sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Dia Mundial da Rádio

Hoje não é mais um Dia Mundial da Rádio. É,  na verdade, o dia em que se deve falar de duas situações recentes, em Portugal, em que a rádio foi (e ainda é) fundamental para informar os portugueses do que aconteceu e estava a acontecer.

Dia 28 de Abril de 2025. Portugal ficou, subitamente, sem energia eléctrica em todo o país. Os routers da Internet que temos em casa, ficaram sem energia. Os televisores, idem. Os telemóveis não podiam ser carregados a não ser no carro ou recorrendo a um power bank. E mesmo nem todas as antenas das operadoras de telecomunicações conseguiram manter-se activas durante tantas horas. Qual a fonte de informação que sobreviveu o dia todo até ao restabelecimento da luz? A rádio, e, em especial,  a rádio pública.

Milhões de portugueses voltaram a descobrir a "magia" de rodar o botão do rádio a pilhas. E os receptores esgotaram nas lojas.

A rádio evitou que muitas pessoas sofressem com um apagão duplo: como não bastava o apagão eléctrico, se não fosse a rádio a funcionar haveria um "apagão" informativo, que privava as pessoas de saberem o quê,  onde e como as coisas aconteciam para tentar recuperar a normalidade.

Menos de um ano depois, a depressão Kristin atingiu com força algumas zonas do país, em especial na região Centro. Em poucas horas, muitas casas sofreram danos e, para complicar as coisas, muitas zonas ficaram sem electricidade e sem sinais das redes móveis. Em Leiria, na Marinha Grande, em Ourém e noutros concelhos, muitos moradores ficaram sem ter acesso à televisão ou à Internet. Nem sequer podiam fazer uma chamada telefónica. O único meio de informação em tempo real que conseguiu chegar a toda a região foi a rádio. Mais uma vez, o bom e "velho" rádio a pilhas ou a bateria continuou a funcionar. E ainda no dia de hoje existem locais onde existem populações que ainda não têm acesso à electricidade ou ao telemóvel.

A Rádio não se calou. E nem mesmo a queda da torre da rádio pública na Serra de Montejunto, ou a da torre da Rádio Observador em Leiria, impediram as rádios de colocar em funcionamento soluções provisórias para assegurar as emissões nas condições possíveis. Mais uma vez, a rádio salvou muitos portugueses de sofrerem um "apagão" a nível da informação. 

E por falar em problemas técnicos, não posso deixar de referir as pessoas "invisíveis" aos ouvintes, mas que são essenciais para que as ondas de rádio cheguem à antena do receptor: os técnicos das estações de rádio, que muitas vezes têm de subir a torres, ao sol ou à chuva, com calor ou com frio, às vezes com neve e até granizo. Cumprem a missão de restabelecer as emissões, mesmo aceitando o sacrifício de trabalhar, não raras vezes, em condições muito desagradáveis. Como ouvinte, quero agradecer, a todos os técnicos, o empenho e dedicação na resolução dos problemas que impedem que os ouvintes escutem satisfatoriamente as rádios.

As rádios não são apenas as nacionais e as regionais. Há ainda, embora, infelizmente, cada vez menos, rádios locais. E num dia em que os efeitos do mau tempo ainda se fazem sentir, não esqueçamos as rádios locais afectadas pela calamidade. Urge apoiarmos as rádios que sofreram prejuízos significativos com os fenómenos metereológicos; em especial, as rádios que perderam as torres de emissão. 

Entre as várias iniciativas que as rádios têm neste dia 13 de Fevereiro, destaco as emissões especiais da Antena 1, Antena 2, Antena 3 e da RDP Internacional, realizadas a partir das regiões mais afectadas pela Kristin. A rádio pública tem estado, desde as 7h e até às 10h, no Quartel dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande; entre as 16 e as 18h vai estar na Biblioteca Municipal de Pombal e, desde as 7h e até às 19h, tem estado também em directo da Praça Caffé - Praça Rodrigues Lobo, em Leiria. 

Não termino sem agradecer também a todos os jornalistas e demais profissionais das rádios o trabalho que desenvolvem em prol dos ouvintes, mormente aqueles que dependem exclusivamente da rádio para conseguir saber o que se passa na sua terra, na sua região, no país e no mundo. Viva a rádio!

Actualização (10h15): a rádio pública cancelou as emissões especiais a partir da Marinha Grande e de Pombal, devido à situação complicada que decorre em Coimbra e nas margens do Rio Mondego.




sexta-feira, janeiro 30, 2026

Depressão Kristin: mais rádios afectadas pelo mau tempo

A depressão Kristin afectou várias rádios locais, em especial na região Centro. Até agora, sabe-se que as estações que estão sem emissão FM devido à queda da torre são as seguintes:

- Mundial FM (100,5 MHz Vila Nova de Poiares)
- Rádio Observador (94,0 MHz Leiria)
- On FM (93,8 MHz Torres Vedras)
- Rádio Cardal (87,6 MHz Pombal)
- Emissor Regional do Zêzere (102,7 MHz Ferreira do Zêzere)
- Rádio Clube Marinhense (96,0 MHz Marinha Grande)
- Rádio Popular de Soure (104,4 MHz Soure)

Outras rádios que ficaram sem emissão FM incluem a Rádio Condestável (91,3 + 97,5 + 107,0 MHz Sertã), a Rádio Vida Nova (105,5 MHz Ansião) e a Rádio Marginal (98,1 MHz Cascais). Saliento que esta lista de rádios que se encontram inoperacionais no FM não é exaustiva e que é provável que existam outras estações que tenham sido afectadas pela catástrofe. 




quarta-feira, janeiro 28, 2026

Depressão Kristin: as "vítimas" radiofónicas e o papel de serviço público de informação que as rádios desempenham

Portugal sentiu, na madrugada desta quarta-feira, dia 28 de Janeiro de 2026, os efeitos da depressão Kristin. A chuva e, em especial, os ventos fortes, afectaram o país, em especial na região de Leiria e Marinha Grande, na Figueira da Foz e, com menor intensidade, noutros locais. Infelizmente, a noite terminou com pelo menos cinco vítimas mortais a lamentar. Que descanse em paz.

Sem menosprezo pelas vítimas humanas, importa falar de algumas "vítimas" materiais, nomeadamente ao nível das torres de emissão das rádios. Tanto quanto se sabe, houve três torres que não resistiram à força do vento.

A torre da RTP-rádio na Serra de Montejunto colapsou, comprometendo a escuta das emissões FM da Antena 1, Antena 2 e Antena 3 na região Oeste, no Ribatejo e até em certos pontos da região de Lisboa. A solução que a rádio pública encontrou, ao que se sabe, terá sido a montagem de una instalação provisória para assegurar, na medida do possível, a cobertura das rádios na região. Como é normal nestes casos, é bem provável que a solução provisória esteja a operar com potência reduzida,  não oferecendo o mesmo conforto de escuta que o sistema radiante optimizado que estava instalado na torre proporcionava.

Já na região Centro, a Mundial FM (100,5 MHz Vila Nova de Poiares, no distrito de Coimbra), viu também a torre cair por causa do mau tempo. A rádio suspendeu a emissão FM e só transmite via Internet. 

A Rádio Observador também teve uma má notícia: a torre do emissor de Leiria (94,0 MHz) também não resistiu, fazendo com que a estação noticiosa deixasse de ser ouvida na cidade banhada pelo Rio Lis.

E por falar em Leiria, que foi a zona mais afetada pelo fenómeno metereológico extremo, importa referir que a destruição na cidade, mas também noutras zonas da região Centro, levou a que a energia eléctrica fosse perdida e as comunicações, em especial as redes móveis dos telefones, ficassem inoperacionais. Em muitas zonas, sem energia e sem telemóvel, a fonte de informação a que as populações têm tido acesso é o bom e sempre eficaz rádio a pilhas. Quando a electricidade falha e o telemóvel não passa de um "tijolo" isolado do mundo, que não permite contactar outras pessoas, são as ondas de rádio do bom e velho FM (e até Onda Média) que permitem fazer chegar aos ouvidos de quem sintoniza a rádio as informações sobre o que vai passando na região e no país e como as populações devem agir. Mesmo nas horas mais difíceis, a rádio está no ar a evitar que os ouvintes, que já têm de sofrer as consequências do apagão eléctrico, tenham também de  enfrentar um "apagão" informativo. Um serviço público que a Internet, dependente de várias infra-estruturas que não são controladas pelas rádios, jamais conseguirá substituir. 

quarta-feira, dezembro 03, 2025

Faleceu Olga Cardoso, uma das vozes míticas da Rádio Renascença

Faleceu Olga Cardoso, uma das figuras emblemáticos da rádio portuguesa, e, em particular, da Rádio Renascença. Foi locutora de rádio, mas também actriz de teatro radiofónico e apresentadora de televisão. 

Natural de Miragaia, no Porto, a Olga Cardoso estreou-se aos 15 anos nas radionovelas da ORSEC. Passou pela Rádio Porto e pelo Rádio Clube do Norte, mas foi na Rádio Renascença que se tornou conhecida a nível nacional, graças ao programa "Despertar", primeiro com Fernando de Almeida e depois com António Sala. Sai da Rádio Renascença em 1999, mas, e por insistência do António Sala, apresenta o "Clássicos da Renascença" durante alguns meses.

De referir que passou também pela televisão,  nomeadamente pela TVI, onde em 1993 apresentou o concurso "A Amiga Olga", mas nunca deixou de ser, sobretudo, uma voz da rádio. 

Aos familiares, antigos colegas e amigos da Olga Cardoso, apresento as minhas condolências. Que descanse em paz. 

terça-feira, novembro 18, 2025

Rádio Nacional de Espanha encerra todas as emissões em Onda Média até ao dia 31 de Dezembro

Uma notícia triste vinda da vizinha Espanha. A Rádio Nacional de Espanha anunciou que vai encerrar toda a rede de emissores de Onda Média da Rádio Nacional (ex- RNE 1) e da Rádio 5, até ao dia 31 de Dezembro. A rádio pública do país vizinho de Portugal vai apostar brevemente no sistema DAB+, prometendo reforçar o sinal FM nas zonas onde ainda se ouve a Onda Média por falta de alternativa.

E assim vai morrendo a Onda Média. A RNE opera nesta faixa há 88 anos. Resta aproveitar os últimos dias para sintonizar a rádio pública nacional espanhola - e muitas das frequências da Rádio Nacional e da Rádio 5 são captáveis em Portugal não só durante o período nocturno mas também durante o dia.

quarta-feira, novembro 12, 2025

ERC autoriza Cidade FM Aveiro nos 105,6 MHz da actual Rádio Independente de Aveiro

A ERC autorizou a mudança do projecto disponibilizado pela Rádio Independente de Aveiro (105,6 MHz), bem como a alteração da designação da rádio para "Cidade FM Aveiro".

Tendo em conta que a Cidade FM já é bem ouvida na capital dos ovos moles através da frequência de Vale de Cambra, tudo leva a crer (ainda que não esteja por enquanto confirmado) que a Bauer pretende colocar outra estação nos 101,0 MHz. E eu aposto que a ideia é reforçar o sinal da Smooth FM. E se considerarmos a realidade de que nem Figueiró dos Vinhos, por muito bom que seja o emissor dos 92,8, nem os 89,5 MHz Matosinhos (que oferecem uma cobertura limitada à região de Matosinhos, da cidade do Porto e concelhos próximos) fazem milagres, o emissor de Vale de Cambra, localizado na Serra da Freita, consegue fazer-se ouvir bem em Aveiro e até na cidade do Porto, melhorando significativamente a qualidade de recepção da Smooth FM entre a Beira Litoral e o Douro Litoral e permitindo a comutação suave, graças ao RDS, dos auto-rádios entre os 89,5, os 101,0 e os 92,8 MHz.

ERC autoriza regresso da Central FM aos 93,7 MHz Amadora

Já se sabe o nome da estação que vai ocupar os 93,7 MHz Amadora que, desde que a Rádio Observador migrou para os 92,8 Loures, se encontra a emitir apenas música: a ERC deferiu o pedido de modificação do projecto disponibilizado pela Rádio Mais, CRL, a cooperativa detentora do alvará, bem como a alteração do nome da rádio para Central FM.

Quem conhece a história dos 93,7 Amadora não estranha o novo nome: na verdade, a estação já utilizou o nome "Central FM" entre 1995 e 1997. Um regresso a uma frequência "amaldiçoada".

domingo, novembro 09, 2025

Golo FM Bombarral adquirida pela... Sport Lisboa e Benfica SGPS (!)

Por mais insólita que pareça, a notícia é verdadeira. A ERC autorizou a venda do alvará da Golo FM Bombarral (94,8 MHz) à Sport Lisboa e Benfica SGPS, S.A. .

Muito provavelmente, trata-se de um estratagema legal para o lançamento da Benfica FM sem que a ERC continue a manifestar as objecções que levaram à recusa da mudança do projecto aprovado para a rede Batida FM, que passaria, se tivesse luz verde do regulador, a ser a Benfica FM.

Aguardemos por desenvolvimentos. Não deixa, contudo, de ser irónico constatar que os 94,8 MHz Bombarral não se ouvem (ou se ouvem em condições muito débeis) no Estádio da Luz (e, no geral, em Lisboa), situação a que não é alheia a presença da Rádio Voz do Sorraia (Coruche) nos 94,7 MHz.