quinta-feira, julho 02, 2020

Última hora: Rádio Renascença nos emissores de Elvas da Rádio Sim... e com RDS!





As frequências da Rádio Sim em Elvas (99,8 MHz e 102,3 MHz) passaram hoje a transmitir a emissão do "Canal 1" da Rádio Renascença, e, pela primeira vez em longos anos de funcionamento dos emissores da antiga "Voz de Elvas" da RR e mais tarde "Rádio Sim - Elvas", com RDS. Curiosamente, o RDS-PS das duas frequências é "__RR____", situação inédita na emissora católica portuguesa, que o utiliza o texto "___RR___" nos restantes emissores. De referir que, aparentemente, os 97,5 MHz Portel da Rádio Sim - Alentejo continuam a tocar a playlist da Rádio Sim.



Actualização: parece que o emissor de Braga (101,1 MHz) também já emite a RR com RDS, o que leva a crer que estamos a assistir ao fim da estação sénior do grupo RR.

Actualização #2: ao que parece, o emissor da Maunça (Batalha) - 95,1 MHz, que serve a região de Leiria/ Fátima , também já emite a RR.

quarta-feira, julho 01, 2020

Projecto Eira: rádio temporária em S. Gregório (Caldas da Rainha) - 101,0 MHz

Encontra-se em funcionamento uma rádio temporária na aldeia de São Gregório, no concelho das Caldas da Rainha. A estação, que estará no ar até ao próximo dia 12 (mas volta em Outubro e Dezembro), encontra-se inserida no projecto "Eira" da Osso- Associação Cultural, está disponível no FM em São Gregório na frequência de 101,0 MHz e através de emissão online.

quarta-feira, junho 17, 2020

"Regresso ao Futuro": Rádio Comercial e RFM passam apenas música portuguesa na próxima sexta-feira (dia 19 de Junho)

Antecedendo o festival "Regresso ao Futuro", evento que decorrerá em várias zonas do país onde se realizarão concertos de artistas portugueses e que se destina a apoiar os artistas que ficaram sem rendimento por causa da pandemia, a Rádio Comercial passará exclusivamente música portuguesa entre as 7 horas e a meia-noite da próxima sexta-feira, dia 19 de Junho. A rival RFM vai mais longe: na próxima sexta, a rádio das "grandes músicas" tocará igualmente apenas músicas portuguesas mas durante 24 horas, da meia-noite de sexta à meia-noite de sábado.

Uma excelente iniciativa por parte das duas rádios. Será pedir demais que as duas rádios saibam apresentar playlists variadas, não concentradas unicamente nos artistas dos "tops" e "das músicas que se ouvem em todo o lado". A música portuguesa não é só Xutos, Diogo Piçarra, Bárbara Tinoco, Bárbara Bandeira, João Pedro Pais, Anjos e pouco mais. O meu repto aos senhores da Rádio Comercial e da RFM: e que tal, por um dia, ouvir-se na Comercial e na RFM, artistas e bandas como os Cassete Pirata, Filipe Sambado, Linda Martini, Márcia, Lena D' Agua, Capitão Fausto (não apenas um ou dois temas mais conhecidos), além de alguns temas mais antigos dos Clã (a par de um ou dois do novo disco), entre outros exemplos? A música portuguesa não é feita somente de músicas tocadas até à exaustão nas rádios.

terça-feira, junho 02, 2020

Rádio Comercial na Madeira e nos Açores: para quando?

Na antevisão do espectáculo "Deixem o Pimba em Paz", que foi transmitido pela Rádio Comercial, o director da estação, Pedro Ribeiro, disse que não deixaria de aproveitar a presença do Primeiro-Ministro para lhe transmitir a frustração por parte do operador derivada da falta de cobertura radioeléctrica (no FM) da emissora nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, que não terá sido até agora autorizado a estender a rede de emissores às ilhas.

Esta é uma questão antiga mas que merece ser abordada neste blogue. Durante muitos anos, as únicas rádios ditas nacionais que se escutavam nos arquipélagos eram as rádios públicas (e mesmo assim a Antena 3 só chegou ao FM açoriano há dez anos). Poucos meses depois, foi a vez da Rádio Renascença e da RFM "ganharem" um emissor na ilha de São Miguel e outro na ilha da Madeira.

Entretanto, a Rádio Comercial continua a ser uma "rádio nacional excepto Madeira e Açores" em vez de ser uma estação nacional sem aspas, sem asteriscos. Literalmente nacional de Norte a Sul do continente e nas regiões autónomas. O precedente foi aberto: a Rádio Renascença e a RFM são rádios nacionais detidas por um grupo privado (com interesses religiosos mas não deixa de constituir um operador radiofónico com duas rádios nacionais e algumas locais (alguns emissores da Rádio Sim e da Mega Hits)), autorizadas a emitir nos arquipélagos.

Não está em causa o gosto pessoal de cada um, se gostamos muito ou gostamos pouco da estação da MCR; aos olhos da lei todos os operadores radiofónicos privados com cobertura nacional devem estar em igualdade de circunstâncias. Se existem obstáculos legais à colocação de emissores da Rádio Comercial na Madeira e nos Açores então que o governo e a ANACOM queiram desbloquear esta situação. Não me parece tecnicamente inviável encontrar uma frequência livre no Pico da Barrosa (ilha de São Miguel) e outra na ilha da Madeira, no mínimo. A solução mais razoável seria um emissor na ilha de São Miguel, que servisse o grupo Oriental dos Açores, um emissor na ilha Terceira que chegasse a várias zonas do Grupo Central e um emissor na ilha da Madeira que cobrisse grande parte da ilha. Senhor Primeiro-Ministro, senhoras e senhores governantes, senhoras e senhores da ANACOM, queiram mostrar aos açorianos e madeirenses que as populações insulares têm tanto direito ao acesso às rádios de cobertura nacional quanto as continentais. Portugal é Portugal, incluindo as ilhas!

segunda-feira, maio 25, 2020

A história do arquitecto que morreu... que afinal não morreu!

Se alguém precisa de um bom exemplo do pior que se pode fazer no jornalismo, o jornal online (e rádio) "Observador" noticiou, na passada manhã, a morte do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, aos 98 anos. A notícia foi reproduzida por outros órgãos de comunicação social, incluindo a Rádio Comercial.

Algum tempo depois, o  próprio "Observador" foi obrigado a desmentir a notícia, justificando-se com o argumento de que teve origem num contacto com um amigo próximo ao arquitecto.

Se há regra a seguir sempre no jornalismo, é a que diz que uma informação delicada, como a morte de uma pessoa conhecida, deve ser devidamente confirmada antes de constituir notícia. Foi o "Observador" quem errou, todavia eu manteria tudo o que disse se fosse qualquer outro meio de comunicação a fazer tamanho desconchavo. Pouco importa se se trata de uma publicação conotada com a direita ou a esquerda política, pouco importa se é um jornal nacional ou local, o âmago da questão permanece: não somente atentaram contra a dignidade do visado, como também faltaram ao respeito à família e aos amigos de Gonçalo Ribeiro Telles. Em três palavras: não se faz. Seja num jornal online com uma estação de rádio, seja num jornal sem rádio, seja numa rádio ou até na televisão, um jornalista deve ter muito cuidado com o que vai dizer ou escrever, sobretudo quando num tema eticamente sensível como é o caso da morte humana.

domingo, maio 24, 2020

Rádio Aktiv: a liberdade de se atravessar fronteiras através das ondas de rádio

A edição deste sábado do "Diário de Notícias" inclui um artigo muito interessante, publicado originalmente num site de notícias luxemburguês feito para a comunidade portuguesa e lusófona do Grão-ducado, que fala da Rádio Aktiv, uma pequena estação comunitária, com um raio de cobertura radioeléctrica de cinco quilómetros, que serve as localidades de Echternach (no Luxemburgo) e Echternacher bruck (na Alemanha). Duas terras raianas separadas por uma ponte internacional que, de repente e mercê da pandemia, viram a fronteira ser fechada.

Se as populações se viram isoladas por pelo menos dois meses, num cenário que, salvo as devidas diferenças, faz lembrar uma espécie de "Muro de Berlim sem muro", a Rádio Aktiv continuou a servir os dois países. E como o Luxemburgo tem uma comunidade portuguesa assinalável, a rádio não é feita apenas por luxemburgueses, como tem igualmente portugueses a apresentar programas na língua de Camões, de Fernando Pessoa, de Machado de Assis, entre outros.

As fronteiras podem ser repostas, as pessoas podem ser proibidas de sair de casa, todavia, as ondas electromagnéticas não querem saber de saúde pública, de política ou de outros assuntos humanos; não importa se as pessoas não se podem encontrar umas com as outras, de um ou de outro lado da ponte; a rádio faz chegar a voz do locutor a todas. A fugir de tantas interdições, a "revolução" radiofónica fazia-se com músicas como "Freedom", de George Michael, "I Fought the Law", dos The Clash, ou, pasme-se o leitor,  "Grândola, Vila Morena", de José Afonso. Vale a pena ler o artigo completo.

sábado, maio 23, 2020

" Twój ból jest lepszy niż mój": "lápis azul" da censura "ataca" na rádio pública polaca!

Que a liberdade de expressão é um direito para muitos de nós inalienável, não é menos verdade que, infelizmente, há gente neste mundo que não resiste a laivos de autoritarismo que fazem lembrar outros tempos.

Twój ból jest lepszy niż mój". Traduzindo do polaco, "A tua dor vale mais do que a minha". Este é o título de uma canção do artista Kazik Staszewski, cuja letra critica Jarosław Kaczyński,  líder do partido Lei e Justiça (PIS) actualmente no poder na Polónia, que foi visitar a campa do seu irmão, o antigo presidente polaco Lech  Kaczyński, morto num acidente de avião em 2010, numa altura em que, mercê do confinamento obrigatório imposto aos polacos na sequência da pandemia que o mundo está a enfrentar, ao cidadão comum não era permitido visitar os seus entes queridos no cemitério.

Acontece que a tal canção foi a mais votada dentro da "lista de êxitos" de um programa da rádio pública "Radio Trojka"; não obstante, foi rapidamente removida da lista presente no "site" da estação, o que foi interpretado por muitos como um acto de censura. A polémica estalou no país do pianista Frédéric Chopin e vários profissionais da rádio pediram a demissão. Além disso, vários músicos polacos anunciaram um boicote à estação.

Auto-censura ou pressão política, certo é que parece coisa tirada de um livro de História do século XX, da época em que muitos países tinham comissões de censura a aprovar ou a proibir o que as rádios podiam passar. Velhos tempos em que, por cá em Portugal, a PIDE, quando não apreendia discos, chegava a riscar com um prego o sulco de forma a que determinada canção não pudesse ser tocada devidamente no gira-discos.

Na verdade, muitas rádios públicas, incluindo a famigerada BBC britânica, praticam alguma auto-censura, no sentido de evitar tocar músicas com letra indecente ou que, de outro modo, não sejam aceitáveis numa estação que estabelece um determinado patamar de qualidade. Até em Portugal, a Rádio Renascença sempre baniu alguns temas considerados ofensivos ou atentatórios à moral cristã. Outro tipo de censura, bem mais perigoso, é o que se baseia em critérios políticos ou de outra natureza pouco clara e muitas vezes sem escrúpulos, na tentativa de instrumentalizar uma rádio em nome de uma agenda ideológica. Esperemos que este caso não seja o prenúncio do que está para acontecer na Polónia...