sexta-feira, julho 14, 2017

Altice compra Media Capital!

Já se sabia que era um negócio em vias de ser concretizado, mas foi hoje oficialmente anunciado. A Meo, empresa de telecomunicações do grupo Altice, lançou uma OPA (oferta pública de aquisição) sobre as acções da Media Capital, onde se inclui, naturalmente, além da estação de televisão TVI, as rádios do grupo (Rádio Comercial, M80 Rádio, Cidade, Smooth FM e Vodafone FM), entre outros activos. As estimativas apontam para um negócio que ascende a 440 milhões de euros.

Perante uma operação financeira desta envergadura, e tratando-se de um operador que detém um canal de televisão nacional, uma rádio nacional (Comercial), uma rádio regional (rede sul, ocupada pela M80), bem como várias cadeias de rádios locais, o negócio estará sujeito a avaliação pela autoridades da concorrência portuguesa e europeias, mas também passará, obviamente, pelos crivos da ERC e da ANACOM. Na prática, as diversas entidades que vão escrutinar o processo deverão impor alguns "remédios", no sentido de garantir a salutar concorrência face à aquisição de órgãos de comunicação social por parte de um operador de telecomunicações (Meo) que distribui aos seus clientes, mediante subscrição, canais de televisão e de rádio. É provável que a Altice seja obrigada pelos reguladores dos media a disponibilizar o sinal da TVI aos restantes operadores de telecomunicações e, por maioria de razão, por se tratar de uma estação de televisão de sinal aberto, obrigada, por força do chamado "must carry" imposto por lei, a transmitir na televisão digital terrestre (TDT).

Relativamente às rádios do grupo, desconhecem-se, para já, os planos da Altice. Todavia, é provável que a Rádio Meo Music (quiçá, "Rádio Altice Music"(?)) passe a ser directamente explorada pela Altice, passando para algumas das frequências detidas pela MCR. A Vodafone FM, tal e qual como a conhecemos, deverá ter os dias contados, por razões que, creio, serão óbvias para a maioria dos leitores do blogue; salvo se houver outro operador radiofónico interessado na realização de um contrato com a Vodafone.

Aconteça o que acontecer, uma coisa é certa, a aquisição da Media Capital pela Altice vai ser um processo moroso e complexo, porquanto terá de existir uma profunda análise das entidades reguladoras no sentido de atestar a cabal legalidade do processo e a garantia de não distorção desleal do mercado dos media em Portugal.

sexta-feira, junho 30, 2017

Governo da Guiné-Bissau suspende emissões da RDP África e da RTP África e fecha a delegação da agência "Lusa" no país!

Más notícias vindas da Guiné-Bissau: o ministro guineense da Comunicação Social  anunciou a suspensão da actividade da RDP África, RTP África e da agência Lusa, no país, alegando que o contrato celebrado entre o Estado Português e o Estado guineense caducou.

A consequência directa desta decisão unilateral da Guiné-Bissau é o "silenciamento" dos emissores de rádio da RDP África e de televisão, da RTP África, neste país africano.

Independentemente de questões burocráticas, esta atitude da Guiné-Bissau pode ser visto como um atentado à liberdade de informação e de imprensa, porquanto priva o povo guineense do acesso aos meios de comunicação internacionais do Estado Português. Esta decisão política coloca em causa a democracia na Guiné-Bissau, impedindo o acesso a outras correntes de opinião e a uma informação que pode não se coadunar com a posição oficial do país.

É por estas e outras razões que critiquei, em 2011, o fim da Onda Curta da RDP Internacional. E mantenho, sem retirar uma vírgula sequer, tudo o que escrevi na altura. A Onda Curta e o satélite são tecnologias que não dependem da vontade política dos governos locais onde a emissão é escutada. O emissor FM pode ser desactivado, a Internet pode ser cortada. Até as antenas parabólicas podem ser proibidas. Todavia, a Onda Curta, aquela coisa obsoleta, monofónica, roufenha e distorcida (ironia), chega a um qualquer rádio de pilhas colocado numa mesa de uma qualquer casa, sendo que a única forma viável de censurar a emissão é o seu empastelamento (o que exige antenas e emissores, o que não fica barato, mormente para países sem grande folga económica). Pode parecer uma tecnologia do passado, mas a Onda Curta revela-se um meio eficaz de comunicação quando as alternativas são caras para os ouvintes, exigem estruturas tecnológicas para a recepção/ escuta bem mais complexas e, sobretudo, que podem depender, em última instância, das autoridades locais para que a rádio se faça ouvir no país-alvo. Esperemos que o Estado Português e o Estado da Guiné-Bissau se possam entender, no sentido de resolver este conflito.

Actualização: Afinal, a actividade da Lusa não será suspensa. Todavia, parece que a suspensão das emissões da RTP vai ser mesmo imposta.

quarta-feira, junho 28, 2017

Rádios que se encontram a transmitir o concerto solidário "Juntos Por Todos"

Uma rápida passagem pelo éter e pelas emissões online de muitas das rádios locais portuguesas, resultou num número nada modesto: contabilizei 62 rádios a transmitir a emissão conjunta a partir da Meo Arena. Porventura o número real seja superior, por isso exorto os leitores do blogue que estejam a escutar rádio que me informem caso tomem conhecimento de mais rádios que se aliaram a este projecto solidário.

Rádios nacionais e cadeias de rádios: Antena 1,  RR, RFM, Mega Hits, Rádio Sim, Rádio Comercial, M80 Rádio, Rádio Amália, Rádio Regional, Rádio 5

Rádios internacionais: RDP ÁfricaRDP Internacional

Rádios fora de Portugal: WJFD (97,3 New Bedford, Estados Unidos)

Distrito de Aveiro: Rádio Terra Nova (105,0 Ílhavo), Rádio Voz da Ria (90,2 Estarreja), Rádio Ovos Moles (webrádio de Aveiro)

Distrito de Beja:
Rádio Vidigueira (90,0), Rádio Voz da Planície (104,5 Beja),  Singa FM (104,0 Ferreira do Alentejo), TLA Rádio (92,6 Aljustrel),


Distrito de Braga: Rádio Barca (99,6 Ponte da Barca), Rádio Ondas do Lima (95,0 Ponte de Lima), Rádio Popular Afifense (87,6 Viana do Castelo)

Distrito de Bragança: Rádio Terra Quente (105,2 e 105,5 Mirandela)

Distrito de Castelo Branco: Rádio Castelo Branco (92,0), Rádio Covilhã (95,6),  Rádio Clube de Monsanto (98,7 e 107,8 Idanha-a-Nova), Rádio Condestável (91,3 + 97,5 + 107,0 Sertã)


Distrito de Coimbra: RCP (92,6 Mealhada), Rádio Boa Nova (100,2 Oliveira do Hospital), Rádio Clube de Arganil (88,5 e 97,3 MHz)
Distrito de Évora: Rádio Telefonia do Alentejo (103,2 Évora), Rádio Despertar (94,5 MHz Estremoz), RC Alentejo (96,2 Mourão), Granada FM (100,1 Vendas Novas)

Distrito de Faro: Rádio Gilão (94,8 e 98,4 Tavira), Rádio Horizonte Algarve (96,9 e 106,8 Tavira), Rádio Guadiana (90,5 Vila Real de Santo António)

Distrito da Guarda: Rádio Antena Livre de Gouveia (89,6 Gouveia)

Distrito de Leiria: 94 FM (94,0 Leiria)

Distrito de Lisboa: Rádio Voz de Alenquer (93,5 e 100,6), Ultra FM (88,2 Vila Franca de Xira)

Distrito do Porto: Jornal FM (103,6 Paredes), Rádio Clube de Penafiel (91,8), Rádio Linear (104,6 Vila do Conde), Rádio No Ar (107,8 Santo Tirso), Rádio Onda Viva (96,1 Póvoa de Varzim)

Distrito de Santarém: Rádio Voz do Sorraia (94,7 Coruche), Tejo Rádio Jornal (102,9 Cartaxo)

Distrito de Setúbal: Antena Miróbriga (102,7 Santiago do Cacém), Rádio Sines (95,9), Sesimbra FM (103,9), Rádio Clube de Grândola (91,3)

Distrito de Viseu: Alive FM (89,9 Sátão), VFM (94,6 Vouzela), Douro FM (91,4 Tabuaço), Emissora das Beiras (91,2 Tondela),


Açores: R. Horizonte Açores, Top FM (Açores), 105 FM (Vila Franca do Campo), Rádio Atlântida (Ponta Delgada)

Madeira: Posto Emissor do Funchal (emissões FM e OM), Rádio Calheta (98,8)

segunda-feira, junho 26, 2017

"Juntos Por Todos": o concerto solidário por Pedrógão Grande

É já amanhã (terça-feira dia 27/06/2017), que os principais operadores de televisão em Portugal (RTP, SIC E TVI), mas também as principais rádios, transmitem, em directo, o concerto "Juntos Por Todos", evento solidário no Meo Arena, destinado a arrecadar receitas para as vítimas do grande incêndio em Pedrógão Grande e concelhos adjacentes.

O espectáculo, que inclui artistas como AGIR, Amor Electro, Ana Moura, Aurea, Camané, Carlos do Carmo, Carminho, D.A.M.A, David Fonseca, Diogo Piçarra, Gisela João, Hélder Moutinho, João Gil, Jorge Palma, Luísa Sobral, Luís Represas, Matias Damásio, Miguel Araújo, Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Raquel Tavares, Rita Redshoes, Rui Veloso, Salvador Sobral e Sérgio Godinho, será transmitido, em directo, pela rádio. À hora a que escrevo esta mensagem, sabe-se que o concerto vai ser transmitido na Antena 1, Rádio Comercial, M80 Rádio, Cidade, Smooth FMRádio Renascença, RFM, Mega Hits, Rádio SimAntena Miróbriga (102,7 MHz Santiago do Cacém), Rádio Sines (95,9 MHz), Rádio Condestável (91,3 + 97,5 + 107,0 MHz Sertã), Rádio Dom Fuas (100,1 + 98,5 Porto de Mós), Rádio Cidade de Tomar (90,5 MHz), Rádio Horizonte (96,9 + 106,8 MHz Tavira), Rádio Boa Nova (100,2 MHz Oliveira do Hospital), Rádio Cister (95,5 + 102,5 MHz Alcobaça), entre outras.

De referir que, apesar da Meo Arena já estar com lotação esgotada, é possível contribuir para esta causa, comprando um bilhete solidário no sítio blueticket.pt .

sexta-feira, junho 23, 2017

SIRESP: Sistema Inoperacional (de) Rádio (para) Emergências Surpreendentemente Perigosas?

Infelizmente, parece que se confirma o que se temia: o tristemente famoso "SIRESP", o sistema de comunicação via rádio destinado à Protecção Civil, forças de segurança, bombeiros e outros actores em cenários de catástrofe, esteve inoperacional na área de influência do fatídico incêndio de Pedrógão Grande, durante 14 horas e meia (!).

Entre as 19 horas de sábado (dia 17) e as 9h30 de domingo (dia 18/06/2017), a rede SIRESP falhou na região de Pedrógão Grande, inviabilizando as comunicações entre a Protecção Civil, a GNR e as corporações de bombeiros. Sabe-se que várias das antenas do SIRESP foram destruídas pelo fogo e que diversas estruturas essenciais para o funcionamento da rede, incluindo cabos de fibra óptica, foram afectadas. A alternativa encontrada foi o recurso a uma antena móvel, instalada numa carrinha proveniente de Lisboa. De referir que, das 4 estações móveis pertencentes à empresa do SIRESP, apenas UMA reunia as condições para ser instalada no terreno.

Sendo o blogue "Mundo da Rádio" um espaço dedicado à rádio e às radiocomunicações, coíbo-me de tecer quaisquer comentários políticos, sobretudo quando importa esperar pelo resultado das investigações que devem ser feitas, no sentido de esclarecer cabalmente em que condições específicas ocorreu a maior tragédia associada a incêndios florestais, de que há memória em Portugal. Não obstante, existem questões técnicas relacionadas com a rede de comunicações de emergência que devem ser discutidas.

Se o SIRESP é (ou devia ser) uma rede de comunicações concebida para estar operacional mesmo em situações de desastre natural, onde as redes convencionais (telefone, redes móveis, Internet, etc) podem falhar, então Portugal deveria ter uma rede SIRESP com diversos níveis de redundância que assegurassem o funcionamento do sistema inclusivamente em situações de corte de energia eléctrica durante largas horas, destruição de cabos de comunicação de dados (fibra óptica, etc), destruição de torres, etc. Esperava-se que a electricidade falhasse, as redes móveis falhassem, a Internet deixasse de funcionar... mas o SIRESP continuasse a funcionar, apesar das contingências. Se o SIRESP falha num incêncio, o que dizer do dia em que houver um sismo violento, um tornado, inundações ou outro evento de gravidade extrema, que possa pericitar a vida de milhares de pessoas? De que servem dezenas de walkie-talkies que, de um momento para o outro, deixam de comunicar uns com os outros, porque a base deixou de operar? Quantos riscos não podem ser evitados em 14 horas? Quantas vidas podem ser salvas se, durante 14 horas e meia, a rede de emergência continuar a funcionar adequadamente, não perdendo o sinall? Apesar do SIRESP permitir a comunicação directa entre transceptores, esta limita-se aos equipamentos geograficamente próximos, inviabilizando uma operação em larga escala, como é exigível num combate a um incêndio violento.

Havendo muito para investigar, não tiro, para já, qualquer ilação a respeito das causas específicas das causas das falhas de comunicação, mas, se me é permitido a ironia, quiçá fosse mais vantajoso oferecer às corporações de bombeiros walkie-talkies PMR446. Ao menos funcionam sem falhas mesmo quando as antenas do SIRESP deixam de conseguir "falar" entre si. Felizmente que ainda há veículos dos bombeiros com rádios analógicos... Por este andar, um dia assistimos a bombeiros a comunicar com a GNR através de... sinais de fumo.

segunda-feira, junho 19, 2017

18 de Junho de 2017: a rádio ao serviço de um país devastado por uma enorme tragédia...

18 de Junho de 2017. O  dia que não devia existir em Portugal. Desde a noite do dia 17 que as notícias vindas de Pedrógão Grande davam conta da dramática perda de vidas. Todavia, durante o dia 18, a comunicação social foi revelando a verdadeira dimensão da tragédia. À hora de publicação desta mensagem (madrugada do dia 19), estão contabilizadas 62 mortes, havendo igualmente 62 feridos. (*) Estes números podem, infelizmente, ser actualizados para pior, à medida que as autoridades avaliam o terreno.

No meio de tamanha catástrofe, o pior incêndio florestal do qual há memória em Portugal, a importância da rádio enquanto rainha da comunicação social torna-se evidente à medida que algumas populações ficam sem electricidade, ficam sinal de televisão, sem Internet, sem sinal das redes móveis e sem acesso a outros meios de comunicação. Enquanto se assiste à falha (e até destruição) de algumas infra-estruturas de comunicação, a rádio continua a emitir normalmente a partir do centro emissor do Trevim, no alto da Serra da Lousã, de Coimbra, de Montemor-o-Velho (no caso da Onda Média da Antena 1), ou de outros locais que coloquem sinal em Pedrógão Grande.

Neste domingo negro, a Antena 1, a Rádio Renascença, a TSF e até rádios locais como a Rádio Condestável (Sertã) não se cansaram de ir acompanhando a actualidade do teatro de operações. Nem mesmo durante a tarde desportiva de futebol da Taça das Confederações, os relatos do jogo Portugal vs. México ignoraram a realidade em Pedrógão Grande.

A rádio está presente nos bons e nos maus momentos. E o profissionalismo de quem, incansavelmente, não largava o microfone para descrever o cenário dantesco e chocante que via à frente dos olhos, merece ser reconhecido. A todos os jornalistas da rádio que fizeram (e continuam a fazer) os possíveis e os impossíveis para cobrir uma catástrofe implacável, dando a conhecer aos ouvintes as consequências de um fogo infernal, quero dizer: muito obrigado. Sem um jornalismo de qualidade, não seria fácil tomar conhecimento do que se está a passar em Pedrógão Grande e nos concelhos vizinhos por onde o fogo ainda passa, infelizmente. Esperemos que os soldados da paz, auxiliados por outros meios, consigam vencer rapidamente esta guerra... Que as 62 almas perdidas descansem em paz.

(*) Actualização às 18h do dia 19: 63 mortos e 135 feridos. De referir que, além da Rádio Condestável, pelo menos a Rádio Clube de Pombal (97,0) e a Rádio São Miguel (93,5 MHz Penela) têm estado a cobrir a tragédia. Seria interessante apurar se existem outras rádios locais a terem uma atitude louvável de prestar um grande e inestimável serviço público às populações afectadas pelo incêndio. De referir que, ainda ontem, o primeiro-ministro António Costa aludiu à importância da rádio para as populações que não têm acesso a outros meios.

Actualização às 23h do dia 19/06/2017: 64 vítimas mortais

P.S. Agora é que faltava uma "Rádio Triângulo" (até podia ter outro nome...) operacional e a prestar um verdadeiro serviço público local...

sábado, junho 17, 2017

Morreu o jornalista Joaquim Vieira

É mais uma daquelas tristes notícias que, passe o pleonasmo, têm de ser noticiadas. Faleceu o jornalista da Rádio Renascença, Joaquim Vieira, repórter do departamento desportivo da emissora católica portuguesa. Porventura o seu trabalho mais conhecido seja a cobertura de mais de 20 edições da Volta a Portugal em Bicicleta, em mais de 25 anos de "casa" na RR. Antes de ingressar na estação, chegou a trabalhar na TSF e em várias rádios locais do Porto.

À família enlutada, aos colegas e amigos, resta apresentar as minhas condolências. Que descanse em paz.

domingo, maio 21, 2017

Faleceu Gilberto Ferraz

Uma​ breve mensagem para mencionar a morte do jornalista português Gilberto Ferraz, que vivia em Londres desde 1965, tendo sido fundador e responsável pelo Departamento de Estudos de Audiência de Língua Portuguesa, que, entre outras funções, incluía a avaliação das reacções dos ouvintes do Serviço Mundial da BBC para o Brasil.

Gilberto Ferraz foi, igualmente, o primeiro não britânico a presidir à "Association of Broadcasting Staff", durante 4 anos. Mais tarde, foi, a partir de 1978, correspondente do "Jornal de Notícias"; colaboração que posteriormente se estendeu à rádio "TSF". Colaborou também, e pontualmente, para a RTP.

À família enlutada, aos amigos e antigos colegas, apresento as minhas condolências. Que descanse em paz.

sábado, maio 20, 2017

Grupo Renascença Multimédia renova parque de emissores no alto do Monsanto, em Lisboa

Segundo um comunicado recentemente disponibilizado no blogue oficial do Grupo Renascença Multimédia (RR, RFM, Mega Hits e Rádio Sim), a emissora católica portuguesa terá, há pouco tempo, instalado novos emissores em Lisboa, no Monsanto. A renovação dos emissores  no alto da serra lisboeta resultou na instalação de 3 novos emissores de 10 kW, que operam no sistema "N+1", em que, em condições normais, 2 estão em funcionamento, enquanto que o terceiro serve como reserva, sendo activado automaticamente em caso de falha de um dos outros emissores.

Os novos equipamentos, que podem ser controlados remotamente através de telemetria, prometem uma melhor eficiência energética (superior a 70%), permitindo uma redução de custos ao mesmo tempo que se melhora a qualidade da cobertura do sinal da RR e da RFM na Grande Lisboa, região da Estremadura, litoral alentejano e outras áreas dentro do perímetro de influência dos emissores de Lisboa.

"Radio Caroline" galha licença para emitir legalmente em Onda Média!

Quanto tempo pode uma estação esperar até conseguir ganhar, num concurso público, uma licença de rádio? No Reino Unido, 53 anos. Refiro-me à "Radio Caroline".

Para quem eventualmente nunca tenha ouvido falar desta mítica estação, a "Radio Caroline" arrancou clandestinamente em 1964, transmitindo em Onda Média a partir de um emissor instalado num barco (MV Mi Amigo). Numa era em que a oferta radiofónica no Reino Unido era limitada à BBC e a escassas estações privadas, a Radio Caroline consistia numa rádio rock orientada para os jovens da época, que não se reviam na escassa oferta de música rock na rádio pública britânica.

Não sendo uma rádio "pirata" (no sentido em que tecnicamente operava em águas territoriais internacionais, pelo que, por si só, as autoridades britânicas não tinham jurisdição para a silenciar), A estação teve de encerrar em 1968, quando o barco foi apreendido e levado para Amsterdão.

Depois de vários anos de peripécias (para quem domina o inglês, aconselho a leitura da história da estação), a "Radio Caroline" passou a emitir via satélite e, mais tarde, via Internet. Não obstante, a estação chegou a emitir pontualmente em FM ou em DAB, através de licenças temporárias da OFCOM (o equivalente da ANACOM e da ERC no Reino Unido).

Se a legalização era uma velha ambição da rádio, eis que. no mês de Maio de 2017, a Radio Caroline conseguiu uma licença da OFCOM, para operar em Onda Média. Ainda não se conhecem pormenores técnicos como a frequência ou a potência, todavia sabe-se que o emissor - que, fazendo jus à tradição, deverá operar a partir de um barco - servirá a região de Suffolk, bem como algumas zonas da região de North Essex. Sim, 53 depois, a Radio Caroline pode ter o privilégio de emitir de forma completamente regularizada, dentro das normas legais em vigor por terras de Sua Majestade.

Numa frase: uma excelente notícia para os ouvintes e para os entusiastas da rádio em Onda Média. A Onda Média está morta? Ainda não, felizmente!

domingo, maio 14, 2017

Portugal ganha Eurovisão! "Amar pelos dois"... amar por 11 milhões





Se um dia alguém 
Perguntar por mim 
Diz que vivi 
Para te amar 

Antes de ti 
Só existi 
Cansado e sem nada p’ra dar 

Meu bem 
Ouve as minhas preces 
Peço que regresses 
Que me voltes a querer 

Eu sei 
Que não se ama sozinho 
Talvez devagarinho 
Possas voltar a aprender 

Se o teu coração 
Não quiser ceder 
Não sentir paixão 
Não quiser sofrer 

Sem fazer planos 
Do que virá depois 
O meu coração 
Pode amar pelos dois 

Luísa Sobral


Não obstante tratar-se de um formato televisivo, jamais seria justo, para este blogue, ignorar o maior feito alguma vez alcançado pela música portuguesa: vencer o Festival Eurovisão da Canção.

Apesar de não ter cobertura por parte de nenhuma rádio portuguesa, o Festival em Kiev não passou ao lado dos espaços informativos das rádios, em especial da Antena 1.

Num Festival marcado pelo excesso de música pop comercial cantada maioritariamente em inglês, descaracterizando as culturas e as línguas que definem os países participantes, Portugal foi claramente a honrosa excepção, apresentando um tema entre o pop e o jazz, cantado na língua materna, com a originalidade da interpretação única do Salvador Sobral e, sobretudo, contagiando jurados e telespectadores. Diria que o discurso do cantor português depois da vitória foi a maior "bofetada" que Salvador Sobral podia dar a grande parte dos adversários: "Vivemos num mundo de música descartável, de música 'fast-food' sem qualquer conteúdo. Isto pode ser uma vitória da música, das pessoas que fazem música que de facto significa alguma coisa. A música não é fogo-de-artifício, é sentimento. Vamos tentar mudar isto. É altura de trazer a música de volta, que é o que verdadeiramente interessa",

Fez-se história na música portuguesa. O tema "Amar pelos dois" passa na rádio não só em Portugal, como na Islândia e até na Austrália. Não havendo estatísticas até ao momento sobre as rádios, menciono a realidade do "Spotify". Neste conhecido serviço de música por "streaming", a canção "Amar pelos dois" já chegou a número 1 do "top 50" em Portugal. E está no 11º lugar das 50 mais tocadas na Islândia. Mais um bom prenúncio: o tema escrito pela irmã Luísa para o Salvador já está no número 5 das 50 músicas virais no mundo.

Aos profissionais da rádio que se encontram a ler esta publicação, lanço o repto: passem o "Amar pelos dois" nas rádios, em comemoração da vitória do Salvador Sobral na Eurovisão. Vamos celebrar a música portuguesa! Viva Salvador Sobral! Viva Portugal!

13 de Maio de 2017: o dia em que a rádio em Portugal não descansa!

Fátima, futebol e festival (da Eurovisão). Três razões pelas quais o dia 13 de Maio de 2017 fica para a História de Portugal como o dia da coincidência de três grandes eventos que mobilizaram os portugueses. E a rádio não ficou de fora.

Desde a tarde do dia 12 que a Antena 1, a Rádio Renascença (incluindo a Rádio Sim) e a TSF, acompanharam em permanência a visita do Papa Francisco a Fátima. Como seria de esperar, o profissionalismo da emissora católica portuguesa foi irrepreensível, todavia a cobertura radiofónica feita pela Antena 1 e a TSF revelou-se muito boa.

Terminadas as cerimónias no Santuário de Fátima e o regresso do Sumo Pontífice ao Vaticano, as rádios viraram-se para a tarde desportiva,  O som da vitória do Sport Lisboa e Benfica frente ao Vitória de Guimarães entrou pelos microfones das três rádios, chegando a milhares de ouvintes. As celebrações do "tetra" não deram descanso aos jornalistas.

Se dois eventos de grande dimensão humana não bastavam, a cereja em cima do bolo tinha de vir de noite. Não obstante o Festival da Eurovisão ser um formato claramente televisivo, a rádio, em especial a Antena 1, não ficou indiferente à vitória do Salvador Sobral, tendo entrevistado telefonicamente o cantor.

Permitam-me que adapte um conhecido slogan de uma rádio: «tudo o que se passa, passa, passa nas rádios portuguesas ».

"MP3" foi oficialmente "descontinuado"!

"MP3". Melhor dizendo, MPEG-1/2 Audio Layer 3Um  formato informático que representou a "morte" da cassete analógica, o declínio do CD e, em menor escala, do Minidisc e de outras tecnologias. O formato que transformou o mercado físico da música no mercado virtual da Internet.

Não obstante, a tecnologia vive em constante mudança. A  "Fraunhofer Institute for Integrated Circuits", fundação alemã que desenvolveu o "MP3", decidiu abandonar o programa de licenciamento das patentes associadas ao formato. Na prática, para os consumidores e para as rádios, pouco deverá mudar. Todavia, para algumas entidades e situações, o "MP3" poderá deixar de ter a importância que tinha. A fundação Fraunhofer sugere, em alternativa ao "MP3" que se adopte o formato "AAC" (Advanced Audio Coding), que também foi desenvolvido pelo instituto. O meu conselho pessoal, para as rádios que emitem online apenas em "MP3", é que ponderem seriamente em migrar para o formato "AAC", porquanto muitos softwares e equipamentos de recepção de rádio online suportam o Advanced Audio Coding.

Com efeito, para aplicações onde a qualidade máxima possível de som não é um ponto fulcral, os formatos lossy, como o MP3, o AAC, o OGG, entre outros, oferecem uma qualidade muito razoável para uma ocupação de espaço de armazenamento de dados reduzido. Naturalmente que, se a qualidade de som é um factor indiscutível, a opção passa pelos formatos lossless, entre os quais se destaca o FLAC (Free Lossless Audio Codec), o WAV (Waveform Audio File Format), o ALAC (Apple Lossless Audio Codec), entre outros.

quinta-feira, maio 11, 2017

Luís Montez adquire Rádio Azul (98,9 MHz Setúbal)!

A ERC autorizou recentemente a aquisição da totalidade do capital social da empresa detentora do alvará da Rádio Azul (98,9 MHz Setúbal), pela empresa "Música no Coração- Sociedade Portuguesa de Entretenimento, Sociedade Unipessoal, Lda. ", detida a 100% por Luís Montez. Resumindo, confirma-se que o engenheiro Luís Montez se encontra em vias de adquirir a Rádio Azul, de Setúbal, que se junta às rádios Amália, Marginal, Meo Music, SBSR, Rádio Festival e Rádio Nova Era, detidas na maioria ou na totalidade pelo empresário. De referir que Luís Montez também tem participações minoritárias nos capitais sociais da Rádio Nova e da TSF.

O dono da "Música no Coração", que se encontra em processo de partilha das rádios do Grupo Luso Canal (detido pelos sócios Luís Montez e Álvaro Covões), ficando o proprietário do Meo Arena com a Rádio Marginal, enquanto que o director da "Everything is New" fica com as rádios "Radar" e "Oxigénio", declarou à ERC que vai manter o projecto aprovado para a Rádio Azul, não se sabendo, para já, o que pode mudar na estação setubalense.

ERC revoga o alvará da Rádio Batalha

A Entidade Reguladora para a comunicação social (ERC) deliberou, há escassos dias, a revogação do alvará da Rádio Batalha (104,8 MHz, atribuídos ao concelho da Batalha), que encerrou a actividade em meados de 2014.

Com efeito, operador radiofónico em causa entrou em processo de insolvência no mês de Agosto de 2014, tendo sido obrigado a fechar a rádio; numa inspecção recentemente feita pela ERC no terreno, para avaliar a situação do operador, a entidade reguladora constatou que os estúdios já foram vendidos, estando diversos equipamentos à guarda de uma empresa de leilões, responsável pela alienação dos bens da emissora.

quinta-feira, maio 04, 2017

Kiss FM Lisboa cede o "lugar" à Rádio Positiva

A ERC aprovou recentemente a mudança do projecto aprovado para a frequência local dos 95,0 MHz Oeiras, que, tendo-se desvinculado da rede "Kiss FM" (que volta a ser transmitida apenas no Algarve), abandona a designação "Kiss FM Lisboa", para utilizar a marca "Rádio Positiva". A nova estação troca a música de dança pela música religiosa. Disse bem: a Rádio Positiva, que é detida indirectamente pela Igreja Universal do Reino de Deus, promete ser a primeira rádio em Portugal especialmente dedicada à música religiosa.

A Rádio Positiva já tem uma página online, que se limita a pouco mais que o logótipo e a emissão online, acessível através do endereço: www.radiopositiva.pt .

sexta-feira, abril 21, 2017

RTP procede à revisão e melhoramento da rede de emissores VHF-FM da Antena 1, Antena 2 e Antena 3





Conforme se constata na reportagem do programa da RTP1 "Portugal em Direto" do dia 20 de Abril, a RTP encontra-se a proceder à "reconversão" (a palavra é do operador público) dos emissores FM da rádio pública, nomeadamente da Antena 1, Antena 2 e Antena 3.

Se a reportagem por si só já é interessante para quem se interessa por questões técnicas, parece que vai haver em breve uma novidade muito agradável para os madeirenses que escutam a Antena 2: a rádio pública prepara-se para colocar em funcionamento uma frequência da Antena 2 a sair do Pico do Areeiro, reforçando o sinal da estação clássica na ilha da Madeira. Note-se que alguns dos emissores na ilha servem apenas a Antena 1 Madeira e a Antena 3 Madeira, pelo que a Antena 2 sai prejudicada no que diz respeito à qualidade de recepção.

sábado, abril 08, 2017

Rádio Renascença celebra 80 anos de vida com uma emissão especial, em simultâneo com a RFM, Rádio Sim e Mega Hits!

A Rádio Renascença celebra o seu 80º aniversário com uma emissão especial na próxima segunda-feira, dia 10, que, pela primeira vez na história do Grupo Renascença, será transmitida nas quatro rádios do grupo. Disse bem: a emissão comemorativa será transmitida em simultâneo na Rádio Renascença, RFM, Mega Hits e Rádio Sim, a partir das 8h17 do dia 10 de Abril, atingindo um auditório potencial de mais de 4 milhões de ouvintes.

Depois da emissão simultânea, a programação da RR continua com uma entrevista ao mítico António Sala, a partit das 10h. Às 12 horas, haverá lugar a uma Missa de Acção de Graças, transmitida a partir da capela de S. Francisco de Sales, na Quinta do Bom Pastor, que, como sabemos, é a própria "casa" da emissora católica portuguesa. A emissão especial do dia termina com uma entrevista concedida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Clemente, a partir das 17 horas.

terça-feira, março 14, 2017

Locutora da Paivense FM agredida no estúdio!

Se existem situações que devem ser mencionadas, para não dizer denunciadas, no blogue, estas seguramente incluem comportamentos totalmente inaceitáveis não apenas por se tratar do posto de trabalho de uma profissional da rádio, como igualmente por consistir numa atitude condenável perante a sociedade contemporânea em que nos incluímos.

Segundo a edição de hoje do "Jornal de Notícias", citada pelo profissional da rádio Jorge Guimarães Silva na rede social "Facebook", uma locutora da Paivense FM (rádio local do concelho de Castelo de Paiva) garante ter sido sujeita a agressão por parte de um colega, quando esta estaria a gravar um programa numa hora em que apenas os dois se encontravam nas instalações da emissora e se terá dirigido ao visado no intuito de solicitar que este cessasse o barulho decorrente do arrasto de cadeiras e bater de portas. Alegadamente, o colega terá reagido fisicamente e no imediato de forma violenta, tendo a profissional em causa recebido posteriormente assistência hospitalar.

Perante uma situação com estes contornos, e não nos cabendo desempenhar o papel de magistrado, em circunstância alguma, e, por maioria da razão no sector da comunicação social onde todo e qualquer profissional deveria dar exemplos de comportamentos que beneficiem a sociedade, resolver qualquer problema recorrendo à violência física não só não resolve nenhum problema, como também não é nem pode ser considerado razoável em pleno século XXI. Numa qualquer rádio, tenha 1 ou 1 milhão de ouvintes, nenhum profissional deveria dar-se ao luxo de desprestigiar o meio através de atitudes trogloditas contra um ou uma colega. A rádio deve constituir um exemplo de seriedade e respeito pelas regras da sociedade a seguir por quem a ouve - e isto também se deve reflectir na postura adoptada quando o microfone está desligado. Independentemente do desenvolvimento do caso, que provavelmente passará pela via judicial, este episódio deve constituir um pretexto de reflexão por parte de cada profissional do sector da radiodifusão, no sentido de reforçar a linha vermelha na fronteira entre o admissível e o moral e legalmente inaceitável dentro de um estúdio de rádio. De qualquer modo, não deixo de desejar as melhoras à profissional envolvida, esperando o seu rápido restabelecimento.

quarta-feira, março 01, 2017

"Hip Hop Radio": uma nova rádio online portuguesa

Porque importa sempre destacar o surgimento de novos projectos de webrádios diferenciadoras da oferta hertziana, eis que foi ontem lançada a "Hip Hop Radio", uma rádio portuguesa dedicada à produção nacional de música "Hip Hop".

Tratando-se de uma rádio certificada pela ERC, a Hip Hop Radio promete também a presença de animação em "antena" diariamente entre as 09h00 e as 23h30. A estação pode ser escutada a partir do sítio hiphopradio.pt .