segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Dia Mundial da Rádio

No Dia Mundial da rádio, não podia deixar de lembrar a importância que a rainha dos meios de comunicação social teve, tem e terá no mundo. Qual camaleão, a rádio tem enfrentado os desafios do futuro perante a emergência de novas formas de comunicação e entretenimento.

A História tem demonstrado que, para sobreviver não basta revelar-se o mais forte, porquanto se torna fundamental desenvolver uma capacidade de adaptação a novas circunstâncias, incluindo novos tempos. Se a televisão não matou a rádio, o advento da Internet foi visto pelas rádios como uma oportunidade e não como uma ameaça iminente. A rádio soube conjugar a tradição com as novas técnicas de comunicação, nomeadamente as redes sociais. Numa era em que existem serviços como o Spotify, entre outros, que oferecem milhões de músicas para serem escutadas onde e quando o utilizador quiser; num contexto onde as pessoas lêem as notícias na Internet, importa, às rádios, oferecer factores positivos de diferenciação relativamente às novas tendências proporcionadas pela massificação da Internet.

Ainda que o "online" tenha vindo para ficar, sendo claramente a tendência do futuro, não acredito que a rádio tradicional, por via hertziana,  seja substituída pelas emissões via Internet. Que o futuro da rádio vai ser digital, não tenho dúvidas - e a Noruega está a ser o primeiro país do mundo a digitalizar na íntegra o sector da radiodifusão. Seja DAB, DAB+, DRM ou outra tecnologia, a rádio hertziana continua a apresentar vantagens dificilmente reproduzíveis na rádio via Internet: é de acesso gratuito, a transmissão não depende do número de ouvintes, as estações não têm de depender da complexa rede de computadores e equipamentos de rede que constitui a Internet e, por último, porém não de somenos importância, apresenta uma grande flexibilidade na hora de assegurar a emissão e a recepção, mesmo em situações extraordinárias, como catástrofes. O jornal precisa de papel, a televisão precisa de um televisor e de electricidade; a Internet exige um telefone, tablet ou computador, além da ligação propriamente dita. Todavia, na óptica do ouvinte, a rádio pode limitar-se a um pequeno aparelho de bolso, que até pode ser alimentado por energia solar ou através da rotação de uma simples manivela do dínamo. 

Se tivesse de descrever em três palavras o conceito de rádio, diria que rádio é democracia. Não no sentido estritamente político do termo, mas na perspectiva de um ouvinte que, sendo rico ou pobre, more numa grande cidade ou no meio do nada, tem um meio fácil e gratuito de acompanhar o que se passa no mundo - tudo à distância de um botão e com a flexibilidade que a rádio oferece - ao contrário do espectador da televisão ou o utilizador das redes sociais, o ouvinte de rádio pode estar a trabalhar, a estudar ou simplesmente a descansar, sem ter de estar com os olhos postos num ecrã. Até em países governados por um regime político ditatorial e extremamente austero e implacável como a Coreia do Norte, por exemplo, há quem arrisque a pena de morte para ouvir ou fazer os compatriotas ouvir palavras de liberdade transmitidas por dissidentes e refugiados políticos. Com efeito, é inegável a polivalência da rádio enquanto elemento de influência da sociedade, aliando o entretenimento à informação, o desporto à cultura, a música à ciência. Mais de um século volvido da primeira transmissão de palavras e música através de ondas electromagnéticas, continua a fazer sentido a existência da rádio.

A todos os profissionais e colaboradores das rádios, o meu muito obrigado pelo trabalho em prol do melhor meio de comunicação social alguma vez inventado! Viva a rádio!

sábado, fevereiro 11, 2017

Super FM (104,8 MHz Alcochete): raio destrói instalação eléctrica e equipamento, "calando" o emissor

É o que se bem pode descrever como um grandessíssimo azar... Não bastava os problemas com que a Super FM se depara, a Natureza tinha de pregar a pior das travessuras, comprometendo a emissão hertziana da rádio rock da Margem Sul. De acordo com uma notícia colocada na página da estação na rede social "Facebook", durante uma trovoada que se fez sentir na região, um raio caiu na casota do emissor, destruindo a instalação eléctrica, atingindo não apenas componentes como o quadro eléctrico, mas também calcinou o emissor propriamente dito, o excitador, o link, uma mesa de mistura de apoio e outros aparelhos fundamentais para a emissão FM nos 104,8 MHz.

No meio de tamanha tragédia, a notícia menos má vem da torre de emissão, que escapou ilesa à "fúria dos deuses". As fotos colocadas no "Facebook" falam por si.

Perante esta contingência, a emissão da Super FM limita-se, neste nomento, ao "stream" online e às plataformas da NOS e da Meo. Esperemos que a estação possa recuperar as estruturas de emissão FM de forma tão célere quanto possível.

sábado, fevereiro 04, 2017

RTP vai "matando" a Onda Média da Antena 1...

Já havia tomado conhecimento do facto de o emissor de Faro da Antena 1 em Onda Média não estar operacional, todavia parece que já é oficial: segundo Carlos Gonçalves, em declarações ao sítio MediumWave.info, o emissor em Onda Média da Antena 1 em Faro (720 kHz Meia Légua) foi alvo de vandalismo e a administração da RTP não tenciona investir um cêntimo no seu conserto, pelo que terá o mesmo destino que o emissor de Chaves, ou seja, continuar desligado.

Entretanto, a mesma fonte revela que, na ilha açoriana da Terceira, a torre do emissor de Santa Bárbara (693 kHz) terá colapsado, pelo que se encontra inactivo. Todavia. ao contrário do tratamento concedido aos emissores OM no continente, a RTP irá instalar uma nova antena. Em todo o caso, não deixa de ser profundamente lamentável o clima de desprezo (para não dizer quase abandono) a que está condenada a Onda Média em Portugal...

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Noruega é o primeiro país do mundo a desligar a rádio em FM!

Já é oficial: a Noruega rendeu-se ao lobbying da rádio digital em DAB, cumprindo a triste promessa de desligar, no ano de 2017, a velha mas eficaz rádio analógica.

A partir do próximo dia 11 do corrente mês de Janeiro, as emissões analógicas das rádios nacionais na cidade de  Bodø deixarão de poder ser escutadas, obrigando os residentes a adoptarem à viva força o DAB. E digo "à viva força" porque, segundo um inquérito realizado neste país nórdico, 66% dos noruegueses estão contra a mudança , que ocorrerá em todo o país até ao final do corrente ano. A capital, Oslo, perderá o sinal FM das rádios nacionais em Setembro.

Não obstante, a excepção à regra foi concedida às rádios locais, que poderão continuar a emitir em FM até 2022. Em todo o caso, não deixa de ser preocupante o facto de 2 milhões de carros na Noruega não estarem equipados com auto-rádio DAB, obrigando os seus proprietários a adquirirem adaptadores que chegam a custar 1500 coroas norueguesas, cerca de 160 euros. Pior: milhões de rádios  a pilhas ou ligados à rede eléctrica, nos bolsos dos casacos (telemóveis com rádio FM), nas aparelhagens de som, nas mesas das cozinhas ou no canto da sala tornam-se, literalmente, inúteis.

Para um país com 3,5 vezes a área de Portugal e metade da população portuguesa, é impressionante o poder do operador público de rádio, a NRK e as rádios nacionais privadas, no sentido de forçar a opinião pública a gastar dinheiro com uma tecnologia que vai tornar obsoletos milhões de rádios, colocando até em risco a segurança nacional, porquanto alguns ouvintes que não se apressem a adquirir um receptor DAB podem até perder informações de emergência veiculadas através das ondas de rádio digitais.

Por cá, em Portugal, 13 anos e mais de 11 milhões de euros volvidos, o DAB da RDP/RTP, que emitia a Antena 1, a Antena 2, a Antena 3, a RDP África e a RDP Internacional, morreu em 2011 e não existe neste momento vontade política e dos operadores para seguir o exemplo norueguês. Curiosamente, não muito longe da Escandinávia, um país tão avançado como a Finlândia também abandonou o barco do DAB. Se há países como a Noruega, a Suíça e o Reino Unido onde o DAB tem sucesso, também os há que reduziram drasticamente o perímetro geográfico do DAB (por exemplo, a vizinha Espanha, etc) ou até o eliminaram completamente (Portugal, Finlândia, entre outros).

domingo, janeiro 01, 2017

Parabéns, Rádio Renascença e RFM!

Porque não é todos os dias que uma respeitada emissora celebra os seus 80 anos de vida, há que noticiar o aniversário da Rádio Renascença, que neste dia 1 de Janeiro de 2017 comemora oito décadas de emissões regulares ao serviço de gerações de ouvintes. Fiel aos seus princípios, a emissora católica portuguesa tem resistido, ao longo dos tempos, aos desafios intrínsecos às mudanças de hábito de consumo de rádio, às próprias mudanças na sociedade portuguesa e até aos regimes políticos com que teve de lidar durante 80 anos. Concorde-se ou não com os programas emitidos e as escolhas musicais, a RR é um invulgar exemplo de coerência e credibilidade nos valores e ideais defendidos por uma estação de rádio, mantidos por muitos anos.

Apesar de, relativamente à oferta musical, a RFM já não ser o que era, não seria justo ignorar o aniversário da RFM, que faz hoje 30 anos. A rádio em Portugal também deve respeito à RFM, por onde passaram e passam grandes profissionais. E como são rádios da mesma "família", o grupo r/com, as minhas felicitações estendem-se a todos os profissionais e colaboradores da r/com, que continua a marcar a diferença em Portugal, fruto de tantos anos de experiência na área da radiodifusão.

Onda Longa: "Au revoir", France Inter (162 kHz LW Allouis)



Há passagens de ano na rádio muito tristes. Quando um dos mais antigos emissores de rádio da Europa fica em portadora, nos 162 kHz, à espera que alguém carregue no interruptor da energia, fica-se a pensar na recordação de uma terra francesa que mal aparece no mapa porém aparecia nalguns receptores de rádio, chamada Allouis, onde até 2017 havia um centro emissor de Onda Longa. Passadas umas horas, o som da estática ocupa o lugar dessa triste portadora, fechando um longo capítulo da história da radiodifusão na Europa. Voltando a Allouis, ao contrário do que contam os livros do Astérix, esta aldeia gaulesa não resiste ao maior inimigo. Neste caso, o das rádios em AM: a pressão das emissoras, inclusivamente públicas, para reduzir custos. Au revoir, France Inter sur Grandes Ondes.

sábado, dezembro 17, 2016

Record FM vai avançar para uma cadeia de rádios

A Record FM (107,7 MHz Sintra), estação detida pela "Global Difusion", empresa  da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), vai, a partir de Fevereiro de 2017,  lançar uma rede de emissores que englobará, além da frequência-mãe, as frequências da Rádio Pernes (101,7 e 105,5 MHz Santarém), Rádio Placard (95,5 MHz Vila Nova de Gaia), Liz FM (101,3 Leiria) e Algarve FM (91,8 + 92,4 + 93,7 MHz Silves).

O processo já terá sido viabilizado pela ERC. Como seria de esperar, seguir-se-á, posteriormente, a adição da Antena Sul (95,5 Viana do Alentejo + 90,4 Almodôvar)  à rede.

domingo, dezembro 11, 2016

Algumas notícias breves:


  • À semelhança dos restantes meios do Global Media Group, os estúdios de Lisboa da TSF vão mudar de instalações ao fim de 18 anos. A partir das 2h00, a rádio onde "tudo passa" estará a emitir das Torres de Lisboa. Esperemos que esta mudança possa trazer uma melhoria das condições logísticas para a operação da emissora.
  • A julgar pelo comunicado da direcção de programas da Super FM (104,8 MHz Alcochete), a rádio rock encontra-se com dificuldades financeiras, encontrando-se a precisar de patrocínios, pelo que o director apela a que os ouvintes ajudem a estação nesse sentido.