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quinta-feira, abril 21, 2022

Como ouvir a rádio ucraniana em Portugal

Porque muito provavelmente há em Portugal quem (além dos imigrantes e refugiados ucranianos, por razões evidentes) tenha interesse (quanto mais não seja por mera curiosidade mesmo não entendendo nada da língua) em ouvir a rádio ucraniana, importa dizer, para quem gosta de sintonizar emissões de rádio num aparelho de rádio, que as emissões via Internet não constituem a única forma de escutar a rádio pública do país liderado por Volodymyr Zelensky.

Com efeito, a UR1 Pershiy kanal, que, grosso modo, é a congénere da nossa Antena 1, pode ser ouvida à noite no nosso país num bom rádio com Onda Média. Se as condições forem favoráveis, a UR1 é captável nos 1278 kHz (emissor de Kurisove, com 100 kW), que consigo captar em condições satisfatórias durante a madrugada; vale a pena - e não obstante as interferências de estações espanholas e quiçá de outros países -  tentar também sintonizar o emissor de Taranivka (837 kHz 150 kW); com potências mais modestas, a estação emite igualmente de Chernivtsi (675 kHz 25 kW) e de Izmail (1404 kHz 10 kW).

A boa notícia é que a rádio ucraniana está a emitir também noutra frequência. Na verdade, está a ser retransmitida a partir da Lituânia, através do emissor de Viešintos da Radio Baltic Waves International (1386 kHz 75 kW), durante a noite (e refira-se que a estação lituana retransmite outras estações conforme o horário - é uma rádio que aluga "tempo de antena" a outros operadores), pelo que a rádio ucraniana é audível por cá em condições razoáveis a boas nos 1386 kHz. Aliás, é a melhor opção quando o sinal dos 1278 kHz não é forte e os 837 kHz, a serem audíveis, sofrem com interferências fortes de outras estações.

Apesar de todas as histórias de guerra dramáticas e chocantes que chegam a Portugal através dos meios de comunicação social, incluindo, naturalmente, a rádio, os técnicos ucranianos fazem tudo o que podem para manter em funcionamento as redes de emissores das rádios do país, incluindo os emissores de Onda Média que estavam desligados há anos e que foram reactivados na sequência do conflito bélico. A Onda Média estar viva na Ucrânia é uma boa notícia no meio de tantas notícias horríveis. O meu maior desejo para a Ucrânia e para os russos que não se revêem nas razões da guerra, é que o regime putinista pare com esta loucura.

quarta-feira, março 02, 2022

A Onda Curta funciona e faz falta!

Permitam-me a apropriação de um chavão político ouvido em Portugal para salientar que a Onda Curta, aquela tecnologia considerada cara e obsoleta, afinal é muito útil no ano de 2022, quando rebentou uma guerra com uma dimensão inimaginável há semanas.
Numa altura em que o povo ucraniano está a ser barbaramente oprimido de forma violenta pela Rússia, parece que a BBC não é a única estação a perceber que a Onda Curta é muito útil quando as forças submissas a Putin podem, a qualquer momento, destruir na Ucrânia infra-estruturas e equipamentos fundamentais para as comunicações dentro do país e do país para o exterior, nomeadamente através da Internet. Afinal, por mais computadores, mais cabos de fibra óptica, mais routers ou mais quaisquer outros equipamentos que possam ser inoperacionalizados pelos russos, as forças militares ao serviço do Kremlin não conseguirão destruir um emissor de Onda Curta a milhares de quilómetros de Kyiv sem atacar outro país ou até outros países.

A ÖRF, a rádio pública austríaca, que se limitava a ter uma emissão diária em Onda Curta durante a manhã, passou a emitir a Ö1, a estação congénere da nossa Antena 1, em três horários diários, a partir do centro emissor de Moosbrunn.

Para quem quiser ouvir as emissões, dirigidas à Ucrânia e outros países da região, ficam as frequências e os respectivos horários:

  • 6155 kHz, entre as 6h e as 7h20 UTC.
  • 13730 kHz, entre as 11 e as 12h UTC, de segunda-feira a sábado.
  • 5940 kHz, todos os dias excepto sábados, das 17h às 17h25, salvo às sextas, em que acaba às 17h20, e aos domingos, em que acaba às 17h15.
No meio do sangue, da destruição e de milhares, se não milhões de refugiados inocentes, um pequeno rádio com Onda Curta e a pilhas não poderá, infelizmente, fazer o milagre de devolver a paz ao povo ucraniano, mas poderá ser a diferença entre estar-se isolado do mundo ou estar-se minimamente informado do que ocorre na Ucrânia. Esta guerra não tem razão de ser a não ser o egocentrismo expansionista e sem escrúpulos do tirano Vladimir Putin. Slava Ukraini!

domingo, fevereiro 27, 2022

Heróis do éter na Ucrânia

Esta publicação tem como objectivo homenagear todos os professionais e todas as profissionais das rádios ucranianas que, no meio duma guerra, fazem os possíveis para manter as estações no ar por forma a informar as populações do que acontece no terreno. Homens e mulheres de coragem, que trabalham em condições inimagináveis para 99% dos jornalistas, animadores, técnicos e demais profissionais em Portugal e na maioria dos países do mundo. Verdadeiros heróis do éter! Força, Ucrânia! Slava Ukraini! Слава Україні!

sexta-feira, fevereiro 25, 2022

Rádios de vários países apostam em emissões especiais dirigidas à Ucrânia

 A Ucrânia está em guerra e algumas rádios com cobertura hertziana através da Onda Longa, Onda Média ou Onda Curta realizam agora emissões informativas a cobrir a actualidade do país invadido pela Rússia.

  • A SRR, operador da rádio pública da Roménia, país vizinho da Ucrânia, substituiu a "Antena Satelor" pela "Radio România Actualități" na Onda Longa (153 kHz), reforçando a cobertura radioeléctrica da estação generalista.
  • A britânica BBC tem agora duas emissões diárias em Onda Curta dirigidas à Ucrânia, das 20 h até às 22 h UTC nos 5875 kHz  e  das 14h às 16h UTC nos 15735 kHz. 
  • A rádio americana WRMI passou a emitir, na Onda Curta e todos os dias à excepção das sextas-feiras, o serviço em inglês da Rádio Ucrânia Internacional, das 12h00 às 12h30 UTC, na frequência de 5010 kHz
  • Na Itália, a NEXUS-International Broadcasting Association de Milan aumentou a potência do seu emissor de Onda Média (1323 kHz) e realiza, entre as 19h e as 23h CET, uma emissão dirigida ao país de Leste em confronto bélico.

Infelizmente, o continente europeu voltou a ter uma guerra - e não obstante o desinvestimento na Onda Curta e até na Onda Média e na Onda Longa por parte de muitos países, ainda há estações que se preocupam em usar os poucos meios de que dispõem para informar os ucranianos do que se passa no país - o que pode ser crucial se as forças ocupantes destruírem a rede eléctrica, as redes de telecomunicações, e um pequeno rádio a pilhas que tenha Onda Longa, Onda Média e Onda Curta seja a última ligação de muitos ucranianos ao mundo exterior.

Rádio pública da Polónia emite noticiários em ucraniano, inclusivamente na Onda Longa

A Polskie Radio (rádio pública polaca) anunciou que, devido à situação na Ucrânia, a Rádio 1 (a estação generalista equivalente à nossa Antena 1) passou a emitir noticiários na língua ucraniana.

Importa salientar que a emissão pode ser não só ouvida através da rede de emissores FM, mas também na Onda Longa (225 kHz), cujo emissor em Solec Kujawski/Kabat é audível em grande parte do território ucraniano.

A guerra é uma das principais razões pelas quais as rádios internacionais deviam reconsiderar uma aposta séria no reestabelecimento das emissões em Onda Curta direccionadas à Ucrânia, em ucraniano e russo. Afinal, se as tropas russas desligarem a rede eléctrica da Ucrânia e cortarem a Internet, os ucranianos poderiam ouvir notícias vindas de fontes mais credíveis do que as  submissas ao regime tirano de Vladimir Putin, bastando para tal terem um pequeno rádio portátil com Onda Curta e a pilhas. Como sempre digo, as ondas de rádio não conhecem fronteiras.

quinta-feira, fevereiro 24, 2022

A guerra ao vivo contada através das ondas de rádio

Hoje, dia 24 de Fevereiro de 2022, Portugal e o mundo ocidental acordaram com más notícias vindas da Ucrânia. Se os canais de televisão não têm poupado esforços no sentido de acompanhar em tempo real a invasão da Ucrânia pela Rússia, as rádios não têm ficado de fora da cobertura informativa.

A Antena 1 esteve, até depois das 17h, a realizar uma emissão especial. Também a TSF, a Rádio Observador e a RR têm acompanhado a situação na Ucrânia.

Fora de Portugal, a Rádio Nacional de Espanha, a Radio France Internationale, a BBC e muitas outras estações de outros países, sobretudo europeus, têm falado bastante do conflito.

A rádio é, definitivamente, o meio de comunicação social que mesmo nos  momentos mais complicados do mundo,  está sempre disponível para, sem precisar do aparato visual exigido pela televisão, falar, em tempo real, do que aconteceu, do que acontece e do que acontecerá. Da Segunda Guerra Mundial à guerra na Ucrânia provocada pelo déspota Vladimir Putin, o maior tirano expansionista das últimas décadas, a rádio não pára de deixar de informar o mundo do que sucede nos cenários de combate. E acrescento: os jornalistas que eu mais respeito, sem menosprezo pelos grandes profissionais que não saem do conforto das redacções, são aqueles que, trabalhando para a rádio e/ou para a televisão, arriscam a vida entre balas para relatar cada movimento, cada acção militar ou civil, em nome do direito à informação exigido pelos ouvintes e/ou telespectadores.

Homens e mulheres de coragem, com a mão no microfone para contar as histórias de quem ataca militares e, infelizmente, civis, e de quem  defende a sua vida como pode. Uma guerra é sempre triste e cruel.

terça-feira, janeiro 04, 2022

A Onda Média ainda está viva!

Apesar de muitos países estarem a encerrar de vez as emissões em Onda Média, o ano novo de 2022 traz boas notícias para quem gosta de tentar captar estações distantes durante a noite.

A Jordânia reactivou recentemente o único emissor do país, em Shobak, que opera nos 612 kHz com 100 kW.

Também o operador público da Roménia, a SRR, vai renovar os cinco emissores mais antigos, melhorando as condições de recepção da "Radio România Actualităţi" (603, 756 e 1458 kHz), da "Antena Satelor" (603 e 1314 kHz) e da "Radio Constanța" (909 kHz).

A terceira boa notícia vem da Ucrânia, onde o exercício do país tem uma estação de rádio. A "Army FM" encontra-se a operar em fase de testes nos 810 kHz, com 10 kW.

É certo que a Onda Média pode não oferecer o mesmo conforto de escuta do que o FM, e é mais susceptível a perturbações, nomeadamente o ruído eléctrico, mas para quem gosta de ouvir rádios nacionais, regionais e locais de outros países, rodar o botão de sintonia do rádio para sintonizar a Onda Média à noite continua a ser um passatempo simultaneamente divertido e interessante!

domingo, maio 13, 2018

Festival Eurovisão da Canção

Não podia escrever este texto sem começar por congratular os profissionais da RTP que, com o apoio da EBU e de outras entidades, foram, por estes dias, incansáveis a trabalhar para que nada faltasse, do ponto de vista técnico, à realização do Festival Eurovisão da Canção 2018. Sem o empenho dos profissionais da televisão (mas também da rádio), jamais seria possível organizar em Portugal, de forma irrepreensível, um  evento desta envergadura.

Não obstante a evidência de que o Festival da Eurovisão é um evento sobretudo televisivo, a rádio também esteve presente na cobertura em tempo real do que se passava na Altice Arena. Se a Antena 1 marcou presença, há que destacar também outras rádios europeias  que transmitiram a final para os respectivos países. A começar pela emissora pública britânica "BBC Radio 2", que por sinal teve um comentador à altura do evento; numa rápida incursão pelo universo das rádios  online, constatei que o Festival estava também a ser transmitido na Noruega (NRK P1), Itália (RAI Radio 2), Islândia (RÚV Rás 2), Ucrânia (UR 2 Promin), Albânia (Radio Tirana 2), Finlândia (YLE Etela-Savon Radio), Estónia (ERR Raadio 2) e Moldávia (Radio Moldova), pelo menos.

Por outras palavras, aos 200 milhões de espectadores (400 milhões de olhos (!) ) que viram o espectáculo através da televisão, há que somar os ouvintes de pelo menos 10 rádios! Estamos certos que, antes da Eurovisão, nenhum outro evento havia sido feito em Portugal com uma cobertura radiofónica simultânea tão vasta, do ponto de vista geográfico - nem mesmo o Euro 2004 (acredito que também houve outras rádios europeias e, quem sabe, australianas, a retransmitir o sinal da Eurovisão).

Portugal está  de parabéns pelo êxito na organização exemplar do Festival. E, neste aspecto, a RTP merece os mais sonoros aplausos. Porque o serviço público de rádio e televisão também passa pela capacidade de mostrar um Portugal moderno e competente para realizar um espectáculo internacional desta dimensão.