Dia 28 de Abril de 2025. Portugal ficou, subitamente, sem energia eléctrica em todo o país. Os routers da Internet que temos em casa, ficaram sem energia. Os televisores, idem. Os telemóveis não podiam ser carregados a não ser no carro ou recorrendo a um power bank. E mesmo nem todas as antenas das operadoras de telecomunicações conseguiram manter-se activas durante tantas horas. Qual a fonte de informação que sobreviveu o dia todo até ao restabelecimento da luz? A rádio, e, em especial, a rádio pública.
Milhões de portugueses voltaram a descobrir a "magia" de rodar o botão do rádio a pilhas. E os receptores esgotaram nas lojas.
A rádio evitou que muitas pessoas sofressem com um apagão duplo: como não bastava o apagão eléctrico, se não fosse a rádio a funcionar haveria um "apagão" informativo, que privava as pessoas de saberem o quê, onde e como as coisas aconteciam para tentar recuperar a normalidade.
Menos de um ano depois, a depressão Kristin atingiu com força algumas zonas do país, em especial na região Centro. Em poucas horas, muitas casas sofreram danos e, para complicar as coisas, muitas zonas ficaram sem electricidade e sem sinais das redes móveis. Em Leiria, na Marinha Grande, em Ourém e noutros concelhos, muitos moradores ficaram sem ter acesso à televisão ou à Internet. Nem sequer podiam fazer uma chamada telefónica. O único meio de informação em tempo real que conseguiu chegar a toda a região foi a rádio. Mais uma vez, o bom e "velho" rádio a pilhas ou a bateria continuou a funcionar. E ainda no dia de hoje existem locais onde existem populações que ainda não têm acesso à electricidade ou ao telemóvel.
A Rádio não se calou. E nem mesmo a queda da torre da rádio pública na Serra de Montejunto, ou a da torre da Rádio Observador em Leiria, impediram as rádios de colocar em funcionamento soluções provisórias para assegurar as emissões nas condições possíveis. Mais uma vez, a rádio salvou muitos portugueses de sofrerem um "apagão" a nível da informação.
E por falar em problemas técnicos, não posso deixar de referir as pessoas "invisíveis" aos ouvintes, mas que são essenciais para que as ondas de rádio cheguem à antena do receptor: os técnicos das estações de rádio, que muitas vezes têm de subir a torres, ao sol ou à chuva, com calor ou com frio, às vezes com neve e até granizo. Cumprem a missão de restabelecer as emissões, mesmo aceitando o sacrifício de trabalhar, não raras vezes, em condições muito desagradáveis. Como ouvinte, quero agradecer, a todos os técnicos, o empenho e dedicação na resolução dos problemas que impedem que os ouvintes escutem satisfatoriamente as rádios.
As rádios não são apenas as nacionais e as regionais. Há ainda, embora, infelizmente, cada vez menos, rádios locais. E num dia em que os efeitos do mau tempo ainda se fazem sentir, não esqueçamos as rádios locais afectadas pela calamidade. Urge apoiarmos as rádios que sofreram prejuízos significativos com os fenómenos metereológicos; em especial, as rádios que perderam as torres de emissão.
Entre as várias iniciativas que as rádios têm neste dia 13 de Fevereiro, destaco as emissões especiais da Antena 1, Antena 2, Antena 3 e da RDP Internacional, realizadas a partir das regiões mais afectadas pela Kristin. A rádio pública tem estado, desde as 7h e até às 10h, no Quartel dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande; entre as 16 e as 18h vai estar na Biblioteca Municipal de Pombal e, desde as 7h e até às 19h, tem estado também em directo da Praça Caffé - Praça Rodrigues Lobo, em Leiria.
Não termino sem agradecer também a todos os jornalistas e demais profissionais das rádios o trabalho que desenvolvem em prol dos ouvintes, mormente aqueles que dependem exclusivamente da rádio para conseguir saber o que se passa na sua terra, na sua região, no país e no mundo. Viva a rádio!
Actualização (10h15): a rádio pública cancelou as emissões especiais a partir da Marinha Grande e de Pombal, devido à situação complicada que decorre em Coimbra e nas margens do Rio Mondego.