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sexta-feira, março 31, 2023

Mais uma triste notícia para quem ouve a Onda Longa: Radio 1 da RTÉ vai desligar para sempre o centro emissor no dia 14 de Abril

Mais uma estação de rádio na Onda Longa a ter, literalmente, os dias contados. A RTÉ irlandesa prepara-se para puxar da tomada a ficha do emissor de Clarkestown/Summerhill da Radio 1 no próximo dia 14 de Abril, encerrando a título definitivo a Onda Longa.

Para quem quiser aproveitar os últimos dias da rádio pública do país dos U2 e dos Cranberries na Onda Longa, basta tentar sintonizar os 252 kHz. Não obstante a interferência da rádio argelina, é possível ouvir em Portugal a RTÉ.

sexta-feira, fevereiro 25, 2022

Rádios de vários países apostam em emissões especiais dirigidas à Ucrânia

 A Ucrânia está em guerra e algumas rádios com cobertura hertziana através da Onda Longa, Onda Média ou Onda Curta realizam agora emissões informativas a cobrir a actualidade do país invadido pela Rússia.

  • A SRR, operador da rádio pública da Roménia, país vizinho da Ucrânia, substituiu a "Antena Satelor" pela "Radio România Actualități" na Onda Longa (153 kHz), reforçando a cobertura radioeléctrica da estação generalista.
  • A britânica BBC tem agora duas emissões diárias em Onda Curta dirigidas à Ucrânia, das 20 h até às 22 h UTC nos 5875 kHz  e  das 14h às 16h UTC nos 15735 kHz. 
  • A rádio americana WRMI passou a emitir, na Onda Curta e todos os dias à excepção das sextas-feiras, o serviço em inglês da Rádio Ucrânia Internacional, das 12h00 às 12h30 UTC, na frequência de 5010 kHz
  • Na Itália, a NEXUS-International Broadcasting Association de Milan aumentou a potência do seu emissor de Onda Média (1323 kHz) e realiza, entre as 19h e as 23h CET, uma emissão dirigida ao país de Leste em confronto bélico.

Infelizmente, o continente europeu voltou a ter uma guerra - e não obstante o desinvestimento na Onda Curta e até na Onda Média e na Onda Longa por parte de muitos países, ainda há estações que se preocupam em usar os poucos meios de que dispõem para informar os ucranianos do que se passa no país - o que pode ser crucial se as forças ocupantes destruírem a rede eléctrica, as redes de telecomunicações, e um pequeno rádio a pilhas que tenha Onda Longa, Onda Média e Onda Curta seja a última ligação de muitos ucranianos ao mundo exterior.

Rádio pública da Polónia emite noticiários em ucraniano, inclusivamente na Onda Longa

A Polskie Radio (rádio pública polaca) anunciou que, devido à situação na Ucrânia, a Rádio 1 (a estação generalista equivalente à nossa Antena 1) passou a emitir noticiários na língua ucraniana.

Importa salientar que a emissão pode ser não só ouvida através da rede de emissores FM, mas também na Onda Longa (225 kHz), cujo emissor em Solec Kujawski/Kabat é audível em grande parte do território ucraniano.

A guerra é uma das principais razões pelas quais as rádios internacionais deviam reconsiderar uma aposta séria no reestabelecimento das emissões em Onda Curta direccionadas à Ucrânia, em ucraniano e russo. Afinal, se as tropas russas desligarem a rede eléctrica da Ucrânia e cortarem a Internet, os ucranianos poderiam ouvir notícias vindas de fontes mais credíveis do que as  submissas ao regime tirano de Vladimir Putin, bastando para tal terem um pequeno rádio portátil com Onda Curta e a pilhas. Como sempre digo, as ondas de rádio não conhecem fronteiras.

quarta-feira, dezembro 25, 2019

183 kHz: "Au revoir, Europe 1 sur Grandes Ondes"

Confirma-se o que já se temia há algum tempo: a "Europe 1", estação de rádio privada francesa cujo centro emissor de Onda Longa (183 kHz) em Felsberg-Berus se situa, curiosamente, na Alemanha, vai encerrar um dos últimos colossos da rádio nesta faixa de frequências. Assim, o sinal dos 183 kHz será, infelizmente, desligado no próximo dia 31. Assim, a estação vai passar a ser ouvida na França através da rede quase nacional em FM e das transmissões via satélite e Internet. A "Europe 1" deverá estar brevemente disponível também na rádio digital DAB+.

Depois do último bastião da Onda Longa da NRK norueguesa ter sido encerrado há pouco tempo, depois de se ver a Argélia e Marrocos desligarem os emissores OL, depois da Alemanha ter fechado de vez toda a rede OL e OM, depois da rádio pública francesa ter despromovido o histórico emissor de Allouis (162 kHz) a uma simples estação utilitária de transmissão do sinal horário, agora é a vez da Europe 1 seguir a política de "desligar a ficha" de um dos emissores de radiodifusão em modulação de amplitude na faixa de Onda Longa mais emblemáticos do Velho Continente; e assim, em tom de consternação, fecha-se, sem a glória de outros tempos, um capítulo na história da rádio na Europa...

domingo, janeiro 01, 2017

Onda Longa: "Au revoir", France Inter (162 kHz LW Allouis)



Há passagens de ano na rádio muito tristes. Quando um dos mais antigos emissores de rádio da Europa fica em portadora, nos 162 kHz, à espera que alguém carregue no interruptor da energia, fica-se a pensar na recordação de uma terra francesa que mal aparece no mapa porém aparecia nalguns receptores de rádio, chamada Allouis, onde até 2017 havia um centro emissor de Onda Longa. Passadas umas horas, o som da estática ocupa o lugar dessa triste portadora, fechando um longo capítulo da história da radiodifusão na Europa. Voltando a Allouis, ao contrário do que contam os livros do Astérix, esta aldeia gaulesa não resiste ao maior inimigo. Neste caso, o das rádios em AM: a pressão das emissoras, inclusivamente públicas, para reduzir custos. Au revoir, France Inter sur Grandes Ondes.

segunda-feira, novembro 16, 2015

Je suis Paris

 
 
A magia da rádio revela-se nos bons e nos maus momentos da História contemporânea.
 
Enquanto o mundo ficava a conhecer as primeiras notícias de um ataque armado em Paris, comecei, na noite do dia 13 de Novembro,  a explorar a faixa de Onda Média, aproveitando os últimos dias da presença gaulesa nesta banda. A programação habitual da France Info, France Bleu e France Inter (esta última na Onda Longa, até 2016), foi substituída por emissões especiais de emergência, informando em tempo real as populações francesas a respeito dos últimos desenvolvimentos no maior atentado terrorista de sempre no país e seguramente um dos maiores, se não o maior, da Europa.
 
De modo semelhante, a estação privada Europe 1, que também opera na Onda Longa, realizou uma emissão especial, acompanhando a actualidade.
 
Há que reconhecer: os jornalistas foram incansáveis na prestação de informações essenciais para os ouvintes, prestando um verdadeiro serviço público numa hora muito difícil para a França. Com efeito, a rádio esteve presente num cenário de terror inimaginável, pelo que era fundamental tentar acalmar a população; o profissionalismo de quem se senta perto do microfone falou bem mais alto que as metralhadoras de execráveis fanáticos homens que se escudam na religião para destruir gratuitamente o dom da vida. Mesmo por cá, em Portugal, a comunicação social,  nomeadamente a rádio, têm estado bem no acompanhamento da tragédia humana que se abateu na cidade-luz.

Pouco mais haverá a dizer que não se resuma à convicção de que o terrorismo não é solução para nenhum problema do mundo e só justifica a acérrima condenação da violência em nome de Deus. Aos defensores da aniquilação da vida humana em nome de uma entidade divina que decerto jamais consentiria com tal barbárie, limito-me a responder em três palavras: liberté, egalité e fraternité. Que a rádio jamais se cale perante tamanhas atrocidades que ameaçam o mundo tal como o conhecemos.

quarta-feira, julho 29, 2015

Radio France: Au revoir, petites et grandes ondes! (*)

Pouco a pouco, os grandes bastiões da Onda Média e Onda Longa vão sendo, paulatinamente, encerrados pelas emissoras públicas de rádio europeias.

A Radio France, operador de serviço público gaulês, vai desactivar de vez as suas emissões em Onda Média e Onda Longa. O calendário já  se encontra marcado: no final do presente ano de 2015, as emissões OM da France Info (603, 711, 1206, 1242, 1377, 1404, 1494 e 1557 kHz) e da Radio Bleu (864 e 1278 kHz) cessarão.

Um ano mais tarde, no final de 2016, o histórico emissor de Allouis (162 kHz - Onda Longa) da France Inter desaparecerá do mapa de emissores OL activos.

A  motivação? Economizar 13 milhões de euros anuais, considerando que o FM, a rádio digital e a Internet servem todos os ouvintes.

É indubitavelmente muito triste, mas resta dizer aos entusiastas do espectro abaixo dos 30 MHz: escutem as emissões gaulesas em OL e OM enquanto podem...


(*) Adeus, Onda Média e Onda Longa

quarta-feira, setembro 24, 2014

Onda Longa: Adio, Adieu, Auf Wiedersehen, Goodbye?

Permitam-me a citação de uma música do José Cid, que, infelizmente, temo que se aplique à última tendência europeia no que diz respeito às emissões em Onda Longa (e algumas em Onda Média).

Após o encerramento da esmagadora maioria dos emissores OL na Rússia, é a vez da RTÉ Radio 1 (Irlanda) desligar o emissor de Clarkstown (252 kHz), no final do próximo mês de Outubro. Note-se que a ocupação desta frequência por parte do primeiro canal da rádio pública irlandesa é relativamente recente (desde Março de 2004, salvo erro) e deriva da desactivação dos emissores de Onda Média do operador, há poucos anos.

Como uma notícia triste não vem só, a Deutschland Radio (Alemanha) vai desligar no dia 31 de  Dezembro todos os seus emissores em Onda Longa, a saber: Donebach (153 kHz), Sehlendorf -Oranienburg (177 kHz) e Aholming (207 kHz). Precisamente um ano depois (31/12/2015), os emissores de Onda Média da Deutschlandfunk verão o mesmo destino.

Os argumentos dos operadores são conhecidos: a esmagadora maioria dos ouvintes está bem servida em VHF-FM, na Alemanha promete-se o reforço da rede digital DAB+, existe Internet, existe satélite, em várias zonas há rádio por TDT ou por cabo, muitos ouvintes tem smartphone ou tablet onde podem ouvir online, etc.

Possivelmente a minha pessoa, bem como o leitor deste artigo, bem como os entusiastas do meio, pertencemos às últimas gerações que vêem como se transmite rádio há mais de 80 anos. Porque as gerações mais novas vão retorquir que a modulação de amplitude tem som roufenho, monofónico, distorcido, com ruído e que é, perdoem-me a expressão de um engenheiro electrotécnico com o qual uma vez discuti o assunto, "uma porcaria" [fim de citação].

Há que reconhecer: é muito mais simpático pegar no smartphone, abrir o "Tunein" e "sintonizar" milhares de estações. Ou rodar o botão do rádio DAB+. Mas para mim jamais será a mesma coisa...