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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Dia Mundial da Rádio

Hoje não é mais um Dia Mundial da Rádio. É,  na verdade, o dia em que se deve falar de duas situações recentes, em Portugal, em que a rádio foi (e ainda é) fundamental para informar os portugueses do que aconteceu e estava a acontecer.

Dia 28 de Abril de 2025. Portugal ficou, subitamente, sem energia eléctrica em todo o país. Os routers da Internet que temos em casa, ficaram sem energia. Os televisores, idem. Os telemóveis não podiam ser carregados a não ser no carro ou recorrendo a um power bank. E mesmo nem todas as antenas das operadoras de telecomunicações conseguiram manter-se activas durante tantas horas. Qual a fonte de informação que sobreviveu o dia todo até ao restabelecimento da luz? A rádio, e, em especial,  a rádio pública.

Milhões de portugueses voltaram a descobrir a "magia" de rodar o botão do rádio a pilhas. E os receptores esgotaram nas lojas.

A rádio evitou que muitas pessoas sofressem com um apagão duplo: como não bastava o apagão eléctrico, se não fosse a rádio a funcionar haveria um "apagão" informativo, que privava as pessoas de saberem o quê,  onde e como as coisas aconteciam para tentar recuperar a normalidade.

Menos de um ano depois, a depressão Kristin atingiu com força algumas zonas do país, em especial na região Centro. Em poucas horas, muitas casas sofreram danos e, para complicar as coisas, muitas zonas ficaram sem electricidade e sem sinais das redes móveis. Em Leiria, na Marinha Grande, em Ourém e noutros concelhos, muitos moradores ficaram sem ter acesso à televisão ou à Internet. Nem sequer podiam fazer uma chamada telefónica. O único meio de informação em tempo real que conseguiu chegar a toda a região foi a rádio. Mais uma vez, o bom e "velho" rádio a pilhas ou a bateria continuou a funcionar. E ainda no dia de hoje existem locais onde existem populações que ainda não têm acesso à electricidade ou ao telemóvel.

A Rádio não se calou. E nem mesmo a queda da torre da rádio pública na Serra de Montejunto, ou a da torre da Rádio Observador em Leiria, impediram as rádios de colocar em funcionamento soluções provisórias para assegurar as emissões nas condições possíveis. Mais uma vez, a rádio salvou muitos portugueses de sofrerem um "apagão" a nível da informação. 

E por falar em problemas técnicos, não posso deixar de referir as pessoas "invisíveis" aos ouvintes, mas que são essenciais para que as ondas de rádio cheguem à antena do receptor: os técnicos das estações de rádio, que muitas vezes têm de subir a torres, ao sol ou à chuva, com calor ou com frio, às vezes com neve e até granizo. Cumprem a missão de restabelecer as emissões, mesmo aceitando o sacrifício de trabalhar, não raras vezes, em condições muito desagradáveis. Como ouvinte, quero agradecer, a todos os técnicos, o empenho e dedicação na resolução dos problemas que impedem que os ouvintes escutem satisfatoriamente as rádios.

As rádios não são apenas as nacionais e as regionais. Há ainda, embora, infelizmente, cada vez menos, rádios locais. E num dia em que os efeitos do mau tempo ainda se fazem sentir, não esqueçamos as rádios locais afectadas pela calamidade. Urge apoiarmos as rádios que sofreram prejuízos significativos com os fenómenos metereológicos; em especial, as rádios que perderam as torres de emissão. 

Entre as várias iniciativas que as rádios têm neste dia 13 de Fevereiro, destaco as emissões especiais da Antena 1, Antena 2, Antena 3 e da RDP Internacional, realizadas a partir das regiões mais afectadas pela Kristin. A rádio pública tem estado, desde as 7h e até às 10h, no Quartel dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande; entre as 16 e as 18h vai estar na Biblioteca Municipal de Pombal e, desde as 7h e até às 19h, tem estado também em directo da Praça Caffé - Praça Rodrigues Lobo, em Leiria. 

Não termino sem agradecer também a todos os jornalistas e demais profissionais das rádios o trabalho que desenvolvem em prol dos ouvintes, mormente aqueles que dependem exclusivamente da rádio para conseguir saber o que se passa na sua terra, na sua região, no país e no mundo. Viva a rádio!

Actualização (10h15): a rádio pública cancelou as emissões especiais a partir da Marinha Grande e de Pombal, devido à situação complicada que decorre em Coimbra e nas margens do Rio Mondego.




quinta-feira, fevereiro 13, 2025

Dia Mundial da Rádio


No Dia Mundial da Rádio importa falar no que mais importa para a rádio: os ouvintes. Porque sem ouvintes não vale a pena haver rádio.

Sejam 10 ou sejam 10 milhões, os ouvintes são a razão da sobrevivência da rádio mesmo na era da televisão, da Internet e, em particular, das redes sociais. Numa época onde existem inúmeros meios tecnológicos para entretenimento, a rádio continua viva se conseguir transmitir conteúdos apelativos a um auditório que vai mudando ao longo dos anos. Para isso, tem de saber adaptar-se às novas tendências de consumo de informação, de música, de desporto, e de outras áreas. Há ouvintes que se perdem, há ouvintes que continuam a ser ouvintes e há novos ouvintes que têm de ser conquistados e mantidos.

Na era do Spotify e do TikTok, as rádios têm de olhar, sem prejuízo das gerações adultas, também para os jovens, que tendem a ouvir menos rádio, e compreender como podem seduzir os adolescentes e os jovens adultos para que estes comecem a gostar de ouvir as estações de radiodifusão. É fundamental saber inovar não só na tecnologia mas, e sobretudo, nos conteúdos, mostrando ao público jovem que ouvir rádio é divertido e interessante. As rádios, mais do que "máquinas de debitar músicas a seguir a músicas", têm de ser feitas de humanos para humanos. Profissionais que têm um discurso apelativo, que riem, que choram, que se emocionam e fazem emocionar. Por muitas qualidades que a Inteligência Artificial tenha hoje e vai ter no futuro, nunca será humana e jamais exaltará sentimentos. Pensemos nisto.

Quero aproveitar para agradecer a todos os profissionais das rádios o trabalho desenvolvido em prol dos ouvintes. Sem locutores, sem jornalistas, e sem técnicos, a rádio não pode funcionar. Tantos profissionais que, nomeadamente em Portugal, não ganham o que mereciam ganhar. Muito obrigado pelo vosso trabalho!

Muitas rádios comemoram, de uma forma ou de outra, este dia, mas permitam-me que destaque uma iniciativa: a RUC (107,9 MHz Coimbra) vai realizar, a partir das 18h, uma emissão especial em directo durante 24 horas, com o objectivo de angariar fundos para a renovação dos estúdios.

A rádio está viva e, neste dia mundial, podemos gritar: viva a rádio!

terça-feira, fevereiro 13, 2024

Dia Mundial da Rádio

Hoje celebra-se mais um Dia Mundial da rádio e importa falar sobre rádio. Muito se fala da rádio do passado e do presente mas é fundamental pensar o futuro do meio.

Podia debruçar-me sobre as novas tecnologias de transmissão de rádio, como o DAB+ ou novos codecs para emissão online, mas, de que serve as novas tendências da eletrónica e da informática se a rádio faz-se sobretudo de ouvintes?

Não tenho a menor dúvida que o grande desafio que as estações de rádio têm e cada vez mais terão de superar é não só segurar os ouvintes habituais como também, e principalmente, conseguir que um público mais jovem, que cresce na geração dos serviços de streaming de música, das plataformas digitais como o TikTok e dos podcasts comecem a gostar de ouvir rádio. Eu temo que as estações que se limitam a ser pouco mais do que máquinas a tocar música a seguir a música, talvez com um animador que pouco mais diz do que o nome das músicas, as horas e talvez o estado do tempo tenham, a médio prazo, os dias contados. Cada vez mais, é necessário que as rádios percebam que inovar, trazendo conteúdos interessantes e diferenciadores, que cativem os ouvintes, não vai ser uma opção mas sim uma imprescindibilidade para a sobrevivência das estações. A rádio do futuro não pode ser igual à rádio de há 40 anos. E eu acredito que a rádio tem futuro desde que se saiba adaptar a novas realidades de comunicação e de informação. Na rádio do futuro, não basta dizer as notícias por dizer ou tocar músicas por tocar; é preciso que a rádio marque a diferença recorrendo à criatividade, por forma a que diga aos ouvintes alguma coisa que os outros meios não dizem. Não é fácil, claro, mas todos os profissionais terão de estar envolvidos no processo de modernização da rádio.

Uma nota sobre inteligência artificial: também não tenho dúvida que a IA vai ter um papel muito importante no futuro da comunicação social, em especial da rádio. Contudo, os profissionais do meio jamais deverão esquecer-se que a rádio deve ser feita de humanos para humanos, com todas as virtudes e fraquezas da condição humana. Uma rádio de textos escritos e debitados por um computador, que também escolhe as músicas, jamais será uma rádio a sério. Os humanos gostam de ouvir outros humanos a falar com sentimento. Um profissional do microfone é aquele que por vezes ri, outras vezes chora, comete erros, mas não deixa de pensar e de agir como uma pessoa e não como é suposto que um algoritmo implementado num software actue. Por muito avançada que seja a tecnologia, os ouvintes continuarão a ser de carne e osso e vão sempre preferir jornalistas e animadores também humanos.

Não posso terminar sem antes agradecer aos profissionais das rádios o trabalho feito para que a rádio continue viva. Em particular, quero expressar a minha solidariedade com os trabalhadores da TSF, que estão a passar tempos muito difíceis. Esperemos que se concretize a venda da estação a pessoas que queiram voltar a fazer da TSF uma das grandes rádios de Portugal. Viva a rádio!

segunda-feira, fevereiro 13, 2023

13.02.2023 Dia Mundial da Rádio

Hoje é o dia em que a rádio deve ser rainha. Por muitas evoluções tecnológicas que aconteceram e vão acontecer, a rádio continua viva, a informar e a entreter os ouvintes. Vozes que saem quase por magia do altifalante e que despertam a imaginação de quem ouve. Como está vestido o locutor ou se a jornalista usa óculos, ou que expressões faciais revela o comentador desporto enquanto o colega relata o jogo de futebol, não sabemos. Toda a comunicação, ao contrário do que sucede com a televisão ou as redes sociais, se concentra exclusivamente no sentido da audição. Esta simplicidade é um dos segredos do sucesso da rádio: o ouvinte pode estar a viajar, pode estar a trabalhar, pode estar a descansar, não importa; as mãos e os olhos podem estar ocupados com outras coisas, porém os ouvidos estão ocupados com uma voz agradável que diz coisas interessantes e que anuncia boa música.

Dir-me-ão que na era do Spotify e dos podcasts a rádio perde relevância. Contudo, eu discordo. A rádio tem a capacidade de se adaptar a novos tempos e novos desafios. E, de forma muito diferente dos serviços de streaming de música, a rádio não tem de ser uma "máquina" de debitar músicas pela ordem que o ouvinte quer ouvir. A rádio pode e deve ter animadores que têm conversas interessantes antes e depois das músicas, e até com os ouvintes. Os programas de discos pedidos que ainda existem, felizmente, nalgumas rádios locais , ainda têm ouvintes. Também o desporto, sem a imagem, ao contrário da televisão, ganha com a capacidade dos relatadores de descrever por palavras o que os olhos dos ouvintes não podem ver.

A rádio também é jornalismo. Contrastando com as redes sociais, em que qualquer pessoa pode publicar notícias desprovidas de qualquer critério e de exigência, não estando sujeitas à investigação dos factos e a um certo cuidado na forma de abordar os assuntos em causa, na rádio os jornalistas são obrigados a cumprir regras deontológicas e a saber processar e transmitir verbalmente a informação de uma forma clara, fácil de entender pelos ouvintes, mas sem perder o rigor e a isenção. As redes sociais são rápidas a espalhar informação, mas nem sempre essa informação tem o mínimo de qualidade - e pior: pode estar contaminada no sentido no sentido de levar os utilizadores a acreditar nas ideias mais abjectas que não respeitam os valores fundamentais da sociedade em que vivemos, sem que os autores dessas notícias, ao contrário dos jornalistas, possam ser responsabilizados pela forma como o conteúdo foi transmitido e até pela possibilidade de falta de veracidade do mesmo. 

Este Dia Mundial da Rádio de 2023 tem um significado especial, quando o mundo viu no último ano pelo menos duas grandes tragédias onde a rádio continua a ser muito útil para as populações. Há praticamente um ano, a Rússia invadiu regiões da Ucrânia, alimentando uma guerra contra a soberania do país e, sobretudo, contra o povo ucraniano. Provocando ao máximo estragos nas infra-estruturas ucranianas e cometendo os mais bárbaros crimes de guerra, a Rússia priva milhões de ucranianos do acesso a energia eléctrica, destrói antenas de telecomunicações e faz de tudo para aniquilar o país liderado por Zelensky. Apesar de todas as contingências, a rádio ucraniana faz o que pode para se fazer ouvir em todo o país, informando as populações do que está a acontecer. E se a rádio é feita no país para o país, também há rádios internacionais  que, felizmente, emitem na Onda Curta em russo para informar os russos e os russófonos do que se passa no território ucraniano e no mundo. Com um simples rádio de pilhas ou com bateria, que até pode ser carregada através da energia solar ou rodando uma manivela, os ucranianos podem, mesmo que os seus smartphones percam a rede e passem a ser pouco mais do que uma calculadora com câmara, sintonizar uma estação de rádio e ficar a par do que está a acontecer na sua rua, na sua cidade, no seu país.

Há poucos dias, ocorreu um terrível sismo na Turquia e na Síria, matando milhares de pessoas e destruindo inúmeras casas. Muitas pessoas isoladas nas suas casas ou no que resta delas, ou que se refugiaram na rua. Sem electricidade, provavelmente com antenas das redes móveis destruídas, é a rádio que consegue chegar a essas pessoas, prestando informações vitais. É nas grandes tragédias que a simplicidade da rádio é uma enorme vantagem para as populações. A electricidade pode ser cortada, as redes móveis podem falhar, mas a rádio, assim haja gerador no centro emissor e nos estúdios e equipamento mínimo para funcionar, consegue continuar a informar quem a ouve. 

A rádio tem futuro? Sim, tem futuro, assim saiba não cair no erro de querer ser um computador a tocar música sem intervenção humana. Acima de tudo, o futuro da rádio, por maioria de razão numa altura em que existem milhões de serviços  Internet, tem de passar pela qualidade dos conteúdos. Ter programas que despertem o interesse do auditório. Criar conteúdos criativos mas que sejam agradáveis de ouvir e que tragam algo de novo para quem sintoniza. Por mais tecnologia que exista, e como escreveu Antoine de Saint-Exupéry, "o essencial é invisível aos olhos". Contudo, acrescento eu, é invisível aos olhos mas audível aos ouvidos.

Por falar em coisas invisíveis, não termino sem antes agradecer a todos os profissionais das mais variadas estações que todos os dias dão o seu melhor ao microfone para fazer com que os ouvintes gostem de os ouvir. E, longe do microfone, há muitos profissionais cuja voz não ouvimos mas que são fundamentais para o funcionamento da rádio. Técnicos nos estúdios para fazer com que a emissão decorra sem problemas. Gostaria especialmente de destacar, não desfazendo nos demais, aqueles técnicos dos quais praticamente ninguém se lembra. Pessoas que viajam centenas de quilómetros, uns dias com sol, outros dias com chuva, outros com neve a cair, para subirem ao alto da serra e subirem à torre para reparar a antena avariada, no intuito de fazer com que a emissão chegue nas melhores condições aos ouvintes. Autênticos paramédicos da rádio, aos quais há que agradecer o profissionalismo e a coragem de realizar um trabalho difícil mas necessário. A todos, o meu muito obrigado! E, aos demais profissionais, renovo o agradecimento por fazerem com que a rádio continue a merecer ser ouvida em 2023. Viva a rádio!

domingo, fevereiro 13, 2022

13 de Fevereiro de 2022: Dia Mundial da Rádio

13 de Fevereiro é o Dia Mundial da Rádio; o dia da razão da existência do "Mundo da Rádio". Sim, porque a rádio é um mundo e o mundo é também a rádio. Se a rádio não tivesse sido inventada, a História do último século seria totalmente diferente. E o mais interessante? Tudo se resume a um dos sentidos, a audição.

Perguntar-me-ão qual o motivo da sobrevivência da rádio mesmo quando a tecnologia evolui rapidamente. Eu respondo que a capacidade de adaptação, que leva a rádio a modificar-se de modo a conseguir aproximar-se dos ouvintes, incluindo a própria mudança tecnológica, é a razão pela qual a rádio continua viva em 2022. Ao contrário da televisão, a rádio não precisa de caras larocas e, contrariamente à imprensa escrita, os ouvintes não precisam de concentrar a visão num texto.

Esta característica, que confere à rádio o título de meio de comunicação social por excelência para quem está ocupado a conduzir um veículo, a trabalhar numa secretária ou a realizar qualquer outra actividade que rouba a atenção visual, fez com que a rádio continue a ganhar ouvintes e a merecer a preferência de muitas pessoas numa era de emergência de novos paradigmas de comunicação. Certo é que nem a televisão matou a rádio, nem a Internet matou a rádio e estou certo que nenhuma outra tecnologia vai matar a rádio enquanto houver margem para a rádio se transformar para ir de encontro aos interesses dos ouvintes.

Como diz a Rádio Comercial, "em casa, no carro, em todo o lado" - e eu acrescento: a viajar, a trabalhar, a estudar, a relaxar ou a fazer qualquer outra coisa - nem que seja simplesmente rodar o botão do volume. A rádio é o meio de comunicação universal que pode funcionar em qualquer situação.

E se as gerações mais novas podem achar a rádio algo supérfluo, eu refuto pensando que, neste preciso momento em que escrevo este texto, há de haver alguém em Myanmar, na Coreia do Norte, na China, no Irão ou noutro país nada democrático a ouvir, no seu rádio com Onda Curta e às escondidas - inclusivamente a correr risco de vida - uma estação que lhe diz o que o governo do seu país não quer que se saiba. Por todas as razões, viva a rádio!

sábado, fevereiro 13, 2021

13 de Fevereiro de 2021: Dia Mundial da Rádio

Hoje é o Dia Mundial da Rádio, celebrado neste ano de 2021 em circunstâncias extraordinariamente difíceis para todos. Ainda assim, mesmo num contexto inédito em mais de 100 anos como uma pandemia, a rádio não pára.

Em tempos atípicos, em que grande parte do mundo se enclausura num universo circundado por paredes, a rádio permite "ver ouvindo" além do que conseguimos ver através da janela. Em vários países, onde as crianças e os jovens não podem ir à escola mercê da situação epidemiológica, a rádio tem estado, no último ano, a ser a radioescola que chega inclusivamente a quem não têm acesso a outros meios de comunicação, nomeadamente a Internet.

Com efeito, a rádio é um ser polivalente, capaz de se adaptar a novos desafios. Ao contrário da televisão ou de serviços online como o YouTube, na rádio não é necessária a preocupação com a estética visual. Não são necessárias equipas de maquilhagem, cabeleireiros ou técnicos a verificar as luzes. Tudo se concentra num único sentido: a audição.

Esta simplicidade é, muito provavelmente, a principal razão pela qual a rádio sobreviveu à televisão e transformou a ameaça da Internet num aliado; também a concentração de toda a informação sob a forma de som permite à rádio ser escutada mesmo quando os olhos dos ouvintes focam a estrada, o trabalho, os livros de estudo, a receita culinária ou o jogging matinal. Tal versatilidade não existe nos meios onde a imagem visual é fundamental, onde muitas vezes se preocupa demasiado com a aparência física em detrimento do conteúdo da mensagem a transmitir a quem estiver a escutar. Na rádio, o que efectivamente marca a diferença é o conteúdo da mensagem e as qualidades de eloquência de quem articula as palavras em frente ao microfone.

Se tivesse de descrever o maior feito que a rádio fez neste mundo, diria que foi o de revolucionar por completo o conceito de tempo. Ainda que no início do século XX já houvesse telefone, as notícias, os resultados desportivos e a cultura viajavam à velocidade da diligência, do automóvel ou do comboio. Com a chegada da rádio, o desporto, a informação, a cultura e o entretenimento passaram a chegar em tempo real. Muito antes da televisão ou das redes sociais, a rádio mudou por completo o paradigma cultural e social da sociedade.

Muito haveria a acrescentar relativamente à importância da rádio, todavia importa pensar o futuro do meio. Na era do consumo imediato e fútil das redes sociais e do streaming de música, a rádio tem de enfrentar o desafio de se reinventar. Mesmo numa altura de crise sanitária e económica, as rádios terão de saber utilizar da melhor forma possível os recursos de que dispõem. Em 2021 já é caricato haver programas com participantes que intervêm a partir de casa através de reuniões de áudio em plataformas como o Zoom ou Teams em que se nota claramente o som execrável e carregado de artifícios porque o utilizador não soube (nem lhe foram capazes de lhe ensinar a) configurar o software no modo de melhor qualidade de som possível. Em 2021 e com o devido respeito pelo trabalho dos profissionais, já se torna fastidioso escutar certos papagaios adestrados (felizmente há bons radialistas que não o são) que se limitam a palrar, perdão, a anunciar a hora, o estado do tempo e que a seguir vai-se ouvir um tema do artista "X", sem que tais duas ou três frases curtas soem idênticas a outras milhares e despertem o mínimo interesse no espírito do ouvinte. Em 2021, com tantas funcionalidades oferecidas pelos softwares de automação, não deixa de ser lamentável que certas rádios só conheçam 20 ou 30 músicas, repetidas até à exaustão hora após hora. Ao contrário do que possa parecer, não é preciso investir rios de dinheiro para transformar um produto insosso numa rádio minimamente interessante para a audiência habitual e para os novos ouvintes que começam a gostar do que ouvem; basta ter alguma criatividade e espírito de iniciativa para se fazer o que se pode com a prata da casa. Na era do podcasting, há quem use um microfone decente e um computador para produzir a partir de casa conteúdos interessantes. Se um podcaster amador consegue, um profissional de rádio, com a experiência e o conhecimento técnico acumulado durante anos saberá fazer melhor. A rádio não deve ser só música, política e futebol. Há muitos mais assuntos que podem e devem ser devidamente explorados num programa de rádio. Com os meios técnicos existentes e o saber-fazer, existirá, decerto, a capacidade de se criarem conteúdos para rádio que atraiam novos ouvintes. 

Para terminar, vale a pena aproveitar o Dia Mundial da Rádio para visitar de forma virtual e sem sair de casa os estúdios das rádios do grupo Renascença. Por via hertziana ou online, analógica ou digital, feita num estúdio, em casa, num navio ou, quando está bom tempo, até na rua, a rádio existe enquanto houver ouvintes que queiram saber o que ela lhes diz através do altifalante. Viva a rádio!

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

13.02.2020 Dia Mundial da Rádio... e do "Manual da Rádio"!

No "Dia Mundial da Rádio" podia escrever um longo artigo no blogue a falar do que representa para mim a rádio. Todavia, decidi que este ano não escreveria meia dúzia de linhas ou uma folha inteira... Escrevi um pequeno livro.

A todos os visitantes do blogue e do site "Mundo da Rádio", é com o maior prazer que vos apresento o "Manual da Rádio": um pequeno livro digital inteiramente gratuito que tanta explicar de uma forma descomplicada as questões técnicas subjacentes ao funcionamento das emissões de radiodifusão. Que melhor homenagem poderia fazer eu a esta grande senhora, a Rádio, a não ser no seu dia mundial publicar mais de 50 páginas de informação útil para quem não tem muitos conhecimentos técnicos e quer ter uma  noção de como as coisas funcionam?

Não termino sem, neste dia de celebração da que considero ser a maior invenção tecnológica depois da electricidade, agradecer a todos os profissionais de rádio que trabalham todos os dias para informar e entreter os ouvintes. E agradecer a todos os visitantes do "Mundo da Rádio", utilizadores do "Fórum da Rádio" e demais serviços do site e a todos os que falam da rádio nas redes sociais.

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

13 de Fevereiro: Dia Mundial da Rádio

Rádio. Bastam cinco letras para designar o meio de comunicação social que revolucionou o mundo no século XX.No Dia Mundial da Rádio, não poderia deixar de falar na verdadeira essência da rádio - as pessoas.

A rádio é feita por pessoas, para pessoas; é feita por jornalistas que trabalham todos os dias para informar os ouvintes acerca do que se passa na sua terra, no seu país ou no mundo. A rádio é feita pelos animadores que dão a voz a programas. A rádio é feita por quem empresta a sua voz às ondas do éter ou às emissões online. Permitam-me que saúde todos os homens e todas as mulheres que, dia após dia, falam para o microfone de uma estação de rádio, qual dispositivo eléctrico quase mágico que permite à voz humana "viajar" quilómetros e quilómetros até aos aparelhos de recepção dos ouvintes.

Sem menosprezo por quem faz ouvir o som da sua voz através da rádio, gostaria de destacar especialmente aqueles que trabalham nas rádios mas "não têm voz". A rádio funciona porque há homens e mulheres "invisíveis" (melhor dizendo, invisíveis e inaudíveis), pessoas cujos nomes são quase sempre desconhecidos dos ouvintes. Estou-me a referir aos profissionais que, não tendo o protagonismo de quem está à frente de um microfone, são essenciais para que as emissões decorram normalmente e para que os demais funcionários da estação possam trabalhar nas melhores condições possíveis. Gente que trabalha dentro e fora do estúdio ajudando quem tem alguma coisa a dizer ao mundo.

Gostaria de aludir, em particular, aos homens que trocam o conforto dos estúdios pelo calor e pelo frio, aqueles que, no sentido mais literal da expressão, trabalham à chuva e ao sol, à neve e ao nevoeiro, ao vento e ao granizo, ao bom e ao mau tempo, subindo e descendo montanhas e vales. Homens corajosos que sobem e descem torres de Norte a Sul de Portugal e dos outros países. Refiro-me, naturalmente, aos técnicos, quais paramédicos das ondas hertzianas, montam e desmontam antenas, ligam e desligam cabos. Tudo para que a emissão chegue nas melhores condições aos receptores dos ouvintes. Verdadeiros "guerreiros do éter", cujo trabalho que é raramente evocado pelas vozes da rádio (com a honrosa excepção do Provedor do Ouvinte da RTP), é fundamental para que os ouvintes possam escutar as suas rádios favoritas com a melhor qualidade de recepção.

Neste dia especial, gostaria de cumprimentar todos os profissionais da área da radiodifusão que visitam o blogue "Mundo da Rádio", agradecendo o trabalho desenvolvido em prol da rádio. Como referi, a rádio encontra o sentido da sua existência na natureza humana. Quem ouve rádio espera encontrar alguém que fala como um ser humano, pensa como um humano, sente como um humano e age como um humano. Que outra coisa consegue ter um comportamento humano tão natural quanto os humanos a não ser os próprio seres humanos? Por mais evoluídos que sejam os sistemas de automação das emissões de rádio, por maiores evoluções que surjam nas tecnologias, nenhuma máquina será capaz de substituir umas das características intrínsecas à condição humana: ter sentimentos. A extraordinária reacção de riso motivada por uma situação caricata ou de choro perante uma tragédia. Aliás, a capacidade de transmitir, unicamente através da voz tal estado de espírito, despertando a imaginação dos ouvintes. Nenhum algoritmo implementado num software informático será capaz de organizar uma "playlist" que espelhe o pensamento de uma pessoa que selecciona criteriosamente as músicas baseado no seu gosto e na ideia que quer transmitir aos ouvintes.

Numa era em que a tentação por automatizar operações leva à descaracterização de algumas rádios, diria que um computador a "debitar" música escolhida sem critério e com escassa intervenção humana, é um sistema de difusão de música a metro. Não é uma rádio, no verdadeiro sentido da palavra. É uma máquina automática desprovida de qualquer sentimento e incapaz de compreender o ouvinte. Na rádio, o que realmente importa é o som. O som de uma má notícia e o som empolgante de um relato de futebol. O som da música e o som de uma chamada telefónica de um ouvinte. O som, a vibração de ondas sonoras produzida por profissionais no estúdio. Não o som de um computador desprovido de inteligência emocional.

Para terminar, acredito que, se a rádio tem passado, se a rádio tem presente, a rádio terá futuro, assim haja quem tenha algo de útil e interessante a dizer e exista quem queira ouvir. As tecnologias podem mudar, os gostos podem variar, mas a rádio sobreviveu à chagada da televisão e soube adaptar-se à emergência da Internet. Viva a rádio!

terça-feira, fevereiro 13, 2018

Dia Mundial da Rádio

Um dos meus primeiros "companheiros" desta constante viagem pelo mundo da rádio


Em pleno Dia Mundial da Rádio, sinto-me compelido  a lançar  uma questão: onde está a rádio? A resposta, quiçá um pouco inesperada, será, a meu ver, que a rádio está em casa, no carro, no escritório, na fábrica, na rua, no estádio de futebol, no comboio, no autocarro, até no metropolitano, no avião, para nem falar locais menos agradáveis como o hospital ou a prisão. Com efeito, a rádio está em todo o lado, assim haja um ouvinte interessado em ouvi-la e tenha um meio tecnológico (receptor, telefone etc.) para o fazer.

Atrever-me-ia a afirmar que o maior trunfo da rádio sobre os restantes meios de comunicação social, de informação e entretenimento, não será somente facilidade de acesso, mas também a inegável vantagem de se concentrar num único sentido, o da audição. A trabalhar, a estudar ou a viajar, é  possível ter o som da rádio a acompanhar-nos enquanto estamos ocupados com alguma tarefa. Esta flexibilidade contribui para o sucesso da rádio perante o advento de outros meios, como a televisão ou a Internet, que poderiam ameaçar o futuro da rádio. Em vez disso, a rádio soube adaptar-se a novos paradigmas de comunicação, mantendo a sua inconfundível "magia", que atrai milhões de ouvintes em todo o mundo.

Não podemos ignorar que o perfil de consumo das emissões radiofónicas mudou ao longo dos anos. As novas tecnologias influenciam a forma como se ouve rádio e se acede aos conteúdos oferecidos pelas estações de rádio; a emergência da Internet veio quebrar as barreiras geográficas que limitavam o alcance de uma emissão de rádio a uma região, a um país ou até a outros países. A massificação do "online" permite a uma rádio local algarvia ou transmontana fazer-se ouvir em Paris ou Toronto. Nunca, na História da humanidade, foi tão fácil como hoje escolher entre, literalmente, milhares de rádios oriundas dos 4 cantos do mundo e ouvir num aparelho que cabe no bolso. Estou convicto que o grande desafio das emissoras será a produção de conteúdos inovadores que se destaquem entre as inúmeras alternativas, incluindo os serviços de música via "streaming", como o "Spotify" ou a "Apple Music". O "podcasting" é uma ferramenta extremamente útil para aproximar os ouvintes da "sua" rádio, permitindo-lhes ouvir os seus programas favoritos onde e quando quiserem. As webrádios podem oferecer conteúdos diferentes dos transmitidos pelas rádios hertzianas. O que não falta, em 2018, são meios  para aproveitar o melhor da Internet a favor da rádio.

Inobstante as considerações anteriores e a título pessoal, eu acredito que a rádio hertziana vai conviver com a rádio "online" por muito tempo. Se a Internet ainda não é um direito universal, não é menos verdade que se trata de um serviço pago, ao qual acresce o custo do equipamento informático para o acesso à rede global (computador, smartphone, tablet etc.). Além disso, a Internet depende de uma complexa infra-estrutura que tem vulnerabilidades que comprometem o seu funcionamento, mormente em situações de catástrofe. A contrastar com estas contingências, um pequeno receptor de rádio hoje pode ser ridiculamente barato e, inclusivamente, pode nem precisar da rede eléctrica ou de pilhas, porquanto tem uma bateria que pode ser carregada por uma pequena manivela (dínamo) ou até por energia solar. As tragédias ocorridas em Portugal no ano passado (2017) demonstraram claramente a importância das emissões FM quando não havia corrente eléctrica, as redes móveis estavam inoperacionais, a televisão não tinha sinal e a Internet fixa também não funcionava. Até a continuação do FM pode ser colocado em causa, como ocorre na Noruega, todavia a rádio hertziana, analógica ou digital (DAB, satélite etc.), apresenta uma versatilidade inigualável, incluindo o acesso gratuito.

Para terminar, é minha convicção que a rádio, no sentido mais genérico da palavra, pode ter futuro, assim saiba arriscar e moldar-se aos interesses e ambições das gerações mais novas. Porque, como dizia Antoine de Saint-Exupéry, "o essencial é invisível aos olhos".

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Dia Mundial da Rádio

No Dia Mundial da rádio, não podia deixar de lembrar a importância que a rainha dos meios de comunicação social teve, tem e terá no mundo. Qual camaleão, a rádio tem enfrentado os desafios do futuro perante a emergência de novas formas de comunicação e entretenimento.

A História tem demonstrado que, para sobreviver não basta revelar-se o mais forte, porquanto se torna fundamental desenvolver uma capacidade de adaptação a novas circunstâncias, incluindo novos tempos. Se a televisão não matou a rádio, o advento da Internet foi visto pelas rádios como uma oportunidade e não como uma ameaça iminente. A rádio soube conjugar a tradição com as novas técnicas de comunicação, nomeadamente as redes sociais. Numa era em que existem serviços como o Spotify, entre outros, que oferecem milhões de músicas para serem escutadas onde e quando o utilizador quiser; num contexto onde as pessoas lêem as notícias na Internet, importa, às rádios, oferecer factores positivos de diferenciação relativamente às novas tendências proporcionadas pela massificação da Internet.

Ainda que o "online" tenha vindo para ficar, sendo claramente a tendência do futuro, não acredito que a rádio tradicional, por via hertziana,  seja substituída pelas emissões via Internet. Que o futuro da rádio vai ser digital, não tenho dúvidas - e a Noruega está a ser o primeiro país do mundo a digitalizar na íntegra o sector da radiodifusão. Seja DAB, DAB+, DRM ou outra tecnologia, a rádio hertziana continua a apresentar vantagens dificilmente reproduzíveis na rádio via Internet: é de acesso gratuito, a transmissão não depende do número de ouvintes, as estações não têm de depender da complexa rede de computadores e equipamentos de rede que constitui a Internet e, por último, porém não de somenos importância, apresenta uma grande flexibilidade na hora de assegurar a emissão e a recepção, mesmo em situações extraordinárias, como catástrofes. O jornal precisa de papel, a televisão precisa de um televisor e de electricidade; a Internet exige um telefone, tablet ou computador, além da ligação propriamente dita. Todavia, na óptica do ouvinte, a rádio pode limitar-se a um pequeno aparelho de bolso, que até pode ser alimentado por energia solar ou através da rotação de uma simples manivela do dínamo. 

Se tivesse de descrever em três palavras o conceito de rádio, diria que rádio é democracia. Não no sentido estritamente político do termo, mas na perspectiva de um ouvinte que, sendo rico ou pobre, more numa grande cidade ou no meio do nada, tem um meio fácil e gratuito de acompanhar o que se passa no mundo - tudo à distância de um botão e com a flexibilidade que a rádio oferece - ao contrário do espectador da televisão ou o utilizador das redes sociais, o ouvinte de rádio pode estar a trabalhar, a estudar ou simplesmente a descansar, sem ter de estar com os olhos postos num ecrã. Até em países governados por um regime político ditatorial e extremamente austero e implacável como a Coreia do Norte, por exemplo, há quem arrisque a pena de morte para ouvir ou fazer os compatriotas ouvir palavras de liberdade transmitidas por dissidentes e refugiados políticos. Com efeito, é inegável a polivalência da rádio enquanto elemento de influência da sociedade, aliando o entretenimento à informação, o desporto à cultura, a música à ciência. Mais de um século volvido da primeira transmissão de palavras e música através de ondas electromagnéticas, continua a fazer sentido a existência da rádio.

A todos os profissionais e colaboradores das rádios, o meu muito obrigado pelo trabalho em prol do melhor meio de comunicação social alguma vez inventado! Viva a rádio!

sábado, fevereiro 13, 2016

"Fórum da Rádio" renasce!

Como dizia o grande poeta Fernando Pessoa, "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce". Das cinzas do mais popular serviço do "Mundo da Rádio", renasce, qual fénix, o espaço pelo qual muitos dos visitantes almejavam há uns anos. O novo "Fórum da Rádio" está oficialmente inaugurado no dia 13 de Fevereiro de 2016, coincidindo simbolicamente com o Dia Mundial da Rádio.

Encarando a grande complexidade do processo de migração (que levou a algumas tentativas sem grande sucesso, pela grande quantidade de dados a ser copiada), bem como o facto de, por razões alheias ao servidor do "Mundo da Rádio", algum material, mormente fotografias de emissores, já não se encontrar disponível, mercê da remoção dos ficheiros pelos serviços de alojamento onde se encontravam, restavam duas possibilidades: ou adiava-se sine die a migração "à unha", vulgo copy-paste, dos conteúdos dos dois fóruns anteriores, ou criava-se um fórum novo de raiz, mantendo os antigos apenas para consulta. Perante a inviabilidade prática da primeira, qual obra de Santa Engrácia, e a grande motivação de alguns dos antigos membros do Fórum, optei pela segunda, criando um novo "Fórum da Rádio".

O novo espaço já pode ser visitado através do endereço:  http://www.mundodaradio.org/forum/ . Espero que seja do agrado dos antigos e dos futuros novos membros da comunidade.


sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Renascença em "Open Day" na véspera do Dia Mundial da Rádio... e a despedir-se dos estúdios da Rua Ivens

A Rádio Renascença abre hoje os estúdios da Rua Ivens, em Lisboa, aos ouvintes que queiram conhecer as pessoas e os equipamentos que asseguram as emissões dos quatro canais de rádio do grupo r/com.
Este "OpenDay" reveste-se de uma importância particular, porquanto será o último nos estúdios do Chiado, utilizados desde 1937. Com efeito, a r/com prepara-se para abandonar o histórico edifício, mudando-se, de armas e bagagens, até ao mês de Junho, para a Quinta do Pastor, entre Benfica e a Buraca.
Está mudança, há muito ambicionada pela emissora católica portuguesa, vai oferecer um espaço de 4000 metros quadrados, com capacidade para desenvolver novos projectos no campo das transmissões via Internet, realização de concertos, entre outras potencialidades. O terreno da Quinta do Bom Pastor pertence ao Patriarcado de Lisboa, accionista da r/com; trata-se, de facto, do restauro e adaptação do edifício, de forma a albergar todas as estruturas da Renascença, RFM, MegaHits e Rádio Sim, existentes na Rua Ivens. Entretanto, o imóvel do Chiado foi alienado, sendo futuramente convertido num hotel de luxo. E assim, vira-se uma página aos 79 anos de vida de uma das mais antigas emissoras portuguesas.

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

13 de Fevereiro: Dia da Rádio... com direito a uma grande surpresa no "Mundo da Rádio"


Dia 13 de Fevereiro de 2016 vai ser o Dia Mundial e neste "Mundo da Rádio" vai ser comemorado com uma surpresa que deverá aprazer aos visitantes mais assíduos dos serviços disponibilizados pelo sítio.

Para quem almejava há muito, um dos projectos integrados no "Mundo da Rádio", porventura um dos mais populares, renascerá. Não sendo possível regressar ao passado como gostaríamos, podemos olhar para o futuro e construir uma nova empreitada. Fiquem atentos!

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Viva a rádio!



Comemorando o  dia mundial da Rádio, diria que o mundo muda, a rádio muda, as pessoas mudam, mas a rádio jamais morrerá! Nem televisão, nem Internet nem outra tecnologia, conseguiram aniquilar a magia da rádio.

Do centro da maior cidade do mundo a uma pequena ilha deserta perdida no meio do oceano, a rádio é decerto o meio de comunicação mais acessível a qualquer cidadão.  Basta um pequeno receptor que até pode dispensar a rede eléctrica ou pilhas para estar em contacto com a actualidade da região, do país ou até do mundo. E se a rádio fala do mundo, nós prometemos continuar  a falar do "Mundo da Rádio".

Muito obrigado a todos os que fazem com que a rádio exista e esteja viva!


quinta-feira, fevereiro 13, 2014

13 de Fevereiro de 2014: Dia mundial da Rádio

Dia 13 de Fevereiro de 2014: mais um dia mundial em que a rádio é rainha. Mais do que somente um meio de comunicação, a rádio informa, entretém, alegra e entristece. Se tivesse de definir o conceito de rádio, diria que...

A rádio é notícia; para o bem e para o mal, rádio é política,  de Oliveira Salazar passando por Marcello Caetano, Movimento das Forças Armadas,  PREC, democracia, queda do avião onde Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e outros pereceram; rádio é Mário Soares e Mota Pinto; rádio é CEE, incêndio no Chiado lisboeta, buzinão na Ponte 25 de Abril, Expo'98, Euro 2004. Rádio é Troika, austeridade e desespero. A rádio transmite esperança no futuro.

A rádio é uma revolução tecnológica no jornalismo: teve a fantástica inovação de trazer aos ouvintes as notícias em directo, em cima do acontecimento. Durante séculos, notícia de última hora significava ter de esperar dias pela próxima edição do jornal. Com a rádio, a notícia passou a ser divulgada no exacto momento em que se desenrola a acção.

A rádio permite o arranque de revoluções, a rádio constrói personalidades de vários quadrantes da sociedade. A rádio destrói ministros que se decidem por contar anedotas de humor negro aos microfones. A rádio descredibiliza políticos que se esquecem do microfone ligado. Mas a rádio também permite ganhar eleições, credibilizar instituições, lançar ondas de solidariedade e motivar pessoas.

A rádio é desporto: é pedaladas do Joaquim Agostinho, são os golos do Eusébio e do Cristiano Ronaldo; rádio é Rosa Mota, Carlos Lopes, Nelson Évora. Rádio são relatos imortais de Artur Agostinho a Jorge Perestrelo, a Nuno Matos. Rádio são medalhas olímpicas, taças da Liga dos Campeões, europeus e mundiais de futebol. Todavia, a rádio também revela ao mundo autênticas decepções  e até fraudes no desporto.

A rádio é música de A de ABBA até Z de ZZ Top. Rádio é fado da Amália. Rádio é A de Amália Rodrigues, B de Blind Zero, C de Carlos do Carmo, D de Deolinda,... até X de Xutos e Pontapés e X-Wife, Z de ZEM.

A rádio é cultura, é literatura, é arte, é religião, é humor, é debate, é entrevista, é opinião. Rádio é Martin Luther King e Nelson Mandela, rádio é Dalai Dama e José Ramos-Horta.

A rádio é Emissora Nacional, Radiodifusão Portuguesa, Rádio e Televisão de Portugal, Rádio Renascença, Rádio Clube Português, Emissores Associados de Lisboa, Emissores do Norte Reunidos... Rádio é RDP-Rádio Comercial, rádio são rádios locais, é Antena 3, Correio da Manhã Rádio, é TSF, Rádio Cidade e Rádio Nostalgia, é Super FM,  XFM e Rádio Capital. Rádio é Mega FM, Cidade FM, Foxx FM, Rádio Clube, Star FM. Rádio é M80, Rádio Sim, Smooth FM e muitas outras estações.

A rádio é BBC, Deutsche Welle, RFI, Voz da América, Rádio Moscovo / Voz da Rússia, é Rádio Nacional de Espanha e National Public Radio. Rádio é Portugal, é Europa, é África, é América, é Oceania e até Antárctida.  Rádio é Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Faro. Rádio é Alfândega da Fé e São Brás de Alportel. Rádio é Tóquio, é Londres e Honolulu.

A rádio é alegria e liberdade. Rádio é guerra civil espanhola, II Guerra Mundial, Guerra do Vietname e Guerra do Iraque. Rádio é queda da ditadura fascista e instauração da democracia.É capitalismo e comunismo soviético. Rádio são desastres como Chernobyl ou o sismo e tsunami asiático de 2004 mas também festas como a queda do Muro de Berlim ou a morte de Saddam Hussein.

Rádio são pessoas como Marques Vidal ou Maria Teresa Quintas; rádio é Pedro Rolo Duarte, Luís Filipe Barros, António Sérgio, António Sala, sem desprimor por muitos outros profissionais que merecem o maior respeito pela sua carreira aos microfones da rádio.

Rádio é Onda Longa, Onda Média e Onda Curta; rádio é VHF-FM, DAB, DRM, satélite; rádio é computador, smartphone e tablet. Rádio, qualquer que seja o meio de escuta, é companhia nos bons e maus momentos.

De forma lacónica: rádio é passado, presente e futuro. A rádio mudou o mundo e o mundo mudou a rádio. E, do mundo da rádio, venho partilhando as mudanças há 10 anos, neste blog. Porque a rádio é o camaleão dos media: adaptou-se à vinda da televisão, adapta-se ao advento da Internet e, acredito, jamais morrerá enquanto houver quem tiver algo a dizer e existirem pessoas interessadas em escutar.

A todos os profissionais que trabalham incansavelmente dia após dia para que a rádio continue viva, sejam jornalistas, locutores, técnicos, engenheiros de comunicações e muitas outras actividades profissionais, cinjo-me a quatro palavras: muito obrigado por tudo!

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

13 de Fevereiro de 2013 - Dia Mundial da Rádio


Não podia deixar passar o dia 13 de Fevereiro sem recordar que hoje é o Dia Mundial da Rádio. Como proprietário deste blogue, mas sobretudo como um ouvinte de rádio há longos anos, venho, mais uma vez, agradecer a todos os jornalistas, a todos os locutores, aos técnicos e a todos os restantes profissionais que me permitiram e continuam a permitir conhecer novas realidades do país e do mundo através das emissões de rádio. Porque a grande senhora, antiga mas ainda jovem Rádio (que hoje merece a inicial maiúscula) é o meio de comunicação social por excelência, que está em todo o lado em qualquer hora, sobrevivendo a ameaças como a televisão ou a Internet, que em vez de a matarem, obrigaram-na a adaptar-se a novos tempos. Porque a Rádio é a verdadeira inspiração para este blogue, sem a qual este espaço na Internet faria sentido. Mas principalmente porque a rádio revolucionou o mundo, divulgando informação, cultura, música, desporto e tantas outras necessidades da sociedade contemporânea que nunca chegariam onde chegaram sem recurso a um meio de comunicação social simples mas rápido onde basta pouco mais que um microfone para fazer-se ouvir em todo o mundo.

Sem a rádio, o mundo "girava" muito mais devagar; as notícias levavam dias a chegar a todo o país, a cultura estava circunscrita às bibliotecas, aos teatros, às salas de espectáculos; a música limitava-se a concertos ao vivo e às gravações que também levariam muito tempo a chegar a quem quisesse ouvir; o desporto só era acompanhado nos estádios ou, na pior das hipóteses, através do resumo escrito no jornal do dia seguinte. Sem os estudos acerca da propagação das ondas electromagnéticas efectuados graças à rádio, a televisão e a Internet seriam hoje uma miragem. Razões de sobra para comemorar este dia.

Novamente, a todos os profissionais que me ensinaram a gostar da rádio, o meu muito obrigado! A rádio jamais morrerá!

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

UNESCO declara 13 de Fevereiro como o Dia Mundial da Rádio:

A rádio tem razões para comemorar: com mais de 70 anos de existência, a actividade da radiodifusão passou a ter direito a um dia mundial. Na próxima segunda-feira, o mundo homenageia este meio de comunicação social , que nem a televisão ou a Internet foram capazes de o eclipsar. Pelo contrário, a rádio sabe adaptar-se a novos tempos e às respectivas mudanças tecnológicas. 

Do Pólo Norte ao Pólo Sul, a rádio continua a ser o meio mais acessível e eficiente de espalhar notícias e entretenimento à população mundial: os jornais não chegam a todo o lado, a televisão nem sempre é acessível (por razões económicas e/ou tecnológicas), a Internet não está disponível em todo o lado. Todavia, basta a um cidadão comum adquirir um pequeno aparelho (que até pode ser alimentado por corda ou energia solar), para este acompanhar as últimas novidades da sua aldeia ou cidade, do seu país e de todo o mundo!

**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**