Não, não é clickbait - aconteceu mesmo. Pela primeira vez, ao que se sabe, uma rádio que emite em FM no Brasil foi captada em Portugal, concretamente no Algarve. O segredo? A frequência invulgarmente baixa: a Rádio Cultura, da cidade de São Paulo, emite nos 77,9 MHz, com 5 kW.
Disse bem: 77,9 MHz. Importa esclarecer que a banda FM no Brasil foi expandida dos 76 aos 108 MHz, pelo que a escuta de rádios brasileiras por cá ficou mais fácil com o início das emissões entre os 76,1 e os 87,3 MHz - uma faixa em que determinados fenómenos de propagação, incluindo a propagação transequatorial , ocorre com maior facilidade, comparativamente às frequências mais elevadas.
A proeza foi conseguida pelo DXista Hugh Cocks, radicado no Algarve há uns anos. Vale a pena ler esta publicação de um blogue sobre DX. Importa acrescentar que o artigo inclui um vídeo com áudio da emissão captada. Para quem quiser ver o vídeo directamente no YouTube, pode clicar nesta hiperligação.
Blog do site "Mundo da Rádio". Os comentários aos acontecimentos ao universo da rádio. As últimas notícias da rádio em Portugal e no Mundo. Visite www.mundodaradio.info .
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sexta-feira, março 10, 2023
segunda-feira, dezembro 26, 2022
Frio, neve, renas... receptores de rádio e antenas
Frio, neve, renas... e um homem no Ártico. Não, não me estou a referir ao Pai Natal. Imaginem passar temporadas num local inóspito, longe da civilização, dentro de uma casa no Ártico, com receptores de rádio, computadores e outros equipamentos, sem contar com mais de uma dezena de antenas no exterior. Tudo pela paixão de tentar captar aquele sinal fraquíssimo e longínquo na Onda Média, na Onda Curta ou até na Onda Longa. Aquela estação que raramente se faz ouvir no local onde observamos o espectro.
A BBC fez uma reportagem no local, onde o DXista Mika Mäkeläinen se dedica à escuta de rádios distantes. Muito mais haveria a dizer, mas o melhor é mesmo visualizar a reportagem, que se encontra disponível no YouTube. Um clima desagradável e um trabalho muito solitário, mas, como diz o povo, quem corre por gosto não se cansa. Vale a pena assistir ao trabalho da estação britânica:
sábado, julho 09, 2022
Emissores FM da Antena 1 na Lousã e no Mendro fizeram-se ouvir nos Estados Unidos(!)
A expressão em epígrafe não é brincadeira, muito menos clickbait: aconteceu mesmo! Mercê das condições de propagação favoráveis de sinais de rádio FM pelo fenómeno das esporádicas "E", os emissores da Antena 1 no Mendro (87,7) e na Lousã (87,9 MHz) foram ouvidos na passada sexta-feira (dia 08.07.2022) em Mashpee, no estado americano de Massachussetts. O autor de tal proeza foi o DXista Bryce Foster, que captou a emissão do Mendro a "apenas" 5240 km da serra alentejana e a frequência da Lousã a 5125 km.
O Bryce disponibilizou uma curta gravação dos 87,9 MHz, onde aparece de uma forma clara a identificação da rádio portuguesa.
Quem disse que as emissões FM não chegam muito longe? Nas circunstâncias certas, muito favoráveis, o sinal de um emissor pode ser ouvido, durante segundos ou até minutos - e em casos raros até horas - a milhares de quilómetros de distância.
sexta-feira, julho 23, 2021
Mais DX transatlântico de emissores açorianos!
Se as duas últimas publicações neste blogue podem ter impressionado positivamente alguns leitores, sobretudo os naturais e/ou residentes nos Açores, a temporada de captações de emissores do arquipélago registadas no outro lado do Oceano Atlântico não acabou.
Na passada quarta-feira dia 21, o DXista Bryce Foster conseguiu captar, em Cape Cod (Massachusetts, nos Estados Unidos) os 87,7 MHz da Antena 3 (Pico da Barrosa), os 88,5 MHz da Rádio Atlântida (Ponta Delgada, com emissor no Pico da Barrosa), os 96,7 MHz da Antena 1 Açores (Pico Alto de Santa Maria, na ilha de Santa Maria).
No mesmo dia, o Dxista Larry Horlick captou em Coley's Point (Terra Nova, Canadá), não só a Antena 3 nos 87,7, como também a Antena 1 Açores nos 90,5 MHz (Serra de Santa Bárbara, ilha Terceira) e nos 88,9 MHz (emissor do Cabeço Gordo, na ilha do Faial).
Em especial para quem se encontra na costa portuguesa e, em particular, nos Açores, quem sabe se não será possível captar no FM e identificar algum emissor de uma qualquer estação americana ou canadiana? Vale a pena ficar atento ao éter!
sábado, julho 10, 2021
Frequência da Antena 3 no Pico da Barrosa (87,7 MHz) captada no Canadá, a cerca de 4530 km!
E o DX transatlântico continua a surpreender! O emissor da Antena 3 no Pico da Barrosa (São Miguel, Açores), que opera nos 87,7 MHz, foi captado em Grimsby, na província de Ontário, no Canadá, na noite do dia 8 de Julho (noite em Portugal, tarde no Canadá) por William Hepburn. A distância estimada é de cerca de 4530 km.
O William Hepburn até publicou no seu blogue um excerto do "Indiegente", comparando o sinal fraco dos 87,7 MHz com o áudio do podcast do programa apresentado pelo Nuno Calado.
Parece que este mês de Julho tem sido uma verdadeira caixa de surpresas agradáveis no que diz respeito à propagação das emissões FM via E Esporádica com um duplo salto na ionosfera. Será que alguém, dentro da RTP, seria capaz de ter a ousadia de enviar, por sua iniciativa, um QSL ao William Hepburn a confirmar a proeza?
quinta-feira, julho 08, 2021
Mais DX transatlântico de uma rádio portuguesa: Antena 1 (87,9 MHz Lousã) ouvida na Terra Nova (Canadá)!
Depois da captação de emissores açorianos da Antena 2 e Antena 3 no leste dos Estados Unidos, o mês de Julho trouxe outra surpresa: o emissor da Antena 1 na Serra da Lousã (87,9 MHz) foi captado ontem, dia 7 de Julho de 2021, na Terra Nova (Canadá) por Larry Horlick, a cerca de 3657 km do Trevim. O Larry também captou algumas rádios espanholas a mais de 3700 km.
Ao que parece, uma "E esporádica" com dois saltos na ionosfera, explica esta proeza. De referir que as rádios do país vizinho captadas na ilha canadiana foram a "Los 40 Classic", emissor de Segóvia (89,9 MHz), a 3916 km; a "Cadena 100" de Salamanca (90,0 MHz, a 3799 km); a RNE Radio Clásica, emissor de Valladolid/Cerro de San Cristóbal (93,1 MHz, a 3838 km) e o emissor de León/Las Lomas da "Los 40" (88,2 MHz, a 3728 km).
As ondas de rádio não conhecem fronteiras, não conhecem países, não conhecem continentes. Quando as condições o propiciam, é possível estarmos a ouvir o sinal de um emissor sitiado a milhares de quilómetros do local onde nos encontramos. É isto que torna o DX um passatempo interessante.
quinta-feira, julho 01, 2021
Histórico! Emissores da Antena 3 no Pico da Barrosa (87,7 MHz) e da Antena 2 na Serra de Santa Bárbara (98,9 MHz) captados no leste dos Estados Unidos!
Quem disse que uma emissão FM não pode chegar longe? Com as condições de propagação certas e a ionosfera a ajudar, um emissor pode ser ouvido a milhares de quilómetros.
Depois de alguns emissores espanhóis captados na América do Norte há alguns dias, o dia de hoje trouxe uma surpresa inédita para a rádio portuguesa: durante alguns minutos, o DXista [entusiasta pela captação de emissões de rádio a grandes distâncias] americano Bryce Foster, residente em Mashpee, uma cidade do estado de Massachusetts, captou hoje, nos 87,7 MHz, o emissor do Pico da Barrosa (São Miguel, Açores) da Antena 3. Uma distância estimada em, mais coisa, menos coisa, 3780 km. Em conversa no "Twitter", eu confirmei-lhe que também captou a Antena 2 a partir do emissor de Santa Bárbara (98,9 MHz).
Segundo o Bryce, ele também terá captado emissões nos 88,5, 89,6, 90,5 e nos 97,0 MHz. Infelizmente, não existindo qualquer gravação destas últimas, não é possível tentar qualquer identificação. Contudo, quero acreditar que se tenha tratado dos emissores de Santa Bárbara (90,5) e do Pico do Jardim (Graciosa, nos 97,0 MHz) da Antena 1 Açores.
O segredo para tais feitos? "E Esporádica". Um fenómeno de propagação das ondas VHF que permite às emissões FM das rádios, sobretudo as que operam nas frequências mais baixas da faixa 87,5-108 MHz e quando a ionosfera o permite, serem reflectidas de volta para a Terra, fazendo-se ouvir a milhares de quilómetros de distância. As esporádicas ocorrem sobretudo na Primavera e no Verão, pelo que tem sido o tempo de conseguir algumas captações insólitas.
terça-feira, julho 21, 2020
Rádio Observador sintonizada nos 98,4 MHz... na Finlândia!
Não tenho o hábito de falar de DX (captação de sinais de rádio a grandes distâncias) no blogue principal do "Mundo da Rádio", mas a situação relatada hoje pela Rádio Observador justifica o esclarecimento dos profissionais da estação, dos ouvintes, e de quem se interessa pela captação de emissões de rádio FM a distâncias (entre as antenas emissoras e os receptores dos ouvintes) invulgarmente elevadas.
Contando a história de forma lacónica, Jim Solatie, um DXista, entusiasta da captação de emissões de rádio a centenas e milhares de quilómetros da antena emissora, conseguiu sintonizar, na Finlândia e a cerca de 140 km da capital do país, Helsínquia, o sinal FM da Rádio Observador nos 98,4 MHz, que é emitido das antenas localizadas no Monte de Santa Eufémia, no limite geográfico dos concelhos de Vila do Conde e da Trofa. Contas feitas, uma distância na ordem dos 3000 a 3200 km.
Esta captação extraordinária, registada no passado dia 12 de Julho, foi o assunto do programa "E=mc^2" do dia de hoje, que pode ser ouvido em podcast. Para comentar esta situação insólita, a Rádio Observador convidou o professor Nuno Borges de Carvalho, da Universidade de Aveiro. Não obstante, e salvo o devido respeito pelo senhor professor, considero que a explicação terá sido um pouco confusa, mormente para um leigo, pelo que tomei a iniciativa de tentar ajudar a compreender melhor o fenómeno.
Antes de mais, permitam-me que recomende um artigo da minha autoria onde, modéstia à parte, tento descrever, da forma mais simples que consegui encontrar, as várias formas de propagação de sinais de rádio FM a distâncias elevadas. Tenho feito um esforço para descomplicar, na medida do possível,esta matéria, quando praticamente toda a bibliografia existente encontra-se em inglês e noutras línguas que não o português.
Regra geral, a propagação das ondas de rádio no FM é feita em linha de vista, podendo atingir, no máximo e em condições muito favoráveis, uma distância de cerca de 160 km. Contudo, por vezes surgem condições atmosféricas que possibilitam a recepção de sinais a centenas ou até milhares de quilómetros do emissor.
O fenómeno de propagação mais comum é o da condução troposférica, que ocorre quando há uma inversão térmica que faz com que as ondas fiquem "presas" num "canal" por onde circulam por centenas ou até milhares de quilómetros. Os sinais costumam permanecer de forma relativamente estável durante longos minutos ou até horas e este tipo de propagação é mais comum e tem maior intensidade no Verão, nomeadamente durante a noite. No Sul do continente, na margem Sul do Tejo, no Alentejo e no Algarve, não é raro ouvir-se no Verão estações de rádio marroquinas, madeirenses e até, por vezes, das ilhas Canárias, a cerca de 1300 km da nossa costa! Também é comum ouvir, em certas zonas do Sul e Centro, rádios do Norte do país.
Outro fenómeno, que geralmente ocorre no início do Verão, (sobretudo entre finais de Maio e meados de Julho), é a propagação ionosférica via esporádica "E". Afectando sobretudo as frequências mais baixas da banda FM (87,5~108 MHz), mas podendo subir inclusivamente acima dos 108 MHz, permite a recepção de rádios localizadas a milhares de quilómetros de Portugal. A título pessoal, já captei emissões de países como o Reino Unido, a Itália, a Croácia, a Tunísia, entre outros. Aliás, tenho inúmeros vídeos de captações no meu canal do YouTube.
De referir que existem outros tipos de propagação, que por razões de espaço não abordarei nesta publicação, sugerindo ao leitor que consulte o artigo supramencionado.
Considerando o que se sabe e o que foi dito, parece-me que a captação resulta da condução troposférica invulgarmente favorável, que criou uma "estrada" na atmosfera por onde as ondas da Rádio Observador viajaram até à Finlândia - o que não deixa de ser um feito digno de registo. Não sei falar finlandês, mas vou dizer: Congratulations, Jim Solatie! Nice catch! Como se diz na gíria, bons 73 a todos os que gostam de realizar captações de sinais de rádio a distâncias consideráveis!
Esta captação extraordinária, registada no passado dia 12 de Julho, foi o assunto do programa "E=mc^2" do dia de hoje, que pode ser ouvido em podcast. Para comentar esta situação insólita, a Rádio Observador convidou o professor Nuno Borges de Carvalho, da Universidade de Aveiro. Não obstante, e salvo o devido respeito pelo senhor professor, considero que a explicação terá sido um pouco confusa, mormente para um leigo, pelo que tomei a iniciativa de tentar ajudar a compreender melhor o fenómeno.
Antes de mais, permitam-me que recomende um artigo da minha autoria onde, modéstia à parte, tento descrever, da forma mais simples que consegui encontrar, as várias formas de propagação de sinais de rádio FM a distâncias elevadas. Tenho feito um esforço para descomplicar, na medida do possível,esta matéria, quando praticamente toda a bibliografia existente encontra-se em inglês e noutras línguas que não o português.
Regra geral, a propagação das ondas de rádio no FM é feita em linha de vista, podendo atingir, no máximo e em condições muito favoráveis, uma distância de cerca de 160 km. Contudo, por vezes surgem condições atmosféricas que possibilitam a recepção de sinais a centenas ou até milhares de quilómetros do emissor.
O fenómeno de propagação mais comum é o da condução troposférica, que ocorre quando há uma inversão térmica que faz com que as ondas fiquem "presas" num "canal" por onde circulam por centenas ou até milhares de quilómetros. Os sinais costumam permanecer de forma relativamente estável durante longos minutos ou até horas e este tipo de propagação é mais comum e tem maior intensidade no Verão, nomeadamente durante a noite. No Sul do continente, na margem Sul do Tejo, no Alentejo e no Algarve, não é raro ouvir-se no Verão estações de rádio marroquinas, madeirenses e até, por vezes, das ilhas Canárias, a cerca de 1300 km da nossa costa! Também é comum ouvir, em certas zonas do Sul e Centro, rádios do Norte do país.
Outro fenómeno, que geralmente ocorre no início do Verão, (sobretudo entre finais de Maio e meados de Julho), é a propagação ionosférica via esporádica "E". Afectando sobretudo as frequências mais baixas da banda FM (87,5~108 MHz), mas podendo subir inclusivamente acima dos 108 MHz, permite a recepção de rádios localizadas a milhares de quilómetros de Portugal. A título pessoal, já captei emissões de países como o Reino Unido, a Itália, a Croácia, a Tunísia, entre outros. Aliás, tenho inúmeros vídeos de captações no meu canal do YouTube.
De referir que existem outros tipos de propagação, que por razões de espaço não abordarei nesta publicação, sugerindo ao leitor que consulte o artigo supramencionado.
Considerando o que se sabe e o que foi dito, parece-me que a captação resulta da condução troposférica invulgarmente favorável, que criou uma "estrada" na atmosfera por onde as ondas da Rádio Observador viajaram até à Finlândia - o que não deixa de ser um feito digno de registo. Não sei falar finlandês, mas vou dizer: Congratulations, Jim Solatie! Nice catch! Como se diz na gíria, bons 73 a todos os que gostam de realizar captações de sinais de rádio a distâncias consideráveis!
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