigentes despóticos, insensíveis e inexoráveis, cuja idolatria por números ultrapassa os direitos dos cidadãos residentes fora do país que os viu nascer e criar, eis que uma tímida mas nobre voz se destaca no coro: Mário Figueiredo, Provedor do Ouvinte, não só ameaça tomar a atitude de apresentar a sua demissão no caso de a RTP seguir avante com a suspensão perpétua da Onda Curta, como denuncia um potencial e velado esquema para reduzir a dívida da empresa pública, sacrificando o interesse de quem, ausente da sua Pátria, praticamente só é associado pela classe política ao envio de remessas monetárias aos bancos portugueses, sem reconhecer o importante papel que as comunidades portuguesas disseminadas por todo o mundo podem e devem desempenhar no contributo para divulgar a língua e cultura deste nosso jardim à beira-mar plantado!



Sugiro aos estimados leitores deste artigo que façamos um pé-de-meia para angariar fundos destinados à aquisição de viagens para o Sr. Ministro Miguel Relvas e o Dr. Guilherme Costa passarem um belo mês de férias numa aldeia perdida no continente africano sem Internet e onde não seja possível instalar uma antena parabólica de 3 metros de diâmetro. Espero que desfrutem do facto de não conseguirem acompanhar a actualidade portuguesa através do rádio, o tal aparelho pequeno e a pilhas que até funciona quando a electricidade falha e quando o recurso a outras tecnologias modernas não é viável!

quarta-feira, junho 15, 2011

RDP Internacional: "suspensão temporária" (mas não total) da Onda Curta:

Que a RTP teve o descaramento de suspender temporariamente a Onda Curta da RDPi, é um facto infelizmente constatável com um receptor de rádio... Todavia, a rádio pública portuguesa omite (talvez uma forma deliberada de forçar os ouvintes a esquecer a OC) uma informação importante: a RDPi continua a emitir em Onda Curta para a Europa, através do centro emissor de Sines da ProFunk GmbH.

Assim, a RDPi continua a ser sintonizada de 2.ª a 6.ª feira, entre as 0645 e as 0800 UTC, nos 11 850 kHz (banda dos 25m). Aos sábados e domingos, a RDPi só poderá ser escutada com um receptor digital com DRM (Digital Radio Mondiale) entre as 0830-1000 UTC nos 11 995 kHz (25m). Estas emissões deverão continuar operacionais até ao final de Outubro, altura em que a própria manutenção do centro emissor de Sines é posta em causa.

sábado, maio 28, 2011

RDPi "suspende temporariamente" a Onda Curta a partir do dia 1 de Junho:

Vergonhosa, narcisista, tartufa e sovina: quatro adjectivos para descrever a decisão da RTP de desligar de vez,  perdão, "suspender temporariamente" as emissões em Onda Curta da RDP Internacional, a partir do dia 1 de Junho.

Como se não bastassem os argumentos falaciosos da RTP, eis que a Associação Portuguesa de Radiodifusão tomou a liberdade de, na pessoa do seu presidente, José Faustino, pronunciar-se a respeito desta questão. Segundo o mesmo, «acho que ninguém [fica afetado]. Já ninguém ouvia aquilo e estava-se a gastar dinheiro. Não faço ideia de quanto custa, mas operar em onda curta é bastante caro. E não faz sentido, porque hoje há satélite e há internet». Ora, com todo o respeito pelo Sr. Faustino, tais declarações, baseadas apenas nos comunicados da RTP, não contribuem para uma avaliação séria da situação. A não ser que a APR tenha efectuado um estudo acerca das audiências da RDPi nos vários meios de distribuição, uma entidade reputada no sector da radiodifusão não deveria tirar ilações sem considerar a outra face do problema: os ouvintes.

Será que a APR, instituição que defende o interesse do meio radiofónico não devia olhar para as questões do sector tendo em consideração o elemento-chave do processo de comunicação via rádio, que não é mais nem menos do que o ouvinte? Afinal de contas, de que serviriam as rádios se não houvesse ouvintes? Será que algum iluminado da APR tem uma noção mais ou menos exacta da quantidade de ouvintes da RDPi  que a ouve na Onda Curta, do número de ouvintes via satélite e do número de ouvintes via cabo? Exceptuando a Internet, onde a RTP pode determinar o número de ouvintes ligados ao servidor da rádio pública, os restantes meios não podem fornecer dados sobre os ouvintes, devido à unidireccionalidade da transmissão. A única forma de saber quem e como ouve será através de inquéritos dirigidos às comunidades de emigrantes portugueses, luso-descendentes e restantes lusófonos espalhados pelo mundo. E saberá o Sr. Faustino explicar a todos os ouvintes que o solicitem, como poderão aceder a meios alternativos de recepção da RDPi? Será, então, a APR capaz de indicar aos ouvintes como poderão adquirir e montar antenas parabólicas para ouvir a RDPi? Saberá a APR que operadores de cabo espalhados pelo mundo dispõem da RDPi na sua grelha? Mais uma vez, com toda a consideração pela pessoa do Sr. Faustino, seria desejável que o presidente da APR tivesse uma atitude muito mais prudente e responsável, avaliando criteriosamente a situação antes de comentar a situação em causa.

Vai-me desculpar, Sr. Faustino, mas com toda a estima que tenho por si, devia olhar para os nossos compatriotas emigrantes nos quatro cantos do mundo. Afinal, demagogia barata não credibiliza uma pessoa e uma instituição, quando se sabe que há ouvintes que ouvem a RDPi em Onda Curta e, prova disso, serão, certamente, as inúmeras reclamações que têm chegado ao Provedor do Ouvinte da RTP.


Infelizmente, os desenvolvimentos dos últimos dias sugerem que alguns iluminados expõem a sua posição sem se dignarem ouvir de viva voz os principais interessados no serviço da RDPi (os ouvintes), sem se darem conta da sua atitude cínica e  hipócrita (para não dizer ignóbil), que em nada defende o direito de acesso à rádio internacional portuguesa por parte dos nossos concidadãos no estrangeiro, a par dos restantes lusófonos que ouvem a RDP Internacional.

Por outro lado, há que louvar a defesa do serviço em Onda Curta da RDPi proveniente de muitos ouvintes da RDPi, é certo, mas também por muitos cidadãos, começando no cidadão comum preocupado com os seus compatriotas residentes fora do seu país natal, mas passando por radioamadores e Dxistas, a par de cidadãos do Brasil e de outros países lusófonos, sem descurar as declarações de um comandante  da Marinha Mercante, que não ficam satisfeitos com a argumentação da RTP, expondo um conjunto de situações que podem dificultar ou até aniquilar a recepção da RDPi, mormente em movimento. Trabalhar numa embarcação ou num camião é uma prática que, por força das limitações técnicas inerentes à recepção em movimento, incluindo as restrições de espaço, priva os nossos compatriotas da audição da RDPi enquanto desempenham a sua actividade profissional. Imagine-se o que seria ter uma antena parabólica de 3 metros de diâmetro num camião a circular em plena estrada africana! Imagine-se como um comandante naval poderá sintonizar a RDPi numa embarcação onde não há antena parabólica ou esta tem características inadequadas à recepção da RDPi via satélite.  Imagine-se como pode um ouvinte continuar a acompanhar as novidades de Portugal numa qualquer região onde não tem acesso à Internet e não pode recorrer à antena parabólica!

Tal como seria de prever, num país que ao longo de séculos se destacou nas actividades marítimas, começando nos grandes navegadores e passando pelo comum dos pescadores, ainda existem muitos portugueses ligados à pesca nas costas do Canadá e na Terra Nova, por exemplo que se socorrem da RDP Internacional para se manterem a par da actualidade portuguesa. De igual modo, há muitos camionistas portugueses que viajam pela Europa ou pela África a ouvir a emissora internacional portuguesa. A partir da próxima quarta-feira, deixam de poder ouvir a RDPi na estrada e terão dificuldades acrescidas para ouvir no mar.


Mas afinal, não há ouvintes da RDPi em Onda Curta? Naturalmente que sim... os mesmos que não serão decerto acéfalos e já depreenderam as razões pelas quais a RTP está tão interessada em terminar com tecnologias analógicas obsoletas (ironia): tudo se resume ao politicamente correcto, numa óptica de contenção desenfreada de despesas, sem ganhar a coragem de admitir publicamente que tudo não passa de um plano para equilibrar contas sacrificando os ouvintes em detrimento de cortes em áreas sobejas onde os interesses instalados deviam dar lugar ao verdadeiro serviço público prestado aos ouvintes e telespectadores!

Já agora, senhores administradores da RTP, tenho algumas propostas melhores para cortar na despesa: fechem ou privatizem a RTP N. Aproveitem para fundir a RTP África com a RTPi e a RDP África com a RDPi. Por último, acabem de vez com todos os utensílios de cozinha (leia-se tachos) supérfluos no serviço público de rádio e televisão. Os ouvintes e telespectadores, que querem um serviço público eficiente e de qualidade, agradecem! Mas ao menos tenham mais deferência por quem escuta a rádio internacional portuguesa, que desde o seu início (em 1936) sempre enobreceu a Língua e a cultura portuguesas, glorificando um dos mais excelsos símbolos da História de Portugal no mundo, que o nobre povo lusitano divulgou por África, pelo Brasil, por Timor-Leste e um pouco por todo o mundo, que não é senão a própria Língua de Camões!


**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

segunda-feira, maio 09, 2011

ANACOM autoriza "suspensão temporária" da Onda curta da RDPi:

Numa decisão perfeitamente aceitada e compreendida pelos ouvintes, a RTP, com o aval da ANACOM, acha por bem terminar com as emissões da RDPi na ruidosa, monofónica e distorcida tecnologia analógica de transmissão em Onda Curta. Afinal, com tecnologias digitais tão modernas e eficientes como as transmissões via satélite e a Internet, quem é que precisa da velha Onda Curta?


De facto, quem é que não poderá instalar uma antena parabólica de 3,5 ou 4 metros para ouvir a RDPi no coração de África ou da Ásia? Até mesmo numa simples varanda é rápido e fácil montar uma antena com 4 metros de diâmetro, que cabe perfeitamente num cantinho, sem causar grandes constrangimentos técnicos ou estéticos. Mesmo na Europa e América, até uma antena com um metro de diâmetro se instala tão facilmente em qualquer prédio do centro de Berlim ou num arranha-céus de Nova Iorque. Que justificação arranjará, então, o ouvinte para não ouvir a RDP Internacional? E, se por mero acaso, o ouvinte não puder instalar uma parabólica, sempre pode recorrer a outros meios para ouvir a RDP Internacional. Afinal,quem será o lusófono radicado em qualquer parte do Mundo que não consegue aceder à Internet? Até no mais remoto cantinho do solo africano é tão fácil ter um computador e uma ligação à Internet em banda larga que permita acompanhar a realidade portuguesa.

Num mundo global, estar em Londres, Nova Iorque, Tóquio, Maputo, Daca ou no Sri Lanka, é basicamente a mesma coisa. Internet rápida e barata está disponível em qualquer cidade ou aldeia de qualquer país do mundo, logo a RDPi pode ser escutada em qualquer recanto do globo terrestre.

E nas principais cidades europeias e americanas? Com o desenvolvimento de redes de cabo que, além dos serviços de TV e Internet costumam ter serviço de rádio, quem é que, servido por tal meio tecnológico em pleno centro de Basileia, Paris ou Toronto não tem acesso à RDPi?

E os camionistas portugueses ouvintes da RDPi que por força da profissão, têm de ouvir a RDPi nos seus camiões? Sempre podem viajar Europa fora com uma antena parabólica montada no veículo. Ou então sempre podem recorrer à Internet móvel, disponível em todas as estradas do continente europeu a preços irrisórios, mormente se recorrerem ao "roaming".  O estimado ouvinte da RDPi não precisa da Onda Curta, quando há tecnologias que substituem completamente este modo de transmissão. Estarei certo?

Ah, caro ouvinte da RDPi: quase que me esquecia de referir que,  no caso excepcional de não poder ouvir a RDPi via satélite, cabo ou Internet, a RTP dá-lhe uma quarta sugestão: emigre para Timor-Leste, que em Díli poderá ouvir confortavelmente a RDPi em FM nos 105,3 MHz!


Para os estimados leitores deste artigo que não detectaram qualquer ponta de ironia neste meu escrito, este texto reflecte a realidade da implantação das novas tecnologias de comunicação e informação no mundo, evidenciando a improficuidade das emissões em Onda Curta da RDPi face às novas tendências de comunicação desta aldeia global em que vivemos... Aos restantes, apelo que mostrem a vossa "gratidão" à RTP pelo "excelente" serviço público oferecido com a supressão, perdão, suspensão das transmissões em OC...

sexta-feira, abril 15, 2011

"Suspender temporariamente" a RDPi em Onda Curta?!


Não será apenas uma notícia triste para os entusiastas da rádio e DXistas, mas, sobretudo, também para a comunidade lusófona espalhada pelo Mundo e que pode colocar em causa o direito ao acesso à emissora internacional de referência na Língua Portuguesa:

Numa atitude no mínimo lamentável, a RTP entendeu requerer ao Governo a "suspensão temporária" das emissões em Onda Curta da RDPi. A rádio pública justifica esta deplorável decisão com os custos da manutenção do serviço em Onda Curta e as baixas audiências neste modo de transmissão. A RTP alega, entre outros argumentos, que «as estações de Onda Curta estão velhas e a precisar de substituição». Equipamentos velhos... com apenas 5 anos de utilização?! Com emissores Thales de 300 kW e antenas de cortina adquiridas em 2005? Resta saber se o conceito de "suspensão temporária" não passa a significar"suspensão definitiva", pesando os custos do serviço.

Apesar da RDPi não ser a única estação pública portuguesa acessível  por via hertziana em África, já que a RDP África é servida em frequência modulada (FM) em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, a cobertura destes países africanos não é universal, centrando-se nos principais centros populacionais. Além disso, o serviço público prestado pela RDP África concentra-se numa perspectiva maioritariamente regional (africana), não havendo grande divulgação da cultura portuguesa em antena. Exceptua-se a retransmissão da Antena 1 no período nocturno. Com todo o respeito pelas populações dos PALOP, seria interessante que a RDP África integrasse na sua programação mais conteúdos de divulgação da cultura e língua portuguesas, que transcendessem o âmbito africano, abrangendo não só Portugal, como o Brasil, Macau, Timor-Leste e todos os recantos do mundo onde se fala português.

Aliás, (com todo o respeito pela cultura africana), defendo que seria uma boa ideia a RTP fundir a RDP África com a RDPi, mantendo programação regional nas emissões para África, mas transmitindo os restantes programas em simultâneo com a RDPi. Com uma empresa pública de rádio e televisão endividada e em falência técnica, esta opção, a par da fusão da RTPi com a RTP África contribuiriam para a redução das despesa da rádio e televisão públicas, sem prejuízo significativo da prestação do serviço público.


Mesmo considerando o serviço público prestado pela RDP África, um dos casos mais flagrantes de dificuldades acrescidas no acesso à rádio internacional portuguesa será o de países como Angola e África do Sul, onde existe uma considerável comunidade lusófona (e, em particular, portuguesa) mas onde não haverá alternativas à Onda Curta a não ser o recurso ao satélite e Internet, o que pode implicar dificuldades técnicas a muitos ouvintes: a acreditar numa resposta a uma questão colocada no sítio da revista "TeleSatélite", a RTPi, bem como a RDPi poderão ser acedidas em Angola recorrendo a uma antena parabólica de, pelo menos, 3,5 metros de diâmetro(!).

Aliás, a própria RTP admite que essa situação ao colocar  na página Internet da RDPi que «(...) Se está na Europa ou na América do Norte, Hawai ou América do Sul poderá captar a RDPi com uma antena parabólica de pequenas dimensões, um receptor digital e um televisor. Se, pelo contrário, se encontra em África, ou na Ásia e Oceânia terá que recorrer a uma antena parabólica de grandes dimensões (cerca de 3 metros) dado que estas transmissões são especialmente destinadas a retransmissões profissionais. (...)». Ora, não obstante existirem situações em que tal poderá não ser entrave ao acesso aos meios de comunicação internacionais da RTP, existem invariavelmente casos em que a instalação de uma antena parabólica com mais de 3 metros se torna impraticável, mormente por razões legais ou de espaço físico (ex: prédios). Tal situação pode comprometer a audição da RDPi por parte de alguns ouvintes. Não havendo RDP África em FM, muito menos RDPi por via hertziana convencional, os ouvintes ficam sem alternativas ao satélite.

Por outro lado, o acesso à Internet também não será fácil para alguns ouvintes radicados em várias regiões do Mundo, mormente em África: se na generalidade da Europa e América do Norte o acesso à rede mundial está praticamente assegurado em qualquer sítio, com velocidades de acesso confortáveis e uma qualidade de serviço boa,  o mesmo certamente não ocorrerá em pleno coração de África, onde o acesso é caro e lento, havendo zonas onde a melhor hipótese será recorrer á Internet via satélite, já que não existem ligações telefónicas em banda larga que assegurem um serviço Internet com boas condições técnicas e a preços mais acessíveis.

Ouvir RDPi no centro de Paris, Nova Iorque ou Tóquio através de um computador portátil com uma ligação à Internet não é mesma coisa que ouvir a emissora internacional portuguesa numa cidade africana  onde não existem ainda condições tecnológicas que assegurem o acesso generalizado à rede mundial de computadores, comprometendo a ligação dos portugueses e lusófonos em geral à informação, à cultura, ao entretenimento, ao desporto e à defesa das tradições portuguesas que são difundidas para todo o mundo através da RDP Internacional. O mesmo certamente se aplica noutros continentes, em países onde o acesso às novas tecnologias é escasso e caro. Em certos casos, aliás, tal acesso chega a ser praticamente impossível devido a questões legais. Exemplos flagrantes: Cuba, Irão, China, entre outros países que podem restringir o acesso à RDPi por razões políticas, tal como fazem com outros sítios Internet e meios de comunicação internacionais.


Com limitações técnicas inerentes à recepção satélite e com dificuldades no acesso à Internet, existem certamente ouvintes que ficarão privados da audição da RDPi, já que apenas podem recorrer à Onda Curta. Uma situação particular e bem conhecida na Europa será a dos camionistas portugueses que viajam pela Europa em camiões onde não há antena parabólica... e onde poderão não ter acesso à Internet em todos os países e regiões por onde desempenham a sua profissão. Consequentemente, poderão não conseguir acompanhar a actualidade portuguesa enquanto viajam pelas estradas. Aliás, a própria RDPi tem programação vocacionada para este segmento de ouvintes que deixará de fazer sentido a partir do momento em que deixam de poder ouvir a RDPi nos seus camiões, recorrendo a receptores de Onda Curta.

Contrariamente à Internet e à recepção via satélite, para se ouvir emissões em Onda Curta basta ter um pequeno receptor ligado a uma antena, que até poderá ser um simples fio eléctrico: as características de emissão em HF permitem a recepção de sinais mesmo em locais onde a recepção satélite, por força de constrangimentos legais e/ou técnicos não é opção e onde os ouvintes não têm Internet. Volto a insistir: a inexistência de alternativas por via hertziana que assegurem a recepção da RDPi vai privar alguns ouvintes de acompanharem a emissora internacional que divulga a  Língua de Camões pelos quatro cantos do Mundo!

Que terá a RDP a dizer a esses ouvintes?!

Redução de custos? Sim, com ou sem FMI. Supressão de gastos supérfluos? Sim! Mas que não comprometa o acesso ao serviço internacional de rádio disponibilizado à vasta comunidade de emigrantes portugueses e lusófonos em geral espalhados pelo Mundo! Com a 6.ª/7ª  língua com mais falantes nativos do mundo, Portugal pode e deve marcar a sua posição na radiodifusão internacional, promovendo e defendendo a língua honrada por nomes como Luís de Camões e Fernando Pessoa!


 **Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**