Já é oficial: a Noruega rendeu-se ao lobbying da rádio digital em DAB, cumprindo a triste promessa de desligar, no ano de 2017, a velha mas eficaz rádio analógica.
A partir do próximo dia 11 do corrente mês de Janeiro, as emissões analógicas das rádios nacionais na cidade de Bodø deixarão de poder ser escutadas, obrigando os residentes a adoptarem à viva força o DAB. E digo "à viva força" porque, segundo um inquérito realizado neste país nórdico, 66% dos noruegueses estão contra a mudança , que ocorrerá em todo o país até ao final do corrente ano. A capital, Oslo, perderá o sinal FM das rádios nacionais em Setembro.
Não obstante, a excepção à regra foi concedida às rádios locais, que poderão continuar a emitir em FM até 2022. Em todo o caso, não deixa de ser preocupante o facto de 2 milhões de carros na Noruega não estarem equipados com auto-rádio DAB, obrigando os seus proprietários a adquirirem adaptadores que chegam a custar 1500 coroas norueguesas, cerca de 160 euros. Pior: milhões de rádios a pilhas ou ligados à rede eléctrica, nos bolsos dos casacos (telemóveis com rádio FM), nas aparelhagens de som, nas mesas das cozinhas ou no canto da sala tornam-se, literalmente, inúteis.
Para um país com 3,5 vezes a área de Portugal e metade da população portuguesa, é impressionante o poder do operador público de rádio, a NRK e as rádios nacionais privadas, no sentido de forçar a opinião pública a gastar dinheiro com uma tecnologia que vai tornar obsoletos milhões de rádios, colocando até em risco a segurança nacional, porquanto alguns ouvintes que não se apressem a adquirir um receptor DAB podem até perder informações de emergência veiculadas através das ondas de rádio digitais.
Por cá, em Portugal, 13 anos e mais de 11 milhões de euros volvidos, o DAB da RDP/RTP, que emitia a Antena 1, a Antena 2, a Antena 3, a RDP África e a RDP Internacional, morreu em 2011 e não existe neste momento vontade política e dos operadores para seguir o exemplo norueguês. Curiosamente, não muito longe da Escandinávia, um país tão avançado como a Finlândia também abandonou o barco do DAB. Se há países como a Noruega, a Suíça e o Reino Unido onde o DAB tem sucesso, também os há que reduziram drasticamente o perímetro geográfico do DAB (por exemplo, a vizinha Espanha, etc) ou até o eliminaram completamente (Portugal, Finlândia, entre outros).
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sexta-feira, janeiro 06, 2017
segunda-feira, abril 20, 2015
Noruega pretende efectuar o "switch-off" das emissões VHF-FM em 2017
A Noruega pretende migrar completamente a escuta de rádio para a tecnologia digital DAB. O Ministério da Cultura do país nórdico do bacalhau e petróleo anunciou o fim das emissões VHF-FM das rádios públicas e privadas norueguesas dentro de dois anos, em 2017.
Registe-se o facto de a NRK, operador público norueguês, assegurar uma cobertura DAB superior à oferecida em VHF-FM, servindo mais de 99,5% da população. As últimas estatísticas apontam para que 56% dos ouvintes escutem diariamente via DAB. Neste contexto, os diversos actores no mercado da radiodifusão, bem como as entidades oficiais norueguesas, querem que o país seja o primeiro do mundo a abandonar a rádio analógica a favor da tecnologia digital.
Diria que é fácil falar quando se está num país riquíssimo, onde se tem uma rádio pública como a NRK disposta a injectar uns milhões de coroas em emissores DAB e em estruturas de emissão preparadas para a rádio digital, que opera desde 1995. Sejamos claros: não obstante o menor custo final da energia para alimentar a rede de emissores, montar uma rede DAB não é fácil, nem é nada barato. Recorde-se que, por cá, em Portugal, a RDP/RTP investiu 11,5 milhões de euros no DAB, assegurando uma cobertura de cerca de 70% da população. Ainda assim, segundo relatos da elite de ouvintes que tinham receptores DAB, a qualidade da cobertura do sinal estava algo longe do ideal. Quando a RTP teve de efectuar cortes, desistiu do brinquedo caro e pouco útil, salvo para alguns (raros) entusiastas e audiófilos. Reactivar? Talvez... no dia em que o Sr. Juncker decidir-se por oferecer uns tantos milhões de euros vindos de Bruxelas para modernizar a rádio europeia.
Registe-se o facto de a NRK, operador público norueguês, assegurar uma cobertura DAB superior à oferecida em VHF-FM, servindo mais de 99,5% da população. As últimas estatísticas apontam para que 56% dos ouvintes escutem diariamente via DAB. Neste contexto, os diversos actores no mercado da radiodifusão, bem como as entidades oficiais norueguesas, querem que o país seja o primeiro do mundo a abandonar a rádio analógica a favor da tecnologia digital.
Diria que é fácil falar quando se está num país riquíssimo, onde se tem uma rádio pública como a NRK disposta a injectar uns milhões de coroas em emissores DAB e em estruturas de emissão preparadas para a rádio digital, que opera desde 1995. Sejamos claros: não obstante o menor custo final da energia para alimentar a rede de emissores, montar uma rede DAB não é fácil, nem é nada barato. Recorde-se que, por cá, em Portugal, a RDP/RTP investiu 11,5 milhões de euros no DAB, assegurando uma cobertura de cerca de 70% da população. Ainda assim, segundo relatos da elite de ouvintes que tinham receptores DAB, a qualidade da cobertura do sinal estava algo longe do ideal. Quando a RTP teve de efectuar cortes, desistiu do brinquedo caro e pouco útil, salvo para alguns (raros) entusiastas e audiófilos. Reactivar? Talvez... no dia em que o Sr. Juncker decidir-se por oferecer uns tantos milhões de euros vindos de Bruxelas para modernizar a rádio europeia.
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