segunda-feira, abril 15, 2019

Rádio Comercial com nova frequência no Alto Minho (94,2 MHz)?

Parece que entrou em funcionamento um novo emissor da Rádio Comercial, que - segundo as informações do utilizador "viana_am.fm" publicadas no "Fórum da Rádio" , se faz ouvir na cidade de Viana do Castelo (que, aliás, já é servida por um emissor da estação nacional da MCR em Darque (89,3 MHz)), e que opera frequência de 94,2 MHz.

Aparentemente, tudo leva a crer que se poderá tratar de um emissor (em fase de testes mediante autorização da ANACOM) localizado em Ponte de Lima e destinado a servir esta vila minhota. Refira-se que o Alto Minho é, quiçá, a região do continente português onde a recepção da Rádio Comercial é mais problemática, em virtude da não existência de um emissor no Muro (Serra Amarela), ao contrário das outras rádios nacionais e da TSF (Rede Regional Norte).

Aos estimados leitores do blogue, apelo a quem possa ter mais informações a respeito desta nova frequência que nos confirme a existência do novo emissor, e, se possível,  a área de cobertura radioeléctrica e a localização do mesmo.

domingo, abril 14, 2019

Morreu Francisco Amaral, autor do "Íntima Fracção"

Uma triste notícia para a rádio em Portugal. Faleceu Francisco Amaral, o autor do "Íntima Fracção", um dos míticos programas de rádio que estreou em 1984, na Antena 1.

Mais tarde, com a saída do profissional para a TSF, o programa foi emitido na rádio jornal até meados do ano de 2003. Depois de regressar numa emissão especial realizada em Dezembro de 2003, transmitida apenas via Internet, o "Íntima Fracção" regressa ao éter em Abril de 2004, numa única edição especial comemorativa do 20° aniversário,  transmitida na Rádio Universidade de Coimbra e na Rádio Universitária do Minho.

A partir de Outubro do mesmo ano, o "IF" regressa à RUC, numa edição semanal de uma hora, sendo igualmente transmitida na  ESEC Rádio online. O programa é também disponibilizado para escuta em podcast, a partir de Dezembro de 2005.

Entre Maio e Dezembro de 2007, o "Íntima Fracção" é transmitido no Rádio Clube Português. Em Abril de 2008, o programa regressa, desta vez através da edição online do jornal "Expresso". Depois de sair do "Expresso", o programa teve algumas edições em podcast até finais de 2017. Poucos meses depois, em Janeiro de 2018, o "Íntima Fracção" volta a ser transmitido numa estação de rádio, a Radar (97,8 MHz Almada) e também disponibilizado em podcast, situação que se manteve até hoje.

Aos familiares, amigos e colegas do Francisco Amaral, apresento as minhas condolências. É triste perder-se um grande profissional e um dos melhores programas de rádio feitos em Portugal. Que descanse em paz. Nem que o programa voltasse através de outro profissional, jamais seria o mesmo.

quarta-feira, abril 03, 2019

Rádios portuguesas trazem "Radiodays Europe 2020" para Lisboa

Uma excelente notícia para Portugal. A cidade de Lisboa foi escolhida para acolher, no próximo ano(2020), o "Radiodays Europe", um evento anual que reúne os profissionais e as empresas e indústrias ligadas ao sector da rádio. A candidatura portuguesa resultou de uma acção concertada entre os três principais grupos de rádio do país, a RTP (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP África e RDP Internacional), a Media Capital Rádios (Rádio Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM) e o Grupo Renascença Multimédia (Rádio Renascença, RFM, Mega Hits e Rádio Sim).

A conferência decorrerá entre os dias 29 e 31 de Março de 2020, no Centro de Congressos de Lisboa. A organização estima a presença de mais de 1600 profissionais de rádios públicas e privadas de mais de 60 países.

É uma notícia que prestigia Portugal e a competência dos profissionais portugueses. Espero que aproveitem bem o evento para melhorar a qualidade da rádio em Portugal, inspirando-se no melhor que é feito na Europa e no mundo.

terça-feira, abril 02, 2019

Rádio pública de mãos dadas a Moçambique

Uma breve nota para destacar o bom exemplo de serviço público que a RTP- rádio tem prestado nesta terça-feira, dia 2 de Abril de 2019. Solidarizando-se com o drama humano em Moçambique, a RTP está a transmitir o espectáculo "Mão Dada a Moçambique" não só na televisão, como também na Antena 1, Antena 3, RDP África e RDP Internacional. Aliás, a solidariedade com as vítimas do ciclone Idai tem sido uma constante no dia de hoje, em particular na Antena 3.

Por falar em serviço público, hoje ficou-se a saber que o PSD quer ouvir o governo e a administração da RTP a respeito da rádio. Espera-se que outros partidos políticos tenham a coragem de assumir a sua preocupação relativa às condições de funcionamento dos canais de rádio do Estado, pagos pelos portugueses.

terça-feira, março 12, 2019

1979-2019: Rádio Comercial celebra o 40º aniversário

A Rádio Comercial está hoje de parabéns. A estação nacional que pertence agora ao grupo Média Capital, iniciou as emissões regulares no dia 12 de Março de 1979, integrada na então Radiodifusão Portuguesa, porquanto é a sucessora (à época nacionalizada) do extinto Rádio Clube Português.

Sob a direcção de João David Nunes, a então RDP- Rádio Comercial marcou a década de 80 em Portugal com uma programação dinâmica destinada a um público mais jovem e menos dado ao conservadorismo em termos de conteúdos e de escolhas musicais que se mantinha nas rádios da altura (sendo certo que havia um pequeno número de estações locais em Onda Média, grande parte do país só escutava quatro rádios, três da RDP e a Rádio Renascença).

A Rádio Comercial teve alguns programas que ficaram para a história da rádio em Portugal. Os anos 80 em Portugal ficaram marcados pelo  "Som da frente", do mítico António Sérgio, o "Rock em Stock", do Luís Filipe Barros, o "TNT - Todos no Top", de Jorge Pego, a "Discoteca", de Adelino Gonçalves, "As Noites Longas do FM Estéreo", o "Café Concerto", da Maria José Mauperrin, entre outros.

Em 1993, o governo do então primeiro-ministro Cavaco Silva privatizou a Rádio Comercial. Depois de alguns anos a operar como estação generalista mas em condições técnicas precárias, entra na direcção da rádio o engenheiro Luís Montez, que converte a Rádio Comercial numa rádio rock, formato que chegou a líder de audiências em finais dos anos 90, mas que, com a saída do actual dono da Altice Arena, termina em 2003.

A partir de 2003, a estação dirigida por Vítor Ribeiro e a partir de 2005 por Pedro Tojal, passa por uma alguma instabilidade, quer nas audiências, quer nas escolhas musicais duvidosas, para nem falar de situações como a de, durante algum tempo, mandar os ouvintes lerem as notícias no "site" da estação porque dava muito "trabalho" ter um jornalista em antena de hora a hora...


Com a chegada do Pedro Ribeiro à liderança da emissora, o projecto vai-se consolidando e recuperando os níveis de audiências, sendo actualmente a rádio mais ouvida em Portugal.

De referir que até a Antena 1 deu os parabéns à Rádio Comercial através do Facebook, num gesto de "fair play" nem sempre visto nos meios de comunicação social portugueses. E, como o povo português esperava, até o actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que até já teve um programa na então RDP- Rádio Comercial, não se coibiu de telefonar para a estação.

Ao Pedro Ribeiro e aos demais profissionais da Rádio Comercial, quero dizer: parabéns pelo bom trabalho. Que venham mais anos de Rádio Comercial!

sábado, fevereiro 23, 2019

Rádio Universidade de Coimbra regressa ao FM em Março

A Rádio Universidade de Coimbra vai voltar ao éter conimbricense no próximo mês de Março. Com efeito, a estação tem estado, desde meados de Outubro do ano passado, a emitir apenas via Internet, porquanto viu a torre de emissão ser destruída aquando da passagem da tempestade tropical Leslie. Segundo a direcção da RUC, a Universidade de Coimbra vai suportar os custos de reparação da torre e do sistema radiante, cujo orçamento ascende a 30000 euros.

As intervenções técnicas necessárias à retoma da emissão na frequência 107,9 MHz deverão iniciar-se na próxima semana, de forma a que a possa estar concluída a tempo da estação comemorar o seu aniversário (33 anos), no dia 1 de Março.

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

13 de Fevereiro: Dia Mundial da Rádio

Rádio. Bastam cinco letras para designar o meio de comunicação social que revolucionou o mundo no século XX.No Dia Mundial da Rádio, não poderia deixar de falar na verdadeira essência da rádio - as pessoas.

A rádio é feita por pessoas, para pessoas; é feita por jornalistas que trabalham todos os dias para informar os ouvintes acerca do que se passa na sua terra, no seu país ou no mundo. A rádio é feita pelos animadores que dão a voz a programas. A rádio é feita por quem empresta a sua voz às ondas do éter ou às emissões online. Permitam-me que saúde todos os homens e todas as mulheres que, dia após dia, falam para o microfone de uma estação de rádio, qual dispositivo eléctrico quase mágico que permite à voz humana "viajar" quilómetros e quilómetros até aos aparelhos de recepção dos ouvintes.

Sem menosprezo por quem faz ouvir o som da sua voz através da rádio, gostaria de destacar especialmente aqueles que trabalham nas rádios mas "não têm voz". A rádio funciona porque há homens e mulheres "invisíveis" (melhor dizendo, invisíveis e inaudíveis), pessoas cujos nomes são quase sempre desconhecidos dos ouvintes. Estou-me a referir aos profissionais que, não tendo o protagonismo de quem está à frente de um microfone, são essenciais para que as emissões decorram normalmente e para que os demais funcionários da estação possam trabalhar nas melhores condições possíveis. Gente que trabalha dentro e fora do estúdio ajudando quem tem alguma coisa a dizer ao mundo.

Gostaria de aludir, em particular, aos homens que trocam o conforto dos estúdios pelo calor e pelo frio, aqueles que, no sentido mais literal da expressão, trabalham à chuva e ao sol, à neve e ao nevoeiro, ao vento e ao granizo, ao bom e ao mau tempo, subindo e descendo montanhas e vales. Homens corajosos que sobem e descem torres de Norte a Sul de Portugal e dos outros países. Refiro-me, naturalmente, aos técnicos, quais paramédicos das ondas hertzianas, montam e desmontam antenas, ligam e desligam cabos. Tudo para que a emissão chegue nas melhores condições aos receptores dos ouvintes. Verdadeiros "guerreiros do éter", cujo trabalho que é raramente evocado pelas vozes da rádio (com a honrosa excepção do Provedor do Ouvinte da RTP), é fundamental para que os ouvintes possam escutar as suas rádios favoritas com a melhor qualidade de recepção.

Neste dia especial, gostaria de cumprimentar todos os profissionais da área da radiodifusão que visitam o blogue "Mundo da Rádio", agradecendo o trabalho desenvolvido em prol da rádio. Como referi, a rádio encontra o sentido da sua existência na natureza humana. Quem ouve rádio espera encontrar alguém que fala como um ser humano, pensa como um humano, sente como um humano e age como um humano. Que outra coisa consegue ter um comportamento humano tão natural quanto os humanos a não ser os próprio seres humanos? Por mais evoluídos que sejam os sistemas de automação das emissões de rádio, por maiores evoluções que surjam nas tecnologias, nenhuma máquina será capaz de substituir umas das características intrínsecas à condição humana: ter sentimentos. A extraordinária reacção de riso motivada por uma situação caricata ou de choro perante uma tragédia. Aliás, a capacidade de transmitir, unicamente através da voz tal estado de espírito, despertando a imaginação dos ouvintes. Nenhum algoritmo implementado num software informático será capaz de organizar uma "playlist" que espelhe o pensamento de uma pessoa que selecciona criteriosamente as músicas baseado no seu gosto e na ideia que quer transmitir aos ouvintes.

Numa era em que a tentação por automatizar operações leva à descaracterização de algumas rádios, diria que um computador a "debitar" música escolhida sem critério e com escassa intervenção humana, é um sistema de difusão de música a metro. Não é uma rádio, no verdadeiro sentido da palavra. É uma máquina automática desprovida de qualquer sentimento e incapaz de compreender o ouvinte. Na rádio, o que realmente importa é o som. O som de uma má notícia e o som empolgante de um relato de futebol. O som da música e o som de uma chamada telefónica de um ouvinte. O som, a vibração de ondas sonoras produzida por profissionais no estúdio. Não o som de um computador desprovido de inteligência emocional.

Para terminar, acredito que, se a rádio tem passado, se a rádio tem presente, a rádio terá futuro, assim haja quem tenha algo de útil e interessante a dizer e exista quem queira ouvir. As tecnologias podem mudar, os gostos podem variar, mas a rádio sobreviveu à chagada da televisão e soube adaptar-se à emergência da Internet. Viva a rádio!