terça-feira, maio 22, 2012

Três práticas a evitar quando se fala ao microfone de uma estação de rádio:

Quando um realizador de um programa de rádio convida uma ou mais pessoas a participar no seu programa, fá-lo na expectativa que tudo vai correr bem e que não haverá incidentes de maior a registar. Assume que os convidados sabem manter o nível de qualidade e civismo exigído ao programa.

Todavia, por vezes, o maior factor de risco é(são) o(s) próprio(s) convidado(s). Os últimos dois programas do Provedor do Ouvinte da RTP (à hora a que escrevo, ainda não disponíveis em "podcast" no sítio da rádio pública) abordam precisamente duas situações em que um profissional de rádio desprevenido tem de lidar com comportamentos inadequados por parte de quem aceita participar no programa.

Limitando-me à simples perspectiva de ouvinte, apresento o meu ponto de vista acerca das práticas que deveriam de todo ser evitadas sempre que alguém colabora num programa ou participa num evento transmitido na rádio. Assim, destaco três atitudes que jamais deveriam ser adoptadas por quem fala aos microfones de uma rádio:


Utilizar linguagem obscena, ainda que devidamente contextualizada

Raquel Bulha, realizadora do programa "A Hora do Sexo", transmitida na 3, foi convidada da "Prova Oral" do passado dia 24 de Abril . O programa estava a ser interessante até ao final, altura em que a realizadora achou por bem cantar uma música brasileira utilizada nas campanhas a favor do uso do preservativo. Uma canção nada feliz, que recorre ao calão ofensivo para reforçar a sua mensagem. O episódio é corroborado pela audição do "podcast" da emissão visada, que foi transmitida no passado dia 24 de Abril.

Recorrer a um nível de linguagem grosseiro e agressivo  tem como efeito a degradação acentuada da qualidade do programa onde este é inserido. Além de não trazer nada de útil, desagrada à maioria dos ouvintes. Se este tipo de atitude é condenável numa rádio privada, muito mais o será numa rádio pública, daí que, relativamente à emissão da "Prova Oral" em causa, tenho de subscrever as palavras do Provedor que, como seria expectável, reprovou a conduta da profissional. Ora, tratando-se precisamente de uma profissional da rádio, a Raquel deveria ter mais cuidado com os conteúdos a emitir num programa de discussão e debate feito para jovens. Falar de sexualidade, com certeza, mas sem entrar na linguagem popular grosseira. Ainda que seja a citação de um anúncio brasileiro, a letra da canção ultrapassa os limites da decência impostos a uma estação de rádio.


Contar anedotas de humor negro

Se o humor negro por si só exige um cuidado especial, dado que é altamente susceptível de ferir sensibilidades sociais, religiosas, culturais e de outras naturezas, a utilização deste tipo de cómico num programa de rádio pode virar-se contra o humorista. Rui Sinel de Cordes, humorista, foi também convidado do programa realizado pelo Fernando Alvim. Mais uma vez, o final do programa foi, no mínimo, de muito mau gosto. Não cansado de piadas, o entrevistado achou por bem contar uma anedota de humor negro que associava o cancro da mama à "fruta com caroço". Saliente-se que o programa, por ter sido transmitido no Dia da Liberdade, foi gravado, pelo que, à hora em que foi emitido, o realizador sabia perfeitamente da existência de uma intervenção pouco adequada por parte do entrevistado.

Como seria de esperar, a reacção de muitos ouvintes foi a de mostrar mais uma vez a sua indignação perante a tentativa frustrada de ridicularizar uma doença que traz muito sofrimento a milhares de portuguesas.  Fernando Alvim pediu desculpa pelo sucedido ao Provedor e aos ouvintes, mas alegou que, em nome da liberdade de expressão, não houve qualquer censura ao programa.

O caso do Rui Sinel de Cordes, que também é escutável no sítio da RTP,  não foi o primeiro, nem sequer o mais grave da história da rádio em Portugal. Se recuarmos quase 19 anos, recordamos a tragédia no Hospital Distrital de Évora, quando 25 pacientes da Unidade de Hemodiálise faleceram na sequência do excesso de alumínio na água da rede pública da cidade. Pouco tempo depois, em meados de 1993, o então Ministro do Ambiente do governo liderado por Cavaco Silva, Carlos Borrego, achou por bem contar uma anedota aos microfones de uma rádio local. O que pretendia ser uma piada sobre a situação em Évora falhou completamente o objectivo, criando uma onda de indignação e repreensão que alastrou ao próprio governo. Uma pequena anedota revelada numa simples rádio local propagou-se rapidamente a todo o país, obrigando à demissão do ministro e ao fim da carreira política desta personalidade.


Esquecer-se que o microfone está ligado

Outro erro cometido por vezes: falar para a plateia de um evento ou para os restantes intervenientes num programa de rádio, esquecendo-se que o microfone está ligado. Voltando à vida política, basta recordar a polémica relativamente recente protagonizada por Pedro Nuno Santos (então um dos vice-presidentes do grupo parlamentar do Partido Socialista), que, falando para os militantes locais do partido, terá afirmado que «(...)se estava a “marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou (...)”»... Infelizmente, acreditando estar a falar apenas para os companheiros de partido reunidos no jantar de confraternização,  esqueceu-se que a Paivense FM estava em directo do jantar, transmitindo o discurso deste dirigente. Como noutros casos, a notícia rapidamente chegou às rádios e restantes meios de comunicação social nacionais.

Talvez seja boa prática seguir o exemplo dos militares: assumir que a arma está sempre carregada. Neste caso, assumir que o microfone está sempre ligado e pronto a transmitir para centenas, milhares, porventura milhões de ouvintes que acompanham o evento através da rádio. Se há que confidenciar, é boa ideia certificar-se que o botão do aparelho está na posição OFF.


**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

domingo, abril 22, 2012

Rádio Sim já emite nos 100,8 MHz Maia:

A emissão da Rádio Sim já se ouve em melhores condições no Grande Porto, através dos 100,8 MHz Maia. Ao que parece, a mudança decorreu na manhã deste sábado (21/04), altura em que a Rádio 5 deixou de transmitir na frequência da Maia para dar lugar à estação sénior da emissora católica portuguesa.

A operação de alteração do projecto licenciado à frequência local maiata, que incluiu não só a modificação da tipologia, de rádio temática para generalista, mas também a alteração da designação de "Rádio 5 FM"para "Rádio Sim - Porto" foi, naturalmente, sujeita à aprovação da ERC.

De referir que, sendo uma frequência generalista, a nova Rádio Sim - Porto vai ter emissões locais diárias entre as 16h00 e as 0h00, à semelhança das restantes estações locais que retransmitem o quarto canal do grupo r/com. Também é de salientar que a Rádio Sim já era escutada (embora não nas melhores condições) na região da cidade Invicta através do emissor de Vila do Conde (88,6 MHz) e, na Onda Média, na frequência 1251 kHz do emissor da Serra de Santa Justa (Valongo). Neste último caso, tal como nos restantes emissores OM e nas antigas vozes regionais da RR em FM (exceptuando Elvas), a emissão nacional é retransmitida 24 horas por dia, não havendo lugar ao desdobramento de emissões no horário 16-00h.

Com esta aquisição, a Rádio Sim passa a ser sintonizada através das seguintes frequências:




Rádio Sim - rede nacional de emissores em Onda Média:

576 kHz 10 kW Braga + 594 kHz 60-80 kW Muge + 891 kHz 10 kW Vilamoura + 927 kHz 1 kW Évora + 963 kHz 10 kW Seixal + 981 kHz 10 kW Coimbra + 981 kHz 1 kW Bragança/ Guarda/ Vila Real + 1251 kHz 10 kW Valongo/Viseu + 1251 kHz 1 kW Castelo Branco / Chaves


Rádio Sim - rede de emissores em FM:
  • 88,6 MHz 2 kW - Vila do Conde(*)
  • 92,6 MHz 1 kW + 99,5 MHz 0,05 kW Rio Maior (*)
  • 95,1 MHz 2 kW Leiria
  • 97,5 MHz 0,5 kW Portel (*)
  • 99,8 MHz 1 kW + 102,3 MHz 0,1 kW Elvas (*)
  • 101,1 MHz 10 kW Braga
  • 102,2 MHz 2 kW Palmela (*)
  • 103,6 MHz 1 kW Viseu
  • 100,8 MHz 1,5 kW Maia (*)
(*) - Apresenta emissões locais no horário supramencionado. Nas restantes 16 horas do dia, retransmite a emissão nacional da Rádio Sim.

**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

domingo, abril 08, 2012

Instalações do Rádio Clube da Lourinhã assaltadas, vandalizadas e incendiadas!

Os estúdios do Rádio Clube da Lourinhã (99,0 MHz) foram assaltados, tendo os larápios agredido a funcionária que se encontrava nas instalações e de seguida incendiado a zona de entrada do edifício.

Solidarizando-me com a direcção do RCL, com os restantes profissionais da estação e em especial com a funcionária agredida, endereço o meu desejo que os gatunos bárbaros sejam identificados pelas autoridades policiais e devidamente encaminhados para a malha da Justiça portuguesa. Não basta as rádios (sobre)viverem, ainda têm de lidar com ladrões vândalos que destroem o trabalho levado a cabo com empenho pessoal pelos profissionais das estações...

segunda-feira, abril 02, 2012

Rádio Renascença distinguida pelo Presidente da República:

Não é todos os dias que uma rádio celebra 75 anos de emissões regulares ininterruptas. Por isso, a Rádio Renascença deve merecer o maior respeito por todos os entusiastas da rádio portugueses.

Independentemente das crenças religiosas de cada um, há inevitavelmente que reconhecer que a RR marcou decisivamente a rádio em Portugal, aliando os seus princípios cristãos a uma programação generalista variada, onde a informação de qualidade não é descurada. Contrariamente à maioria das emissoras religiosas, a RR sempre foi e continua a ser uma rádio onde a fé católica convive lado a lado na grelha de programas com a informação, os programas desportivos (em especial, a "Bola Branca") , a música e os programas de entretenimento, sem esquecer o debate de ideias. Colocando música, palavra e oração no éter durante três quartos de século, a Renascença é uma estação cujo mérito é reconhecido pela generalidade dos ouvintes e dos profissionais do sector da comunicação social.

Aproveitando a efeméride, a Presidência da República decidiu atribuir o grau de Membro Honorário da Ordem do Mérito à emissora católica portuguesa, homenageando de uma forma justa os 75 anos de actividade da RR em prol da sociedade. A distinção será entregue pelo Presidente da República no próximo dia 9 de Abril, pelas 17 horas, no Palácio de Belém.

Não podendo deixar de referir que se trata da única rádio portuguesa que até agora foi agraciada com tamanha honra, recordo que a RR foi a única rádio nacional privada que preservou o seu nome durante 75 anos e que, por se tratar de uma estação detida pela Igreja Católica, protegida pela Concordata entre a Santa Sé e Portugal,  foi também a única que resistiu à onda de nacionalizações ocorrida em 1975.

Da minha parte, não posso deixar de dar os parabéns à Rádio Renascença, apresentando votos de sucesso para o futuro. Também gostaria de agradecer a todos os profissionais que fizeram da RR o que é hoje a emissora católica portuguesa.

**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

quarta-feira, março 21, 2012

Morreu José La Féria

Um dos maiores comunicadores da Rádio Sim acabou de nos deixar. José La Féria, realizador de rádio que nos últimos anos esteve à frente dos programas "Praça Central" e "Casa de Fados" na estação sénior do grupo r/com (comemorando recentemente os 40 anos de carreira), faleceu esta manhã vítima de doença súbita.

À família enlutada e a todos os amigos e profissionais da rádio que
trabalharam com o José La Féria, apresento as minhas condolências. Que descanse em paz.

Sem dúvida, uma grande perda não só para a r/com, mas também para toda a rádio em Portugal.

Emissores do CEOC vendidos?!

Uma notícia recente do jornal "Público" revela que os deputados do PS Inês de Medeiros, Paulo Pisco e Manuel Seabra enviaram um pedido formal de informações dirigido ao Ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, solicitando que este confirme as «informações que referem que está em fase de receber propostas para a venda do património do Centro Emissor de Onda Curta. » . Em bom português: a confirmar-se esta teoria, a administração da RTP, sob o alto patrocínio da tutela, prepara-se para liquidar o Centro Emissor de Onda Curta (CEOC), alienando o seu património ao desbarato.

Por outras palavras, os primorosos mandantes democraticamente eleitos pelo povo, os mesmos que sugerem aos portugueses insatisfeitos com a sua vida que emigrem, tomaram a atitude paradoxal de continuar a dificultar (ou até barrar) o acesso à estação de rádio internacional portuguesa por parte dos milhões de emigrantes portugueses espalhados pelo mundo e restantes lusófonos que reconhecem a importância da RDP Internacional. E como se tal não bastasse, ainda (alegadamente) têm o descaramento de prepararem a venda de equipamentos de milhões de euros, provavelmente sem terem em conta o interesse público e sem acautelarem os interesses do próprio Estado, oferecendo os emissores a preço de saldo. Como se na parca memória dos mesmíssimos políticos não coubesse a informação que a Onda Curta da RDPi precisa de emissores de radiodifusão preparados para as faixas de HF, por forma a assegurar as emissões aquando de uma eventual reactivação do serviço. Mais: para que conste, com ou sem emissores, as emissões em Onda Curta da rádio pública portuguesa  só poderão ser definitivamente suspensas após a alteração do contrato de concessão do serviço público de radiodifusão. Qualquer outro enquadramento que não a "suspensão temporária" será, assim, ilegal.

Corolário: Antes de suspender definitivamente o CEOC, o governo terá, obrigatoriamente, de alterar a cláusula 2.ª do contrato de concessão do serviço público de rádio:

« (...)
Cláusula 2ª
(Âmbito)
A concessão do Serviço Público de Radiodifusão Sonora abrange todas as emissões de
cobertura nacional, regional e local, nas frequências actualmente autorizadas, ou que o
venham a ser, nomeadamente as emissões em DAB e, ainda, as emissões em onda curta e
por satélite, aqui designadas, no seu conjunto, por RDP INTERNACIONAL, bem como as
emissões de redifusão (satélite/FM) que constituem a RDP ÁFRICA. (...)»

in rtp.pt (sublinhados meus)

Admitindo-se a veracidade da situação relatada, que legitimidade terá o governo para manter uma "suspensão temporária" quando não estarão reunidas as condições para uma eventual a reactivação das emissões? Não haverá coragem política para mudar o contrato de concessão da RTP-rádio antes de proceder a um eventual negócio de alienação de infra-estruturas públicas que servem a emissora internacional portuguesa?

Muito sinceramente, espero que, a confirmarem-se os rumores, um responsável político com pejo, em nome da transparência e da confiança depositada nele pelos seus eleitores, tome a coragem de confessar publicamente o negócio, revelando os pormenores das negociações, não esquecendo a alteração legal referida. Caso contrário, os cidadãos portugueses legitimamente indignados com a "suspensão temporária" da RDPi reservam-se o direito de retirar a confiança política e institucional aos iluminados que, (mais uma vez, não estando oficialmente confirmado, continuo a utilizar o advérbio "alegadamente") estudam   veladamente um negócio altamente ruinoso para o interesse público e que claramente prejudica a afirmação de Portugal no mundo!

Os mesmos cidadãos (onde me incluo), perguntar-se-ão: mas onde estão os estudos de viabilidade das emissões em OC da RDP Internacional? Que impacto teve a suspensão das emissões nas audiências da estação? Quantos ouvintes deixaram de poder ouvir a RDPi devido à incapacidade de utilizarem sistemas de recepção alternativos? Boas perguntas, certamente, às quais, infelizmente, também procuro uma resposta convincente do ministro Miguel Relvas e da administração da RTP...


**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

quinta-feira, março 08, 2012

"Mundo da Rádio" regressa ao ".com":

Informo todos os utilizadores do sítio "Mundo da Rádio" que, por força das circunstâncias, migrei as páginas principais do sítio para o endereço www.mundodaradio.com . Por razões técnicas, o "Fórum da Rádio"  (Provisório) não poderá migrar para o domínio principal, pelo que este serviço manter-se-á no ".org".

Adianto que continuo  efectuar diligências no sentido de instar o serviço de alojamento a reactivar o domínio ".org", de modo a restabelecer o funcionamento do Fórum.

terça-feira, março 06, 2012

"Mundo da Rádio" indisponível:

Devido a um problema técnico, o sítio "Mundo da Rádio" encontra-se temporariamente indisponível. Apesar de não assumir a responsabilidade directa do sucedido, apresento as minhas desculpas aos visitantes impedidos de consultar e participar no sítio. Estou a envidar todos os esforços possíveis para reactivá-lo assim que estejam reunidas as condições para o fazer.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

«Tudo o que passa, passa [há 24 anos] na TSF»:


No dia 29 de Fevereiro de 1988, (re)nascia [já que a 1.ª emissão foi em 1984] uma rádio pirata nos 102,7 MHz de Lisboa. Uma rádio que mexeu com a informação radiofónica, que, apesar de já não viver os tempos áureos de outrora, continua decididamente a ser uma marca de confiança e reputação dos ouvintes portugueses.

De pirata a legal, de uma rádio local de Lisboa e Coimbra para toda a região Norte e Centro do país, mas também para parte do Alentejo e Algarve, a TSF tem o privilégio de apenas poder comemorar o verdadeiro aniversário de quatro em quatro anos, aproveitando a singularidade de ter arrancado num ano bissexto.

No dia em que a rádio que «passa tudo o que passa» comemora 24 anos, não podia deixar de relembrar esta efeméride, apresentando os meus votos de boa sorte e felicidade a todos os profissionais que, ao longo de 24 anos, passam (e passaram) pela estação. Gostaria especialmente de recordar os profissionais que já não se encontram entre nós, incluindo o António Jorge Branco, o Jorge Perestrelo, o Jorge Pena, não menosprezando outros que eventualmente não me esteja a recordar deles. Obrigado a todos os que sempre defenderam a "paixão da rádio", dando o seu melhor para elevar a qualidade do jornalismo radiofónico em Portugal!

Parabéns, TSF!

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

88,4 MHz: NFM vs. "Portadora FM"?!

Que já houve de (quase) tudo na rádio em Portugal, não é novidade. Já recorrer ao empastelamento para prejudicar a emissão de uma rádio local, parece ser uma situação inédita.

O relato colocado num tópico do Fórum "Ondas da Rádio" denuncia um episódio situado entre o caricato e o insólito: como é sabido, a frequência 88,4 MHz de Espinho (deslocalizada para o Monte da Virgem), foi vendida ao Acácio Marinho (proprietário de outras estações). Todavia, a NFM/Rádio N do João Vinhas continua a emitir da sua torre no Monte da Virgem.

Reclamando para si o direito de antena, o Acácio Marinho terá, alegadamente, activado um emissor na torre da M80 (por onde originalmente a NFM saía, antes de recorrer a uma torre própria), que transmite apenas a portadora nos 88,4. O resultado, como se adivinha, é que o novo emissor está a empastelar a emissão da NFM/Rádio N, prejudicando a cobertura desta. Os últimos desenvolvimentos apontam para um sinal sonoro (semelhante ao áudio de uma mira técnica) a sair do emissor de espastelamento, que prejudicam a recepção d' "A rádio que toca" em algumas zonas do centro do Porto e nos locais com linha de vista para o Monte da Virgem.

Embora seja uma prática cuja legalidade deixa muitas interrogações, supõe-se que o objectivo da operação passe por pressionar o proprietário da Rádio N/NFM (J. Vinhas) a ceder o equipamento ao legítimo proprietário da frequência local do concelho de Espinho. Aguardam-se os desenvolvimentos desta alegada guerra radiofónica.
UNESCO declara 13 de Fevereiro como o Dia Mundial da Rádio:

A rádio tem razões para comemorar: com mais de 70 anos de existência, a actividade da radiodifusão passou a ter direito a um dia mundial. Na próxima segunda-feira, o mundo homenageia este meio de comunicação social , que nem a televisão ou a Internet foram capazes de o eclipsar. Pelo contrário, a rádio sabe adaptar-se a novos tempos e às respectivas mudanças tecnológicas. 

Do Pólo Norte ao Pólo Sul, a rádio continua a ser o meio mais acessível e eficiente de espalhar notícias e entretenimento à população mundial: os jornais não chegam a todo o lado, a televisão nem sempre é acessível (por razões económicas e/ou tecnológicas), a Internet não está disponível em todo o lado. Todavia, basta a um cidadão comum adquirir um pequeno aparelho (que até pode ser alimentado por corda ou energia solar), para este acompanhar as últimas novidades da sua aldeia ou cidade, do seu país e de todo o mundo!

**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Smooth FM já emite para o Porto:

A Smooth FM já emite nos 89,5 MHz Matosinhos, substituindo a Best Rock FM. Esta alteração foi aprovada pela ERC no final do ano passado, pelo que a MCR começou hoje a oferecer a estação de música dos estilos smooth jazz, blues, soul e R&B aos ouvintes do Grande Porto.

Assim, a frequência de Matosinhos junta-se à rede de emissores da Smooth FM, que também conta com os 103,0 MHz Barreiro e os 92,8 MHz Figueiró dos Vinhos.

terça-feira, novembro 29, 2011

Rádio No Ar (106,4 MHz Viseu) retransmite a Rádio Sim:

A Rádio No Ar está a retransmitir a emissão da Rádio Sim. O blogue "Radialistas de Viseu" noticia que a estação viseense, que se encontra em processo de venda ao grupo r/com, transformou-se num retransmissor (para já, supérfluo) da Rádio Sim para a cidade de Viriato.

Independentemente do cenário traçado para o futuro da até agora Rádio No Ar, existe uma certeza: contrariamente ao que a notícia referida sugere, não é exequível a transmissão da Mega Hits nos 103,6 MHz Viseu. Não esquecer que a frequência em causa pertence oficialmente à rede nacional de emissores da Rádio Renascença, pelo que transmite a programação da Rádio Sim 24 horas por dia em paralelo com as restantes frequências FM das antigas vozes regionais da emissora católica portuguesa (Braga, Viseu, Leiria e Elvas) [para não falar da rede nacional em Onda Média e das rádios locais que retransmitem a Sim].

Ora, a Mega Hits não deixa de ser, para os devidos efeitos (legais) uma rádio local temática do concelho de Lisboa que quase "por acaso" é retransmitida por outras frequências temáticas espalhadas pelo país (as frequências de Sintra e Gondomar mudaram da categoria de generalista local para temática musical), pelo que, do ponto de vista legal, não pode ocupar a frequência atribuída a uma rede nacional de emissores que transmite a Rádio Renascença (embora alguns emissores estejam ocupados pela Sim).

Portanto, parece-me evidente que restam duas hipóteses: ou a RR regressa aos 103,6 MHz e a Sim passa para os 106,4 MHz, ou a Mega Hits vai brevemente ocupar a frequência da Rádio No Ar, mantendo-se a Sim nos 103,6 MHz.
Antena 2 tem nova frequência nos Açores: 92,9 Cabeço Verde (Faial)

A Antena 2 acabou de lançar mais uma frequência na Região Autónoma dos Açores. Segundo o relato do utilizador "TMG", no "Fórum da Rádio", o novo emissor do 2.º canal da rádio pública opera nos 92,9 MHz a partir do Cabeço Verde (ilha do Faial) e serve a zona ocidental do concelho da Horta (e por inerência, da ilha, já que este concelho ocupa toda a superfície da mesma). A nova frequência, que partilha as estruturas de emissão com a frequência da Antena 1 (98,1 MHz) terá 1 kW de potência.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Rádio Renascença compra Rádio No Ar (106,4 MHz Viseu):

A Rádio Renascença, Lda. , empresa detentora da emissora católica portuguesa comprou a Rádio No Ar (106,4 MHz Viseu). O negócio já foi consentido pela nova administração da ERC, que autorizou a cessão do serviço de programas "No Ar", bem como a respectiva licença, a favor da RR.

Tudo indica que o objectivo da transferência de propriedade e controlo passe pela implantação de um emissor da Mega Hits na cidade de Viriato. A confirmar-se, Viseu passará a ser servida pelas quatro rádios do grupo r/com. A RR emite nos 93,8 MHz Pico da Pena (Vouzela) + 106,0 Lousã; a RFM é servida nos 99,4 MHz Viseu, 95,0 MHz Pico da Pena e 91,7 MHz Lousã. A Rádio Sim emite nos 103,6 MHz Viseu e a Mega Hits passará a ser escutada nos 106,4 MHz.

sábado, novembro 19, 2011

Serviço público de rádio e televisão: que futuro?

Na passada segunda-feira, dia 14, o país ficou a conhecer as propostas para o serviço público defendidas pelo grupo de trabalho organizado para o efeito e liderado pelo economista João Duque. Depois de três demissões no grupo, os restantes membros assinaram o relatório, que se encontra disponível na Internet e apresenta as seguintes ideias-chave para a reestruração do serviço público:

- Fechar a RTP Informação e RTP Memória; fundir a RTP África com a RTP Internacional. Extinguir a RTP Madeira e RTP Açores.
- Manter um serviço público de rádio com 2 canais, um com uma forte aposta na língua portuguesa, mormente através da passagem de música portuguesa; o outro canal deverá passar música mais erudita, não só portuguesa, como também de orquestras internacionais;
- Extinguir a ERC, passando as suas competências burocráticas e administrativas para outras instituições do Estado; os meios de comunicação social passariam a auto-regular-se. A existirem conflitos, estes deverão ser resolvidos em tribunal.
- A privatizar-se um canal da RTP, manter o canal de serviço público sem publicidade.
- Por último, a questão mais polémica: reduzir a informação nos canais da RTP ao mínimo indispensável, evitando a presença de comentadores políticos ou outros nos espaços noticiosos da rádio e televisão públicas.


Se me permitem a opinião pessoal em relação às ideias defendidas pelo grupo de trabalho:

1) Acabar com a RTP Informação e RTP Memória? Não. A meu ver, estas devem ser mantidas como elementos vitais do serviço público de televisão. Atrever-me-ia a exigir aos nossos governantes que democratizem o acesso a estes canais, lançando as bases legais para a transmissão dos mesmos na TDT. Se é serviço público, então todos os cidadãos, mesmo os que não têm televisão por cabo ou satélite, devem ter  direito a assistir a todos os canais que compõem o serviço público de rádio e televisão.

2) Fundir a RTP África com a RDPi: sim, desde que seja feito um desdobramento da programação em certo(s) horários. Isto é, a RTPi Europa, RTPi América e RTPi Ásia apresentariam uma programação diferente da RTPi África durante algumas horas por dia. Nos restante horários, a programação seria idêntica em todos os serviços, embora, naturalmente, os horários pudessem reflectir os fusos horários.

3) Extinguir a ERC? Se a ideia da auto-regulação por si não é necessariamente má, o Estado pode e deve reservar-se ao direito de regular o sector dos media, por forma a garantir os direitos, liberdades e garantias das empresas de comunicação social, dos seus funcionários e do público em geral, que acede aos meios de comunicação social. Por outro lado, se estivéssemos noutro país a ideia de arbitrar conflitos em tribunal poderia ser muito boa ideia, a Justiça em Portugal não só é lenta e cara, como tem imensos problemas. Sobrecarregar os tribunais com conflitos que facilmente seriam julgados numa entidade reguladora não me parece uma hipótese razoável. Aliás, até países como os Estados Unidos, onde até os casos mais estapafúrdios são mediados judicialmente, têm as suas entidades reguladoras da comunicação social. Creio que nem o erário público nem os media, e muito menos os consumidores ficavam a beneficiar com a transferência das competências da ERC.

4) Informação na RTP: Sim, defendo uma informação isenta, plural e de qualidade. Mas que seja regular na grelha dos diversos canais da RTP (tv e rádio). A meu ver, a informação deve ser concisa e eficiente, mas respeitando sempre as melhores práticas jornalísticas e colocando o serviço público acima de interesses políticos, comerciais, ou outros.

5) Converter a empresa RTP numa instituição sem fins lucrativos? Talvez. Depois de ter as contas regularizadas, a RTP deve ser financiada exclusivamente por dinheiros públicos e pelos contribuintes, sem interesses comerciais.

6) Nota em relação à Antena 3:

Sou contra a alienação da Antena 3, considerando que se trata de uma rádio pública que, não só deve estar orientada para um público jovem que não se revê na Antena 1 ou Antena 2, como também promove música portuguesa de qualidade. Uma rádio que mistura a vertente mais comercial com as produções musicais mais alternativas, faz todo o sentido no contexto do serviço público de rádio. A Antena 3 peca por certos e determinados "vícios", mas continua a ser a única rádio nacional onde não se ouve apenas "coisas" como Coldplay, Adele ou Áurea, mas também projectos como peixe:avião, Linda Martini, doismileoito ou Mundo Cão. Que outra rádio com cobertura nacional passa Arcade Fire, M83 ou Radiohead?

Se muita coisa devia mudar na Antena 3? Sim, mas, volto a insistir, que outra rádio nacional dá tanta importância a novos projectos de música portuguesa e internacional mais alternativa? Que outra estação tem uma "Prova Oral", com uma elevada participação dos ouvintes?

Não obstante (repito) estar contra uma eventual privatização da Antena 3, julgo que, a concretizar-se tal operação, a Antena 1 devia passar a transmitir exclusivamente música portuguesa (exceptuando um ou outro programa de autor). Seria uma rádio que passava tanto Fado, como música pop/rock, como música mais popular, sem esquecer a música mais alternativa. Digamos que tanto passava Carlos do Carmo como Linda Martini - uma mistura da actual "playlist" da 1 com a "playlist" da Antena 3.



Poucas horas e poucos dias depois da apresentação do relatório, as reacções não se fizeram esperar: o próprio ministro Miguel Relvas admite discordar de alguns pontos do relatório. O Sindicato dos Jornalistas diz que o relatório é ofensivo para os jornalistas. O governo dos Açores também contesta a ideia de acabar com os canais regionais. Com mais ou menos ironia, vários comentadores criticam as propostas constantes no documento; a proposta de colocar o Ministério dos Negócios Estrangeiros a controlar a informação da RTP Internacional "a bem da Nação" é uma ideia rejeitada por muitos. Até o Ministro que tutela a diplomacia portuguesa está contra tal hipótese. Ironia do destino: o MNE é liderado por um antigo jornalista. Paulo Portas repudia qualquer intromissão política do MNE na informação da RTPi.

A proposta de controlar a informação da RTP Internacional não deixa de ser polémica. Se a expressão "a bem da Nação" recorda tempos cinzentos do jornalismo e da liberdade em Portugal, a possibilidade de colocar o MNE a tomar decisões a respeito das notícias transmitidas no canal internacional da RTP poderia levar à tentação de realizar um "exame prévio" antes da transmissão dos espaços noticiosos. Algo que, infelizmente, seria sempre associado ao "lápis azul" de outros tempos.

A meu ver, a escolha de João Duque para liderar o processo foi muito infeliz. Seria como se me convidassem para estar à frente de um grupo de trabalho sobre Física Quântica. Nos dois casos, estariam pessoas que não dominavam o assunto em questão e que muito provavelmente diriam disparates. Se há que dar trabalho ao Duque, sugiro que o coloquem em grupos de trabalho sobre Economia, onde, creio, poderá ser muito útil. Quem devia presidir a um grupo que estuda  serviço público de rádio e televisão deveria ser uma pessoa de reconhecido mérito profissional, isenta e que desse provas do conhecimento da estrutura e funcionamento dos meios de comunicação social.

domingo, outubro 30, 2011

Rádio Comercial ganha mais uma frequência: 88,7 MHz Valongo

Depois de Aveiro, Viseu, Vouzela e Esposende, é a vez de Valongo ganhar uma frequência experimental da Rádio Comercial, que passou a transmitir também nos 88,7 MHz a partir da Serra de Santa Justa (Valongo). Segundo o utilizador "TMG", que relatou esta novidade no "Fórum da Rádio", a nova frequência deverá, muito provavelmente, estar a utilizar a torre e as estruturas do antigo emissor da Rádio Comercial (97,7 MHz) que foi deslocalizado para o Monte da Virgem há mais de um ano.

Desconhece-se a potência do novo emissor, mas sabe-se que o sinal é ainda audível no Porto e em Vila Nova de Gaia... apesar de ser difícil calcular a cobertura real do mesmo, já que partilha a frequência (88,7) com Lamego. Havendo dois emissores a operar na mesma frequência e audíveis em certa região, torna-se difícil descortinar qual é qual.
Centro emissor de Sines da Deutsche Welle: o fim...

O ano de 2011 candidata-se seriamente a ser conhecido como o ano em que a Onda Curta morreu de vez em Portugal! Como se não bastasse a vergonhosa "suspensão temporária" das emissões da RDPi nesta faixa, o centro emissor de Sines da DW termina definitivamente a sua actividade a partir do momento em que entra em vigor o período B11 (de 30 Outubro de 2011 até ao final de Março de 2012).

Durante 40 anos, a Deutsche Welle foi retransmitida para a Europa através de Sines. Como contrapartida pela instalação de um centro emissor de Portugal, fixada pelo governo português, a DW transmitia também a RDPi para a Europa, inclusivamente durante a "suspensão temporária" das emissões em OC através do CEOC; também é de referir que, de forma a rentabilizar os emissores, a DW sempre alugou tempo de emissão a outras emissoras internacionais, como a BBC, a R. Netherlands, a NHK (Japão), entre outras. Outrora, até a Rádio Renascença alugou uma frequência para a Europa.

Com a queda dos regimes comunistas na Europa de Leste, o emissor de Sines arriscava-se a perder a sua importância, mas a DW decidiu rentabilizá-lo, equipando as instalações de Sines com novas antenas rotativas, que permitem(iam) emitir em qualquer azimute, atingindo qualquer ponto do globo terrestre. Esta remodelação do parque de antenas assegurou a viabilidade do emissor durante os últimos anos, que passou a transmitir a DW para a América e África.

No final dos ano 90, a DW começou a realizar as primeiras emissões em modo digital DRM (Digital Radio Mondiale), a partir de Sines.

Para os entusiastas da OC, vale a pena ouvir este programa do serviço em português da DW, que conta a história do emissor de Sines, com relatos na 1.ª pessoa de funcionários da ProFunk GmbH, a empresa que gere as infra-estruturas da Onda Alemã em Sines.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Rádio Renascença adquire Rádio 5  (100,8 MHz Maia):

A Rádio 5 / Romântica FM (100,8 MHz Maia - distrito do Porto) acaba de ser vendida. A ERC já deu o aval à alteração do domínio do operador Moviface - Meios Publicitários, Lda.", detentor do alvará da estação maiata a favor da Rádio Renascença, Lda. , empresa proprietária da emissora católica portuguesa. Com esta operação, a RR passará a controlar a totalidade do capital social da estação local do concelho da Maia.

Sem querer especular, é provável que o intuito da aquisição passe pelo reforço da cobertura da Rádio Sim na região do Grande Porto.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Porto vai ter duas rádios temporárias:

Parece que o éter na cidade invicta vai estar bem animado nos próximos tempos! A cidade do Porto vai poder ouvir duas rádios temporárias: a Rádio Futura e a Rádio Manobras:

- A Rádio Futura regressa ao éter por ocasião do festival Future Places , que decorrerá entre os dias 19 e 22 de Outubro. Tal como as edições anteriores, a Rádio Futura vai estar a cargo da Rádio Zero e vai emitir do coração da cidade invicta nos 102,1 MHz.

- A Rádio Manobras deverá emitir entre os dias 28 de Setembro e 2 de Outubro (datas não confirmadas), na frequência 91,5 MHz. Esta estação está associada ao projecto Manobras, que visa dinamizar o centro histórico do Porto.


**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**