terça-feira, março 06, 2018

RTP (Rádio e Televisão de Portugal)... ou TP (Televisão de Portugal)?

Como diz o povo, há que chamar os bois pelos nomes.

A rádio pública, a tal que, ao contrário dos operadores privados, é exclusivamente financiada pelo Estado e pela contribuição audiovisual (que, em 2018, se estima chegar aos 186.2 milhões de euros) não se ouve adequadamente na capital do país, em Lisboa, por causa de um problema técnico (destruição da torre na Serra do Monsanto) que pode ser mitigado por uns meros 150000 € (0,08%, disse bem: zero vírgula zero oito por cento da CAV)... e, volvidos 3 meses, os técnicos, que fazem o que podem com os parcos recursos disponíveis, continuam à espera que a administração da empresa desbloqueie a verba.
A mesmíssima RTP que "matou" a Onda Curta da RDP Internacional, que vai "matando" a Onda Média, que desligou os emissores DAB, que aliena o centro emissor de Miramar (Vila Nova de Gaia) e que pretende vender o CEOC- S. Gabriel (Canha - concelho do Montijo)... nem sequer se digna a garantir o funcionamento da rede de emissores FM das estações de serviço público!
Não há dinheiro disponível? É preciso tanta burocracia para o departamento de engenharia conseguir os fundos de que precisa para cumprir a sua função? Para se pagar os direitos de transmissão do futebol na televisão pública é preciso tanta burocracia? Para se pagar 7500€ por mês ao José Carlos Malato (ainda que a RTP- televisão seja também financiada por publicidade comercial), será necessário esperar tanto tempo pela luz verde da administração da casa? Para se pagar 15000€ por mês ao Fernando Mendes e à Catarina Furtado, haverá que colocar tantos constrangimentos? Para se pagar certas mordomias, os gestores financeiros levam também meses a decidir? 
Mas afinal, e voltando ao princípio do texto, a empresa chama-se "Rádio e Televisão de Portugal" ou chama-se simplesmente "Televisão de Portugal"? A rádio pública é o parente pobre da televisão? A rádio funciona sem a intervenção dos técnicos que asseguram o bom funcionamento dos emissores? Ou vai-se reduzindo de forma ridícula as condições técnicas da RTP-rádio ao ponto de se achar que nem sequer vale a pena investir a sério no FM? Depois da Onda Curta, da Onda Média, desinveste-se no FM... e a seguir vem o quê? Desinvestir no satélite e na Internet? E, finalmente, desinvestimento por desinvestimento, sem OC, sem OM, sem FM, sem DAB, porventura sem satélite e Internet, o que se faz a seguir? Fecha-se a rádio pública?
Que diria um português se chegasse a Paris e constatasse que a France Inter se escutava há 3 meses de forma medíocre na capital francesa? Que diria um responsável da RTP que fosse a um subúrbio de Londres e verificasse que a cobertura FM da BBC Radio 2 era deficiente? Será tão complicado facilitar os meios económicos para a aquisição de uma torre e um conjunto de antenas? Ou esgotaram o orçamento na organização do Festival da Eurovisão?

Já agora, e vindo em talho de foice, porque não encontrar uma solução para a (não) recepção satisfatória das três Antenas da RTP na região raiana do Baixo Alentejo, entre Barrancos e Mourão, passando por localidades como Vila Verde de Ficalho ou Sobral da Adiça? Ou quem vive no Alentejo profundo não tem o mesmo direito a ouvir as rádios ou públicas (pagas através da CAV) que os habitantes do Porto, de Coimbra ou de Faro? Que tal conceder à direcção técnica da rádio uma verba para a instalação de um emissor que solucione esta situação? Ou ninguém terá na sede da RTP um mapa de Portugal para concluir que o que está a leste de Beja não é um necessariamente deserto inserido no território espanhol, havendo várias localidades do nosso Portugal esquecidas pela rádio pública?

Afinal, a julgar pelos avultados investimentos nas redes de emissores da Antena 1, da Antena 2 e da Antena 3, efectuados nos últimos tempos, os lisboetas não têm direito a escutar condignamente as rádios públicas. Ironia à parte, os alentejanos da raia não têm direito a escutar as três Antenas. Outras situações haverá, de Norte a Sul do continente e passando pelas ilhas da Madeira e dos Açores, onde a obrigação de cobertura nacional da rádio pública não se encontra, claramente, a ser cumprida. Não seria altura de se ver, ainda em 2018, a nova administração da RTP aprovar um plano de manutenção e renovação, a curto e médio prazo, do parque de emissores das rádios? Ou as recomendações do Conselho Geral Independente da RTP caem em saco roto? Para a RTP, há ouvintes de primeira e ouvintes de segunda (excepto na hora de pagar a Contribuição Audiovisual), conforme a região do país onde vivem? Espero bem que não, mas...

Por último, senhores administradores da RTP, por que não aceitar o desafio de atribuir 1% da CAV directamente à direcção de engenharia da rádio? O dinheiro não chega para o marisco? Almoça-se carapau, de modo a haver meios para pagar as contas do mês.

segunda-feira, março 05, 2018

Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim) vandalizada por causa do futebol(!)

Há atitudes petulantes, protervas, indecentes, atrozes, pungentes... para não esgotar os adjectivos adequados, existentes na língua portuguesa. Segundo o "Jornal de Notícias", um grupo de flibusteiros acéfalos, para não dizer simplesmente "idiotas", ter-se-á dirigido às instalações da Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim), no intuito de vandalizar o edifício, com inscrições relativas ao futebol. Tudo por causa da decisão tomada pela rádio, no sentido de voltar a transmitir os relatos do Rio Ave FC.

Que o futebol move paixões, já sabemos. Não obstante, levar as guerras clubísticas ao ponto da violência exercida contra os meios de comunicação social, em nome de um fanatismo vazio de razão, jamais contribuirá para a defesa do verdadeiro espírito do desporto; saber respeitar os adversários é um exercício racional de cidadania e de inteligência. Estas provocações lamentáveis devem servir de incentivo às rádios para fazerem mais e melhor em prol do verdadeiro desporto, doa a quem doer, incomode quem tiverem de incomodar. Há quem não goste? Paciência. Se determinados espécimes animais Homo sapiens  adultos não se sabem integrar numa sociedade civilizada, tais criaturas deviam simplesmente ser proibidas de entrar num estádio de futebol, quanto mais aproximar-se de um estúdio de rádio.

Lisboa: torre da RTP (rádio) no Monsanto colapsa!

A RTP "viu", há uns meses (em Dezembro de 2017), a torre da rádio pública na Serra do Monsanto, em Lisboa, não resistir ao mau tempo, tendo esta sofrido danos consideráveis.

Perante tal imprevisto, as emissões FM dos canais do serviço público de rádio (Antena 1- 95,7 MHz, Antena 2 - 94,4 MHz, Antena 3 - 100,3 MHz e RDP África - 101,5 MHz) estão, para já, a ser asseguradas provisoriamente a partir da torre da Rádio Renascença, ainda que os emissores das quatro frequências estejam a operar com potência reduzida (apenas 2 kW).

Tratando-se "apenas" do emissor mais importante da Grande Lisboa e da região Sul (margem Sul do Tejo, além de toda a região da Estremadura,e, inclusivamente, algumas zonas do Ribatejo), esta situação resulta numa grave perda da integridade da rede de emissores da RTP-rádio, tanto mais que boa parte dos concelhos com maior população em Portugal vê-se agora com dificuldade para sintonizar de forma adequada as rádios públicas.

O último programa "Em Nome do Ouvinte", do dia 2 de Março, revela-se deveras esclarecedor: segundo o departamento de engenharia da rádio pública, a instalação de uma torre nova, incluindo elementos radiantes novos, custa 150000€ (0.08 % da contribuição audiovisual). Na conversa com o Provedor do Ouvinte, a Engenheira Ana Cristina Falâncio revela que a direcção técnica da emissora espera por uma resposta da administração da RTP, no sentido de libertar tal verba. Entretanto, a torre da Marinha portuguesa, utilizada pela Rádio Renascença, "carrega" 4 elementos radiantes apontados a Norte (para evitar interacções com os sinais das emissões do grupo RR), prejudicando a cobertura a Sul.

Tendo em conta a prática na RTP, que continua com a política de obrigar os técnicos a fazer os possíveis e os impossíveis para irem resolvendo os problemas com os escassos recursos que dispõem, a máquina bur(r)ocrática da gestão financeira do serviço público impede que, um problema grave que prejudica consideravelmente a recepção das rádios públicas através dos receptores dos ouvintes, seja resolvido de forma tão célere quanto possível. Afinal, falamos da maior concentração populacional do país que se vê parcialmente amputada do serviço público de rádio, não há uma semana, não há um mês, mas há 3 meses!

Face a este cenário - e enquanto a situação não for devidamente resolvida - resta aconselhar os ouvintes localizados na área de influência dos emissores no Monsanto que perderam qualidade de sinal, o recurso a frequências alternativas, quando disponíveis. Neste sentido, os ouvintes situados na zona ribeirinha da cidade de Lisboa, na zona Oeste da Capital, no concelho de Almada e nalgumas zonas dos concelhos de Oeiras e Cascais, poderão sintonizar a Antena 1, a Antena 2 e a Antena 3 através do emissor da Banática, nas frequências 99,4; 88,9 e 100,0 MHz, respectivamente. Por outro lado, os ouvintes em Sintra podem optar pelo emissor de Janas. Quanto à cidade de Lisboa e parte significativa da região a Norte de Lisboa, uma boa alternativa de escuta será a sintonia das frequências do Montejunto (Antena 1 - 98,3 MHz, Antena 2 - 88,7 e Antena 3 - 105,2 MHz). A Sul de Lisboa, é possível, em várias zonas, sintonizar em boas condições os emissores de Grândola (Antena 1 - 99,2 MHz, Antena 2 - 90,6 MHz e Antena 3 - 103,6 MHz). Em certas zonas, é possível sintonizar outros emissores em condições aceitáveis (Fóia [Serra de Monchique], Lousã etc.), pelo que, à falta de melhor solução, constituem alternativas a considerar. De recordar que uma possibilidade de escuta da Antena 1 em grande parte da Estremadura, Ribatejo e litoral alentejano é a sintonia em Onda Média (666 kHz Castanheira do Ribatejo). Esperemos (nós, contribuintes que pagamos, através da factura de electricidade, a contribuição audiovisual ) que a nova administração da RTP tenha o decoro de desbloquear rapidamente esta lamentável situação. Estamos a falar claramente de uma emergência técnica de, repito, 150000€, uma ninharia em comparação com outros custos na empresa.

terça-feira, fevereiro 27, 2018

TSF comemora 30 anos de vida

A TSF celebra 30 anos de emissões regulares. Tendo "nascido" no dia 29 de Fevereiro de 1988 e uma vez que o ano de 2018 não é bissexto, a estação realizará emissões especiais amanhã (dia 28 de Fevereiro) e na próxima quinta-feira (dia 1 de Março), ao vivo entre as 8 e as 23h, a partir do Terreiro do Paço, em Lisboa e da estação de Metro da Trindade, no Porto, respectivamente.

Sem dúvida, uma excelente iniciativa para aproximar a rádio aos ouvintes, numa altura em que, mais do apenas comemorar o aniversário da TSF, deve-se comemorar o aniversário de uma rádio jornal que mudou o panorama radiofónico e jornalístico em Portugal.

terça-feira, fevereiro 13, 2018

Dia Mundial da Rádio

Um dos meus primeiros "companheiros" desta constante viagem pelo mundo da rádio


Em pleno Dia Mundial da Rádio, sinto-me compelido  a lançar  uma questão: onde está a rádio? A resposta, quiçá um pouco inesperada, será, a meu ver, que a rádio está em casa, no carro, no escritório, na fábrica, na rua, no estádio de futebol, no comboio, no autocarro, até no metropolitano, no avião, para nem falar locais menos agradáveis como o hospital ou a prisão. Com efeito, a rádio está em todo o lado, assim haja um ouvinte interessado em ouvi-la e tenha um meio tecnológico (receptor, telefone etc.) para o fazer.

Atrever-me-ia a afirmar que o maior trunfo da rádio sobre os restantes meios de comunicação social, de informação e entretenimento, não será somente facilidade de acesso, mas também a inegável vantagem de se concentrar num único sentido, o da audição. A trabalhar, a estudar ou a viajar, é  possível ter o som da rádio a acompanhar-nos enquanto estamos ocupados com alguma tarefa. Esta flexibilidade contribui para o sucesso da rádio perante o advento de outros meios, como a televisão ou a Internet, que poderiam ameaçar o futuro da rádio. Em vez disso, a rádio soube adaptar-se a novos paradigmas de comunicação, mantendo a sua inconfundível "magia", que atrai milhões de ouvintes em todo o mundo.

Não podemos ignorar que o perfil de consumo das emissões radiofónicas mudou ao longo dos anos. As novas tecnologias influenciam a forma como se ouve rádio e se acede aos conteúdos oferecidos pelas estações de rádio; a emergência da Internet veio quebrar as barreiras geográficas que limitavam o alcance de uma emissão de rádio a uma região, a um país ou até a outros países. A massificação do "online" permite a uma rádio local algarvia ou transmontana fazer-se ouvir em Paris ou Toronto. Nunca, na História da humanidade, foi tão fácil como hoje escolher entre, literalmente, milhares de rádios oriundas dos 4 cantos do mundo e ouvir num aparelho que cabe no bolso. Estou convicto que o grande desafio das emissoras será a produção de conteúdos inovadores que se destaquem entre as inúmeras alternativas, incluindo os serviços de música via "streaming", como o "Spotify" ou a "Apple Music". O "podcasting" é uma ferramenta extremamente útil para aproximar os ouvintes da "sua" rádio, permitindo-lhes ouvir os seus programas favoritos onde e quando quiserem. As webrádios podem oferecer conteúdos diferentes dos transmitidos pelas rádios hertzianas. O que não falta, em 2018, são meios  para aproveitar o melhor da Internet a favor da rádio.

Inobstante as considerações anteriores e a título pessoal, eu acredito que a rádio hertziana vai conviver com a rádio "online" por muito tempo. Se a Internet ainda não é um direito universal, não é menos verdade que se trata de um serviço pago, ao qual acresce o custo do equipamento informático para o acesso à rede global (computador, smartphone, tablet etc.). Além disso, a Internet depende de uma complexa infra-estrutura que tem vulnerabilidades que comprometem o seu funcionamento, mormente em situações de catástrofe. A contrastar com estas contingências, um pequeno receptor de rádio hoje pode ser ridiculamente barato e, inclusivamente, pode nem precisar da rede eléctrica ou de pilhas, porquanto tem uma bateria que pode ser carregada por uma pequena manivela (dínamo) ou até por energia solar. As tragédias ocorridas em Portugal no ano passado (2017) demonstraram claramente a importância das emissões FM quando não havia corrente eléctrica, as redes móveis estavam inoperacionais, a televisão não tinha sinal e a Internet fixa também não funcionava. Até a continuação do FM pode ser colocado em causa, como ocorre na Noruega, todavia a rádio hertziana, analógica ou digital (DAB, satélite etc.), apresenta uma versatilidade inigualável, incluindo o acesso gratuito.

Para terminar, é minha convicção que a rádio, no sentido mais genérico da palavra, pode ter futuro, assim saiba arriscar e moldar-se aos interesses e ambições das gerações mais novas. Porque, como dizia Antoine de Saint-Exupéry, "o essencial é invisível aos olhos".

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Faleceu o jornalista Pedro David

O jornalista  Pedro David, que fazia as madrugadas da TSF, faleceu esta segunda-feira, vítima de cancro. Tendo iniciado a carreira profissional na Rádio Renascença, passou mais tarde pela MCR, onde durante 10 anos editou os noticiários da Rádio Comercial, M80,Cidade FM, Rádio Clube Português. Nos últimos anos, acumulava a actividade profissional na TSF com a de locutor de continuidade na TVI.

À família enlutada e aos amigos do Pedro David, apresento as minhas condolências. Que descanse em paz.

quarta-feira, janeiro 31, 2018

SIRESP: depois de casa ardida, antenas novas!

Se a cultura popular diz que depois de casa arrombada, trancas à porta, o provérbio devia ser adaptado para o caso do SIRESP: depois de casa ardida, antenas novas.

Depois das tragédias fatídicas do Verão e Outono do ano passado, alturas em que o SIRESP falhou enquanto grande parte do país ardia, parece que alguém percebeu finalmente o conceito de redundância da rede. O SIRESP prepara-se para instalar 451 antenas até Maio. Este investimento  visa reforçar o sinal nas regiões com risco considerável de incêndio.

Quem acompanha o meu trabalho neste blogue e no site "Mundo da Rádio" sabe que não é a primeira vez que aponto as vulnerabilidades do sistema SIRESP. Parece que a classe política só acordou para os problemas de concepção e implementação do SIRESP depois de lerem os relatórios que "puseram a nu" o que os técnicos e os utilizadores da rede receavam há anos.. Infelizmente, para os mais de 100 mortos, o reforço de sinal do SIRESP vem tarde demais.

AVFM (Ovar) vai mudar de frequência, dos 98,7 para os 98,6 MHz

É já amanhã, no dia 1 de Fevereiro, que a "AVFM", estação local do concelho de Ovar (no Distrito de Aveiro) vai alterar a sua frequência de emissão, dos actuais 98,7 para os 98,6 MHz.

Esta alteração, feita, para já, a título experimental com o aval da ANACOM, visa a minimização das interferências dos sinais de outros emissores (Antena 1 - emissor na Maunça e R. Voz do Neiva (Vila Verde), ambos também a operar nos 98,7) na AVFM, que prejudicam a cobertura da rádio inclusivamente dentro do perímetro do concelho de Ovar.

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Bélgica: RTBF decreta o fim das emissões na Onda Média para o final deste ano

Mais uma triste notícia para a Onda Média. A Radio-Télévision belge de la Communauté française (RTBF), operador público da Bélgica francófona, vai encerrar, no final do corrente ano de 2018,  as emissões OM, substituindo-as pela rádio digital DAB+.

De referir que, na OM, a RTBF opera os canais de rádio "RTBF Internacional" (621 kHz) e o "Vivacité" (1125 kHz).

Nuno Artur Santos sai da administração da RTP

Não tenho por prática comentar mudanças nas administrações dos operadores radiofónicos (e, neste caso, televisivo), todavia, neste caso, por se tratar da RTP, prestador do serviço público de rádio e televisão, abro uma excepção.

O administrador da RTP com o pelouro dos conteúdos, Nuno Artur Silva, vai abandonar o cargo. Tal situação não seria uma notícia muito relevante, não fosse a ligação do visado à empresa "Produções Fictícias", detentora do canal de televisão "Q". Não bastasse esta relação, acrescente-se a compra, por parte da RTP (há uns anos), de várias séries realizadas pelas PF.

Sendo evidente o conflito de interesses resultante da manutenção, na RTP, de um administrador com fortes ligações a uma produtora (participação económica), que por sinal tem um canal de televisão disponível nos operadores de TV paga, vejo, a título pessoal, a saída do Nuno Silva como uma inevitabilidade. Os cidadãos contribuintes e consumidores de electricidade exigem que uma empresa estatal como a RTP tenha, na sua administração e demais órgãos, pessoas isentas da mínima suspeita derivada da sua relação com empresas com as quais a RTP tenha (ou teve) relações comerciais. Como cidadão, ouvinte de rádio e, por vezes, telespectador, espero que a sucessão no quadro administrativo da RTP decorra sem problemas e com as pessoas certas (sem uma réstia de suspeição) no lugar certo, assegurando uma boa gestão da empresa durante os próximos anos.

sábado, janeiro 13, 2018

Angola: Rádio Ecclesia com cobertura nacional?

Porque o mundo da rádio na língua portuguesa não se limita a Portugal e ao Brasil, parece que a Rádio Ecclesia, emissora católica angolana congénere da Rádio Renascença, tem boas notícias: a esração, que em tempos idos chegou a emitir na Onda Curta, poderá, finalmente, ser autorizada a estender o seu sinal a todo o território angolano, uma velha pretensão da Igreja que até agora foi recusada ou adiada pelo anterior executivo liderado por  José Eduardo dos Santos.

De recordar que a Rádio Ecclesia só tem direito a uma frequência VHF-FM, nos 97,5 MHz, servindo a região de Luanda. Aparentemente, a nova presidência, na pessoa de João Lourenço, continua a confrontar os poderes instalados no país e o nepotismo em sectores vitais do país, incluindo a comunicação social. Esperemos para ver...

domingo, dezembro 31, 2017

Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim) e Rádio Linear (Vila do Conde) mudam de mãos

Duas rádios locais no Norte do país estão em vias de ser vendidas. A Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim), cuja tentativa infrutífera de alteração da frequência foi recentemente noticiada, estará em processo de transferência de 5000 acções a 10€ cada, a favor do Jornal Póvoa Semanário. Ao que se sabe, a ERC e a ANACOM ainda não se terão pronunciado a respeito desta alienação.

Também a Rádio Linear (104,6 MHz Vila do Conde) está em processo de venda, tendo a ANACOM aprovado a transmissão do direito de utilização da frequência a favor da empresa "M90 - Radiodifusão, Lda".

terça-feira, dezembro 26, 2017

Rádio São Miguel (Penela) testa nova frequência: 93,4 MHz

A Rádio São Miguel (93,5 MHz Penela, no distrito de Coimbra, embora com estúdios em Castanheira de Pera) alterou, a título experimental, a frequência de emissão para os 93,4 MHz.

Crê-se que tal mudança terá como objectivo a minimização das interferências provocadas pela Rádio Cultura de Seia (93,6 MHz) e, eventualmente, por outros emissores.

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domingo, dezembro 17, 2017

Rádio Riba Távora (Moimenta da Beira) com nova microcobertura (100,4 MHz)

A Rádio Riba Távora (Moimenta da Beira, no distrito de Viseu) terá, segundo a base de dados da ANACOM, recentemente actualizada, instado um novo emissor de microcobertura, nos 100,4 MHz, com a P.A.R. máxima autorizada de 50W.

Assim, a estação passa a operar em três frequências: o emissor principal, nos 90,5 MHz (1 kW) e duas microcoberturas; a primeira, nos 100,8 (em Sanfins (Moimenta da Beira)) e a nova nos 100,4 MHz (ambas com 50W). Desconhece-se , para já, a localização do novo emissor.

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Tudo o que se passou nos incêndios de 2017, passa na TSF

Porque há iniciativas das rádios que claramente merecem a pena ser destacadas pelo verdadeiro espírito de serviço público, importa mencionar a emissão especial que a TSF está, à hora a que escrevo este artigo, a realizar (durante esta sexta-feira, dia 15 de Dezembro, até às 0h00 do dia 16), dedicada aos incêndios florestais fatídicos que assolaram, no corrente ano, as regiões Norte e Centro do país.

Sem a menor dúvida, um bom exemplo de como uma rádio de informação pode aliar-se a grandes causas, no sentido de informar os ouvintes e fazê-los reflectir a respeito de como as coisas aconteceram, mas, sobretudo, o que pode e deve ser feito para evitar situações futuras. Sendo certo que as rádios da RTP têm obrigações de serviço público, não é menos verdade que há, nos operadores privados, quem também eleve o jornalismo, no sentido de abordar temas importantes para a sociedade, mesmo quando se torna fundamental o tratamento jornalístico delicado das situações cobertas pelas reportagens (saber respeitar mais de uma centenas de mortos e inúmeros feridos).

quinta-feira, novembro 30, 2017

Faleceu o Zé Pedro, dos "Xutos e Pontapés"





Hoje é um dia muito triste para a música portuguesa. Zé Pedro, guitarrista dos "Xutos e Pontapés" faleceu hoje e a rádio não podia ficar indiferente. Tanto mais que o Zé Pedro colaborou com várias estações de rádio, incluindo a então RDP- Rádio Comercial (onde colaborou com o mítico António Sérgio, que, aliás, foi o produtor do primeiro álbum dos Xutos). Colaborou também na realização de programas na Antena 3, entre outros projectos.

Assim que a notícia chegou à comunicação social, as rádios reagiram, efectuando emissões especiais. A Antena 3 realizou um programa especial improvisado, com a intervenção (por via telefónica) de várias individualidades ligadas à vida pessoal e/ou à carreira do músico. A Rádio Comercial também realizou uma emissão especial de homenagem ao Zé Pedro. Aliás, à hora a que escrevo, a Comercial tem estado a passar músicas dos Xutos.

A notícia também não foi escamoteada pela RR ou pela RFM, que passaram algumas músicas da banda...mesmo que, ao longo da vida de uma das maiores, se não a maior, banda rock portuguesa de sempre, a emissora católica portuguesa tenha censurado, por razões óbvias, alguns temas dos Xutos e Pontapés. A M80 também tem também passado alguns temas da banda.



De uma coisa não há dúvida: a rádio está sempre presente para o bem e para o mal. Para dar as boas notícias mas também para digerir as piores notícias. Que o grande Zé Pedro descanse em paz.

Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim) muda de frequência - parte II : o regresso aos 96,1 MHz

Tal e qual como o título sugere: a Rádio Onda Viva regressou, finalmente, aos 96,1 MHz. Parece que, felizmente, alguém percebeu a tempo o monumental disparate que a rádio estava a fazer ao emitir numa frequência (107,5) bastante pressionada não por um, mas por dois emissores da TSF (107,4 Lousã e 107,6 MHz Marão).

sexta-feira, novembro 24, 2017

Morreu o jornalista Pedro Rolo Duarte

Mais uma grande perda para a rádio em Portugal. O jornalista Pedro Rolo Duarte faleceu na manhã desta sexta-feira, vítima de cancro, aos 53 anos.

Tendo passado também pela imprensa escrita e pela televisão, Pedro Rolo Duarte trabalhou na Rádio Renascença e na Rádio Comercial. Nos últimos anos, realizava, na Antena 1, conjuntamente com o jornalista João Gobern, o programa "Hotel Babilónia".

A não perder, amanhã de manhã, entre as 10 e as 12 horas, na Antena 1, a reposição do "Hotel Babilónia". Também vale a pena marcar no calendário o dia 2 de Dezembro, altura em que será transmitido o último programa, especial, feito pelo João Gobern, de homenagem ao excelente trabalho do Pedro Rolo Duarte. Que descanse em paz.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim) muda de frequência para os 107,5 MHz

Há decisões no seio das rádios que se revelam logo absurdas  e incompreensíveis. É o caso da Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim), que decidiu, certamente com o consentimento da ANACOM, mudar de frequência, dos 96,1 para os 107,5 MHz.

O leitor mais incauto que não conheça ou mal conheça o Norte pode ser levado a pensar que tal mudança poderia fazer sentido... não fossem dois pormenores... perdão, dois pormaiores: na frequência adjacente imediatamente abaixo, nos 107,4 MHz, tem-se um poderosíssimo emissor da TSF, a irradiar do alto da Serra da Lousã (Trevim), cujo sinal é audível em boa parte da região; como se não bastasse, na outra frequência adjacente, nos 107,6 MHz, a TSF tem também um peso-pesado, nomeadamente o emissor da Serra do Marão.

Resumindo e concluindo: a TSF nos 107,4 é escutável no Porto e em parte considerável do Norte; de igual modo, a estação informativa é audível em várias zonas da região, através do emissor do Marão (107,6 MHz). E, desde a manhã de hoje, a Rádio Onda Viva emite nos 107,5. O resultado? Basta consultar a página da emissora na rede social "Facebook" para constatar que há ouvintes a reclamar porque a rádio poveira é agora interferida pela TSF em sítios diversos como Esmoriz (concelho de Ovar) e Matosinhos. E o vídeo partilhado pelo utilizador do "Fórum da Rádio", Abílio Maia, fala por si, quanto às condições de recepção no concelho de Vila Nova de Gaia. Só há duas explicações razoáveis para tal opção: ou um tamanho dislate de quem não conhece a realidade no terreno como deveria conhecer, ou há a clara intenção de sacrificar a Rádio Onda Viva em prol de outra estação, que pretende melhorar a cobertura migrando para os 96,1 MHz. Em qualquer caso, e se me é permitida a expressão e dado que tal operação terá o aval da ANACOM, uma geringonça radiofónica "anacómica".

quarta-feira, novembro 08, 2017

Luís Montez vende participação na Global Media

O conhecido empresário Luís Montez vendeu a sua participação no capital social da Global Media, empresa proprietária da TSF e de outros meios de comunicação (nomeadamente os jornais "Diário de Notícias", "Jornal de Notícias", entre outros activos.

Deste modo,  o proprietário da Altice Arena e de umas tantas rádios, deixa de contar com os 15% de quota na dona da TSF, que passam para as mãos do empresário José Pedro Soeiro, que também adquiriu os 27,5% do empresário angolano António Mosquito.