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quinta-feira, janeiro 05, 2023

A morte lenta da AM: depois da RTL francesa é a vez da Absolute Radio inglesa

Pouco a pouco, vão, infelizmente, morrendo as emissões  em modulação de amplitude. Se no passado dia 1 a RTL, estação francesa com emissor no Luxemburgo, encerrou ao fim de 90 anos as emissões em Onda Longa (234 kHz), outro "cliente" habitual da noite do éter português vai deixar de aparecer por cá. A Bauer britânica, proprietária da Absolute Radio, vai tirar as fichas das tomadas de toda a rede de emissores de Onda Média da estação. A estação musical vai passar a operar apenas no sistema de rádio digital DAB e na Internet (e mesmo a emissão online só está disponível a partir de um endereço IP no Reino Unido... e é preciso que o ouvinte se registe no site de Internet da emissora).

Da mesma Bauer, a Greatest Hits Radio também vai ficar sem os últimos emissores de Onda Média ainda em operação, passando a operar apenas em FM, em Londres e noutras cidades britânicas, na rede DAB e na Internet.

Com o fim da RTL, terminou a história das rádios francesas na Onda Longa. Agora, a faixa é apenas ocupada (a nível de radiodifusão) por Marrocos, pela Argélia, pelo Reino Unido, pela Irlanda, pela Dinamarca, pela Islândia e pouco mais. Por este andar, a Onda Média segue um caminho semelhante, perdendo pouco a pouco estações com longas décadas de operação na faixa. Apesar de tudo, salvam-se, por enquanto, a Espanha, a Roménia, a Argélia e poucos mais países com presença forte na Onda Média. É triste, mas a subida dos custos com a energia e da manutenção dos emissores, aliada à aposta no FM e no DAB, vai "matando" os grandes emissores europeus...


quinta-feira, setembro 08, 2022

Faleceu a Rainha Isabel II - e as rádios britânicas cancelaram a programação habitual

Devido ao falecimento da Rainha Isabel II, as rádios da BBC, incluindo a Radio 1, Radio 2, Radio 3, Radio 4, Radio 5 Live, Radio 6, World Service, entre outras, interromperam, por volta das 18h30, a programação regular para passarem a emitir uma emissão especial da BBC News a anunciar a notícia triste para os britânicos.

Também muitas rádios privadas do Reino Unido, incluindo as musicais, alteraram a programação. Por exemplo, a Absolute Radio toca agora música instrumental.

Para quem quiser acompanhar a informação da BBC no bom e velho receptor de rádio,  uma boa opção é tentar sintonizar a BBC Radio 4 na Onda Longa, na frequência de 198 kHz. Durante a noite, é também possível ouvir por cá, em Portugal, a BBC Radio 5 Live na Onda Média, através das frequências de 693 e 909 kHz, além de outras com emissores de menor potência. Dependendo das condições de propagação e recepção, é possível tentar sintonizar também as poucas estações locais da BBC que ainda emitem na Onda Média. 

É, igualmente, possível, tentar ouvir o serviço mundial da BBC (BBC World Service) em inglês, sintonizando as frequências de Onda Curta nos horários em que emite. A rádio pública britânica tem uma página com as frequências e os horários em que emite para as várias regiões servidas.

Relativamente a outras estações, uma das que se ouve melhor em Portugal é a Manx Radio, na frequência de 1368 kHz. Uma boa ajuda para quem quiser sintonizar rádios britânicas na Onda Média é a consulta do site FMSCAN.

Independentemente das visões políticas de cada um de nós, é inegável que a rainha Isabel II marcou a História do Reino Unido e do mundo por sete décadas. Se as rádios britânicas não puderam ficar indiferentes ao final do reinado, as rádios de outros países não deixaram de acompanhar a situação no Reino Unido. Que descanse em paz.

sexta-feira, abril 09, 2021

Rádios da BBC com emissão simultânea devido ao falecimento do Príncipe Filipe

Devido ao falecimento do Príncipe Filipe, marido da rainha de Inglaterra, quase todas as rádios da BBC (Radio 1, Radio 2, Radio 3, Radio 4, Radio 5, Radio 6, BBC World Service e outras) interromperam a programação habitual e passaram a ter uma emissão simultânea dedicada a esta notícia triste para os britânicos.

Já nas rádios privadas do Reino Unido, se as estações musicais mantém a playlist habitual, do que consegui ouvir, as rádios "LBC London" e "talkRADIO" também falam da vida do duque de Edimburgo.


sexta-feira, setembro 25, 2020

TuneIn: rádios internacionais bloqueadas no Reino Unido!

Muitos dos leitores do blogue conhecem decerto a aplicação "TuneIn", que permite ouvir milhares de emissões online de estações de rádio através do smartphone ou tablet. Pois bem, os britânicos começam a perder grande parte do interesse no software... É que a empresa fabricante da aplicação passou a bloquear o acesso a estações de rádio de outros países no Reino Unido. Em causa estão questões legais de licenciamento dos conteúdos, que levaram a Sony e a Warner a processar judicialmente a TuneIn. Assim, quem vive no país do mítico radialista John Peel deixará de ter disponível no TuneIn um número considerável de rádios estrangeiras. Claro que os utilizadores podem recorrer a outras aplicações de rádio online ou até a uma VPN... até que algum tribunal considere que todas as aplicações informáticas que facilitam o acesso a milhares de rádios infringem as leis de protecção dos direitos de autor.

É na altura destas decisões que, mais do que nunca, defendo que a Internet jamais poderá substituir por completo as emissões hertzianas. A Internet pode ser alvo de restrições, todavia é muito mais difícil impedir a escuta de uma determinada emissão a não ser empastelando o sinal. Uma estação estrangeira pode fazer-se ouvir no Reino Unido através da Onda Curta; todavia, a única forma que o país teria de prejudicar ao máximo a recepção da rádio seria investir em emissores e antenas que permitissem interferir deliberadamente no sinal hostil. Nada é mais livre do que as ondas electromagnéticas, que não querem saber de culturas, de ideologias políticas, de línguas, de religiões e de outras questões sensíveis que afectam a relação entre humanos. Não querem saber de fronteiras geográficas ou políticas e as únicas leis às quais obedecem são as leis da Física.

sábado, abril 14, 2018

Reino Unido: "Absolute Radio" reduz cobertura diurna na Onda Média!

Mais um triste sinal dos tempos, respeitante às emissões em amplitude modulada na faixa de Onda Média, desta vez vindo do Reino Unido.  A "Absolute Radio", estação de música que, em certa medida, pode ser comparada à M80 portuguesa,  vai reduzir a cobertura diurna na faixa de Onda Média, de cerca de 90% da população para 85%. Esta decisão já terá sido aprovada pela Ofcom (a congénere britânica da ANACOM) e visa, à semelhança do que já aconteceu, infelizmente, com muitas estações (incluindo por cá, a Rádio Sim), a redução de custos; tal será feito à custa do encerramento de alguns emissores e a redução da potência de outros (Brookmans Park, Droitwich, Moorside Edge, Westerglen e Washford).

Com as alterações técnicas aprovadas e que deverão ser implementadas em breve, algumas zonas do território britânico perderão o sinal hertziano analógico da estação (não obstante, grande parte da população poderá ouvir a "Absolute Radio" também por via digital através do sistema DAB, além de estar igualmente disponível em vários serviços de televisão e, naturalmente, também pode ser escutada via Internet). De referir que a rádio também é servida via FM em Londres e no condado de West Midlands. Voltando à Onda Média, não deixa de ser curioso notar que, mercê da redução de interferência entre emissores (por operarem com menos potência), há um pequeno conjunto de regiões onde a recepção, em vez de piorar, deverá melhorar. Por cá, em Portugal, a "Absolute Radio" é audível de noite nas diversas frequências em que opera (maioritariamente nos 1215 kHz, mas também nos 1197, 1233, 1242 e 1260 kHz).

E assim a Onda Média vai, infelizmente, e de forma lenta, morrendo...

sábado, maio 20, 2017

"Radio Caroline" galha licença para emitir legalmente em Onda Média!

Quanto tempo pode uma estação esperar até conseguir ganhar, num concurso público, uma licença de rádio? No Reino Unido, 53 anos. Refiro-me à "Radio Caroline".

Para quem eventualmente nunca tenha ouvido falar desta mítica estação, a "Radio Caroline" arrancou clandestinamente em 1964, transmitindo em Onda Média a partir de um emissor instalado num barco (MV Mi Amigo). Numa era em que a oferta radiofónica no Reino Unido era limitada à BBC e a escassas estações privadas, a Radio Caroline consistia numa rádio rock orientada para os jovens da época, que não se reviam na escassa oferta de música rock na rádio pública britânica.

Não sendo uma rádio "pirata" (no sentido em que tecnicamente operava em águas territoriais internacionais, pelo que, por si só, as autoridades britânicas não tinham jurisdição para a silenciar), A estação teve de encerrar em 1968, quando o barco foi apreendido e levado para Amsterdão.

Depois de vários anos de peripécias (para quem domina o inglês, aconselho a leitura da história da estação), a "Radio Caroline" passou a emitir via satélite e, mais tarde, via Internet. Não obstante, a estação chegou a emitir pontualmente em FM ou em DAB, através de licenças temporárias da OFCOM (o equivalente da ANACOM e da ERC no Reino Unido).

Se a legalização era uma velha ambição da rádio, eis que. no mês de Maio de 2017, a Radio Caroline conseguiu uma licença da OFCOM, para operar em Onda Média. Ainda não se conhecem pormenores técnicos como a frequência ou a potência, todavia sabe-se que o emissor - que, fazendo jus à tradição, deverá operar a partir de um barco - servirá a região de Suffolk, bem como algumas zonas da região de North Essex. Sim, 53 depois, a Radio Caroline pode ter o privilégio de emitir de forma completamente regularizada, dentro das normas legais em vigor por terras de Sua Majestade.

Numa frase: uma excelente notícia para os ouvintes e para os entusiastas da rádio em Onda Média. A Onda Média está morta? Ainda não, felizmente!

terça-feira, abril 21, 2015

DAB/DAB+: o futuro da rádio?

Na sequência do anúncio do agendamento do switch-off das emissões VHF-FM na Noruega em 2017, que correu o mundo, importa aproveitar a ocasião para lançar uma reflexão sobre a rádio digital e, em particular, o DAB.

Declaração de interesses: nunca tive a oportunidade de escutar uma emissão DAB, nem tão-pouco dispus alguma vez de um receptor digital. Sou, todavia, a favor da rádio digital e das verdadeiras inovações que esta pode trazer para o ouvinte. E emprego a expressão "verdadeiras inovações" porque nem tudo o que foi prometido está a ser, na prática, oferecido. Neste contexto, importa analisar a actualidade da rádio digital na Europa e no mundo.

Sendo a Noruega o país ou um dos países mais avançados na cobertura e na oferta digital, a vizinha Suécia emite vários serviços, servindo 35% da população. Curiosamente, a Finlândia teve alguns testes, mas decidiu-se por desactivar as emissões DAB.

Um pouco mais a Sul, a Dinamarca é dos poucos países onde o DAB/DAB+ também tem apresentado resultados razoáveis. Outros países com uma oferta interessante no DAB são a Alemanha e a Suíça.

Todavia, vale a pena destacar o Reino Unido, pela sua larga oferta no DAB. Aliás, diria que a oferta é demasiada para o espectro disponível, já que obriga as rádios a apresentarem uma qualidade de som que deixa a desejar. Para melhor elucidar o leitor, podemos dizer que uma emissão em MPEG-2 (formato adoptado no DAB) a 192 kbps é mais ou menos equivalente, em termos de qualidade sonora, a um ficheiro MP3 a 128 kbps. Pois bem, existem rádios britânicas que operam no DAB ao impressionante bitrate de 64 kbps em MP2, obviamente. Note-se que o MP2 (MPEG-2) é um codec menos eficiente que o conhecido MP3, pelo que 64 kbps no DAB podem ser semelhantes ou até pior que 48 kbps em MP3. E como se não bastasse o bitrate ridículo, muitas rádios apresentam a inovação (ironia) da... monofonia. Porque emitir em estéreo ocupa mais "espaço" no ensemble, isto é. o canal.

Fazendo uma analogia relativamente pobre, imaginemos que um ensemble DAB é um autocarro onde se sentam os passageiros (estações de rádio). Suponhamos agora (cenário absurdo na vida real, mas que tem de ser utilizado neste caso) que não há uma lotação fixa, podendo o veículo comportar, digamos, de 10 passageiros (se forem relativamente gordos) até 20 (se forem pessoas muito magras). Existem duas possibilidades: transportar menos gente mas com maior estatura física (menos estações mas maior bitrate), ou obrigar os passageiros a perderem peso para que caibam todos no autocarro (mais rádios , com bitrates mais baixos e, eventualmente, som mono).

Pois bem, os operadores britânicos optam por ter muitas estações de rádio; no caso da BBC, a Radio 3 utiliza um bitrate de 160 a 190 kbps. As Radio 1, Radio 2, Radio 6 Music e a Radio 1 Xtra operam a 128 kbps estéreo. Todavia, as restantes rádios públicas no mesmo ensemble utilizam bitrates de 64 a 128 kbps... com som mono! Um cenário equivalente ocorre nas emissoras nacionais privadas. Em suma, as rádios britânicas apresentam uma qualidade de som no DAB que atinge o limiar do minimamente aceitável. Ironicamente, por cá em Portugal e por todo o mundo, alguns detractores da Onda Média apresentam o argumento do DAB para defender o fim da faixa e a melhoria da qualidade de som... Qualidade de som à parte, o Reino Unido é também dos escassos países com uma grande oferta de rádios e cobertura radioléctrica em DAB. Saliente-se o facto de o DAB já ser um sistema ultrapassado pelo DAB+, tecnologia que actualiza a rádio digital com um codec mais eficiente, além de outros melhoramentos.

Constrastando com os casos de aparente sucesso do DAB descritos, outros países europeus desactivaram ou reduziram drasticamente o serviço. É o caso de Portugal, Espanha (cobertura apenas de Madrid e Barcelona), Grécia (também desactivou) e Mónaco. Outros países como a França e a Itália têm alguns serviços DAB/DAB+ em fase de testes.

Fora da Europa, existe DAB/ DAB+ na Austrália, Indonésia, Hong Kong, entre muitos outros países que efectuam testes e/ou já dispõem de emissões regulares digitais.

Saliente-se que o DAB(+) não é o único sistema presente no mundo, havendo também o DRM, DMB e HD Radio. Este último (HD Radio) é essencialmente utilizado no continente americano.

A rádio digital é o futuro? Sim, mas cá estaremos para acompanhar a evolução da tecnologia e da rádio no contexto desta nova tendência europeia e até mundial.