quarta-feira, janeiro 28, 2026

Depressão Kristin: as "vítimas" radiofónicas e o papel de serviço público de informação que as rádios desempenham

Portugal sentiu, na madrugada desta quarta-feira, dia 28 de Janeiro de 2026, os efeitos da depressão Kristin. A chuva e, em especial, os ventos fortes, afectaram o país, em especial na região de Leiria e Marinha Grande, na Figueira da Foz e, com menor intensidade, noutros locais. Infelizmente, a noite terminou com pelo menos cinco vítimas mortais a lamentar. Que descanse em paz.

Sem menosprezo pelas vítimas humanas, importa falar de algumas "vítimas" materiais, nomeadamente ao nível das torres de emissão das rádios. Tanto quanto se sabe, houve três torres que não resistiram à força do vento.

A torre da RTP-rádio na Serra de Montejunto colapsou, comprometendo a escuta das emissões FM da Antena 1, Antena 2 e Antena 3 na região Oeste, no Ribatejo e até em certos pontos da região de Lisboa. A solução que a rádio pública encontrou, ao que se sabe, terá sido a montagem de una instalação provisória para assegurar, na medida do possível, a cobertura das rádios na região. Como é normal nestes casos, é bem provável que a solução provisória esteja a operar com potência reduzida,  não oferecendo o mesmo conforto de escuta que o sistema radiante optimizado que estava instalado na torre proporcionava.

Já na região Centro, a Mundial FM (100,5 MHz Vila Nova de Poiares, no distrito de Coimbra), viu também a torre cair por causa do mau tempo. A rádio suspendeu a emissão FM e só transmite via Internet. 

A Rádio Observador também teve uma má notícia: a torre do emissor de Leiria (94,0 MHz) também não resistiu, fazendo com que a estação noticiosa deixasse de ser ouvida na cidade banhada pelo Rio Lis.

E por falar em Leiria, que foi a zona mais afetada pelo fenómeno metereológico extremo, importa referir que a destruição na cidade, mas também noutras zonas da região Centro, levou a que a energia eléctrica fosse perdida e as comunicações, em especial as redes móveis dos telefones, ficassem inoperacionais. Em muitas zonas, sem energia e sem telemóvel, a fonte de informação a que as populações têm tido acesso é o bom e sempre eficaz rádio a pilhas. Quando a electricidade falha e o telemóvel não passa de um "tijolo" isolado do mundo, que não permite contactar outras pessoas, são as ondas de rádio do bom e velho FM (e até Onda Média) que permitem fazer chegar aos ouvidos de quem sintoniza a rádio as informações sobre o que vai passando na região e no país e como as populações devem agir. Mesmo nas horas mais difíceis, a rádio está no ar a evitar que os ouvintes, que já têm de sofrer as consequências do apagão eléctrico, tenham também de  enfrentar um "apagão" informativo. Um serviço público que a Internet, dependente de várias infra-estruturas que não são controladas pelas rádios, jamais conseguirá substituir.