sábado, outubro 31, 2020

Global Media, proprietária da TSF, vai avançar com o despedimento colectivo de 81 trabalhadores!

Mais uma má notícia para a comunicação social em Portugal. A Global Media, empresa que detém a rádio TSF, os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, entre outros, vai avançar com o despedimento colectivo de 81 trabalhadores, incluindo 17 jornalistas.

Numa altura em que a informação de qualidade se revela imprescindível, num quadro de pandemia mundial inédita em mais de 100 anos, é de lamentar a saída de tantos profissionais de jornais centenários e de uma rádio que marcou a informação em Portugal.


Iniciativa (Ultra)Liberal quer destruir serviço público de rádio e televisão!

Tenho evitado envolver o blogue "Mundo da Rádio" na discussão de assuntos da política, contudo há propostas e situações que justificam um comentário neste espaço.

Aproveitando o embalo do projecto de revisão constitucional que o partido Chega pretende apresentar, eis que a Iniciativa Liberal decide colocar na mesa de discussão alguns assuntos, incluindo o fim da obrigação de o Estado assegurar a existência e o funcionamento do serviço público de rádio e televisão. Ora, na minha óptica, só podem existir duas razões para que os liberais defendam o fim do serviço público: ou excesso de liberalismo, que vê toda a cultura, toda a língua portuguesa, toda a informação jornalística e toda a consideração pelos portugueses como um mero produto comercial que pode sair do mercado se não der lucro, ou ignorância grosseira do que é, o que deve ou não ser, o serviço público de rádio e televisão.

Em primeiro lugar, o serviço público de rádio e televisão (chamemos-lhe, para simplificar, SPRT), deve consubstanciar-se num conjunto de programas que representem a História, a cultura portuguesa e, sobretudo, a língua portuguesa. Deve também contribuir proactivamente para o prestígio da comunicação social, credibilizando a informação. Numa altura em que as notícias falsas propagam-se numa fracção de segundo através das redes sociais, a comunicação social, em especial a de serviço público, deve ajudar os ouvintes e os telespectadores no sentido de distinguir entre o que está, de facto, confirmado e o que foi escrito, quiçá com intenções políticas veladas, com o objectivo de desacreditar os meios de informação oficiais. 

Não menos importante que os pontos anteriores, o que está também em jogo é o prestígio de Portugal, a promoção da língua portuguesa no mundo e, num país de emigração, o respeito pelos portugueses e pelos lusodescendentes espalhados pelo mundo. O quarto ponto é a garantia da segurança nacional. Na eventualidade de uma emergência, o SPRT deve estar imediatamente disponível para acompanhar em directo toda a actualização da informação relevante para os portugueses afectados por uma catástrofe natural ou outra circunstância especialmente grave (terrorismo, intervenção militar por forças estrangeiras que invadam o território nacional etc). O SPRT deve, sempre que a situação o justifique, transmitir em directo as declarações do presidente da república, do primeiro-ministro ou de outro órgão de soberania. Recordo que nos incêndios de 2017, a Antena 1 foi a única rádio com cobertura nacional que esteve a madrugada toda a acompanhar em tempo real o evoluir da situação. Isto não é serviço público, senhores da Iniciativa Liberal?

Dito isto, note-se que até agora nunca utilizei a sigla "RTP". No limite, o serviço público não tem de ser prestado pela RTP; até podia ser pela empresa "ACME" ou "XPTO" ou "Rádio Pública Portuguesa" ou outro nome que queiram inventar. O que tem de haver é uma definição legal do que é o serviço público , da entidade ou entidades que exploram o serviço público e de como o Estado assegura que o serviço é efectivamente prestado. Até admito (apesar de pessoalmente não concordar com a ideia) que seja possível que parte do SPRT seja prestado por empresas privadas, o que a Constituição da República Portuguesa impõe - e a meu ver bem! - é que, em qualquer circunstância, tem de haver uma definição clara do que é serviço público de rádio e de televisão, das suas obrigações e de como o Estado garante que o serviço público funciona de facto.

Os mais que liberais saberão que os Países Baixos, um Estado visto como um bom exemplo de liberalismo, têm a Nederlandse Publieke Omroep (NPO)? E que um país tão capitalista quanto os Estados Unidos tem a National Public Radio? Não conheço nenhum país de primeiro mundo que não tenha um serviço público de rádio e de televisão. Seja totalmente público, seja através de uma fundação, seja através de outro modelo. Nem mesmo um governo conservador-liberal como o de Margaret Thatcher ousou terminar com o serviço público da BBC. A não ser que a IL se inspire no liberalismo tão democrático do regime de Augusto Pinochet no Chile, um grande exemplo de liberdade (estou, naturalmente, a ser irónico)...

No meio de uma pandemia, a exigência do funcionamento de meios de comunicação social credíveis, sejam de empresas públicas ou privadas, é, mais do que nunca, inegável. Se as pessoas se informassem apenas através das redes sociais, a esta hora teríamos milhões de cidadãos a recusarem-se a usar máscara, hospitais em verdadeiro estado de guerra, com milhares de doentes Covid e não Covid a morrerem por falta de assistência, tudo porque as pessoas acreditavam em tudo o que liam na Internet e não havia meios de comunicação social a entrevistar epidemiologistas e outros médicos que lidam diariamente com situações complicadas, transmitindo para todo o país informação confirmada por especialistas com conhecimento de causa. Por muitos defeitos que tenham os jornalistas, estes continuam a manter o profissionalismo que não se coaduna com charlatões que não se importam que morram milhares de pessoas com Covid-19 porque querem à viva força descredibilizar a comunidade científica e o conhecimento adquirido em vários séculos de epidemias!

segunda-feira, outubro 19, 2020

Faleceu José Paulo Alcobia

A rádio pública está a noticiar a morte de José Paulo Alcobia, um profissional que passou pela Rádio Comercial, Rádio Energia, Antena 3, Antena 1 e que, nos últimos tempos, fazia parte da equipa da RDP Internacional. Crítico e comentador de cinema, José Alcobia trabalhou em programas como o "Cinemax" ou o "Costa a Costa".

Que descanse em paz. À família, amigos e colegas do radialista, apresento as minhas condolências. Hoje a rádio pública ficou um pouco mais pobre.

segunda-feira, outubro 12, 2020

Renascença Canal 1. É um espectáculo... lamentável

Socorri-me de um slogan antigo da emissora católica portuguesa para descrever a situação ocorrida ontem, numa tarde de domingo onde, além das celebrações religiosas, havia um jogo de futebol ao início da noite.

Entre as 18h30 e as 19h00, a Rádio Renascença tocava música após música. No mesmíssimo horário, as frequências ainda existentes da Rádio Sim (Portel, Palmela e Maia) emitiam o Terço. Em suma, os poucos ouvintes católicos do que resta da Rádio Sim puderam acompanhar a celebração religiosa. Já os católicos que sintonizam através da rede nacional de emissores da Rádio Renascença, tiveram de se contentar com música. Atrever-me-ia a perguntar, em tom de ironia, se os ouvintes da RR serão filhos de um deus inferior para não merecerem acompanhar a oração à Nossa Senhora através da rádio - por maioria de razão numa altura em que as celebrações religiosas são realizadas em espaços com lotação fortemente limitada mercê da pandemia, obrigando muitos fiéis a acompanhá-las à distância (onde a estação da Quinta do Bom Pastor devia servir de exemplo) -  num período de tempo em que o futebol não havia começado ainda. Afinal, a Renascença é mais uma emissora comercial portuguesa ou é a emissora católica portuguesa, como se auto-intitula? No mínimo dos mínimos, esperava-se que a programação religiosa das tardes de domingo fosse emitida no que resta da rede de Onda Média e nas antigas frequências da Rádio Sim em Braga, Leiria e Elvas. Assumo que não sou praticante religioso, mas respeito quem acredita em Deus e gostaria de acompanhar as cerimónias através da mais antiga rádio católica em Portugal.

sexta-feira, outubro 09, 2020

Rádio Ondas do Lima (95,0 MHz Ponte de Lima) deslocaliza o emissor para a Serra d' Arga

A Rádio Ondas do Lima (95,0 MHz), estação local do concelho de Ponte de Lima (distrito de Viana do Castelo) deslocalizou o centro emissor para o alto da Senhora do Minho, na Serra d' Arga, a 800m de altitude.

Esta mudança permite à estação reforçar o sinal não somente no Alto Minho como também em várias zonas do Grande Porto. É sempre bom ver que há rádios locais que se preocupam em fazer-se ouvir melhor e mais longe na região onde se inserem.

sexta-feira, setembro 25, 2020

TuneIn: rádios internacionais bloqueadas no Reino Unido!

Muitos dos leitores do blogue conhecem decerto a aplicação "TuneIn", que permite ouvir milhares de emissões online de estações de rádio através do smartphone ou tablet. Pois bem, os britânicos começam a perder grande parte do interesse no software... É que a empresa fabricante da aplicação passou a bloquear o acesso a estações de rádio de outros países no Reino Unido. Em causa estão questões legais de licenciamento dos conteúdos, que levaram a Sony e a Warner a processar judicialmente a TuneIn. Assim, quem vive no país do mítico radialista John Peel deixará de ter disponível no TuneIn um número considerável de rádios estrangeiras. Claro que os utilizadores podem recorrer a outras aplicações de rádio online ou até a uma VPN... até que algum tribunal considere que todas as aplicações informáticas que facilitam o acesso a milhares de rádios infringem as leis de protecção dos direitos de autor.

É na altura destas decisões que, mais do que nunca, defendo que a Internet jamais poderá substituir por completo as emissões hertzianas. A Internet pode ser alvo de restrições, todavia é muito mais difícil impedir a escuta de uma determinada emissão a não ser empastelando o sinal. Uma estação estrangeira pode fazer-se ouvir no Reino Unido através da Onda Curta; todavia, a única forma que o país teria de prejudicar ao máximo a recepção da rádio seria investir em emissores e antenas que permitissem interferir deliberadamente no sinal hostil. Nada é mais livre do que as ondas electromagnéticas, que não querem saber de culturas, de ideologias políticas, de línguas, de religiões e de outras questões sensíveis que afectam a relação entre humanos. Não querem saber de fronteiras geográficas ou políticas e as únicas leis às quais obedecem são as leis da Física.

sexta-feira, setembro 11, 2020

Antena 1 termina com a "Tarde Desportiva" aos domingos

A Antena 1 vai descontinuar a "Tarde Desportiva", programa transmitido aos domingos há mais de 50 anos. Em causa está, entre outras razões, os horários dos jogos dos três grandes clubes portugueses (Benfica, Sporting e FCPorto), mas também a influência dos canais de televisão desportivos, que têm feito com que o horário do programa deixe de se adequar à realidade do futebol no ano de 2020.

Certo é que a rádio pública promete continuar a ter espaços desportivos, nomeadamente relatos de futebol. Passa a haver às sextas-feiras um programa de lançamento da jornada, além de um outro programa dedicado a outras modalidades, que deverá ir para o ar em Janeiro.

Terminar com a "Tarde Desportiva", a meu ver, é uma decisão adequada, quando o futebol da segunda década do século XXI já não é o futebol do século XXI e as rádios têm de saber adaptar-se a outra realidade desportiva. Se já era assim antes da pandemia, é-o, por maioria de razão, quando os estádios estão vazios e quem não tem canais desportivos em casa e não quer ou não pode sair de casa para ver televisão no restaurante ou está a viajar espera continuar a ouvir os relatos na rádio.

A lamentar mesmo é a opção de colocarem música "a metro" nas tardes de domingo da Antena 1. Podiam aproveitar o tempo para transmitir programas melhores - e para se ter um programa que vale a pena ouvir não é preciso muito: basta um microfone e talvez um convidado que traga um assunto interessante. Sejam episódios da História de Portugal, sejam curiosidades da astronomia, seja um momento melodioso de literatura, seja até música do mundo (world music), seja outro tema que se adeque ao serviço público, daria para um programa diferente que merecesse a atenção dos ouvintes nas tardes de domingo.

quinta-feira, setembro 10, 2020

Rádio Estádio: falida e cheia de dívidas

Uma reportagem recente da TVI revela o estado a que a Rádio Estádio chegou. Em poucos meses, a estação acumulou dívidas na ordem dos 2,5 milhões de euros, onde se inclui os salários em atraso dos profissionais. É este o legado que o empresário Bruno Costa Carvalho deixa aos trabalhadores e talvez a alguns fornecedores da Rádio Estádio. Bem vistas as coisas, uma rádio que funcionava de forma tão amadora que jamais deveria ter saído do papel.

sexta-feira, setembro 04, 2020

Media Capital vendida a Cristina Ferreira, Tony Carreira, Pedro Abrunhosa e outros accionistas!

Por mais insólito que possa soar, não, hoje não é dia 1 de Abril, mas não deixa de ser uma notícia surpreendente. A PRISA está a proceder à venda da totalidade da sua participação na Media Capital a vários investidores portugueses. Entre os mais de 10 novos accionistas portugueses da empresa proprietária da TVI, da Rádio Comercial, da M80 Rádio, da Cidade FM, da Smooth FM, da Vodafone FM e de outros activos, encontram-se várias figuras públicas, incluindo a apresentadora Cristina Ferreira e os artistas Tony Carreira e Pedro Abrunhosa.

Uma vez que o capital é disperso sem que nenhum accionista adquira o domínio da empresa, a operação não tem de ser aprovada pela ERC. Depois de vários avanços e recuos, onde se inclui o interesse da Cofina pela empresa, parece que é desta que a venda da Média Capital se vai concretizar.

quinta-feira, agosto 20, 2020

ERC aprova cessão do alvará da Rádio Linear à empresa da Rádio Positiva

A ERC disponibilizou, há já uns dias, uma deliberação em que autoriza a cessão do alvará da Rádio Linear (88,6 MHz Vila do Conde) a favor da empresa "Rádio Sem Fronteiras, Sociedade de Radiodifusão, S.A.", empresa detentora do alvará da Rádio Positiva (95,0 MHz Oeiras, com emissor no Porto Brandão, no concelho de Almada). Na prática, a Rádio Linear passa a ser controlada pela IURD. 

Se a ERC mantiver a coerência, não creio que autorize nos próximos dois anos a mudança do projecto aprovado para a Rádio Linear e a mudança de nome da estação, tal como procedeu no caso da Maiorca FM. A confirmar-se, não será tão depressa que a Rádio Linear passa a mero retransmissor da Rádio Positiva.

terça-feira, agosto 04, 2020

ERC autoriza compra Maiorca FM (92,1 MHz Figueira da Foz) pela Record FM... mas não permite que a estação se torne num retransmissor da Record FM

A ERC autorizou recentemente a venda da Maiorca FM (92,1 MHz Figueira da Foz, no distrito de Coimbra) à Record FM. 

A estação local da Figueira da Foz pretendia igualmente alterar a designação da rádio para "Record Maiorca" e incorporá-la na rede Record FM, todavia a entidade reguladora indeferiu tais pretensões, porquanto a alteração do projecto aprovado para uma rádio não pode ser efectuada antes de decorridos dois anos da cessão do serviço de programas. Assim, por enquanto, a Maiorca FM não poderá legalmente operar como retransmissor da emissão da cadeia de rádios da IURD.

Sendo certo que a estação se encontra a operar em condições técnicas sofríveis, um bom investimento por parte da Record FM na renovação do emissor permitirá melhorar significativamente as condições de recepção da Maiorca FM em Coimbra e na região Centro.

sexta-feira, julho 31, 2020

Mega Hits já emite em Rio Maior e Viseu!

A Mega Hits passou a emitir em Rio Maior e Viseu, substituindo a Rádio Sim. O canal jovem da emissora católica portuguesa ouve-se agora nos concelhos de Rio Maior, Santarém, Cartaxo, Alcobaça, Nazaré, Caldas da Rainha, Óbidos, Azambuja, Alcanena e Porto de Mós através da frequência de 92,6 MHz; também pode ser ouvida no concelho de Rio Maior através da microcobertura dos 99,5 MHz. A Mega Hits chega agora também aos concelhos de Viseu, Nelas, Penalva do Castelo, Oliveira do Hospital, Tondela, Castro Daire e São Pedro do Sul, através do emissor dos 106,4 MHz.

Com estas alterações dentro do grupo Renascença, o que resta da Rádio Sim fica limitado aos emissores de Palmela, Valongo (frequência atribuída ao concelho da Maia) e Portel. Em contrapartida, a Mega Hits passa a ser escutada de Lisboa a Braga praticamente sem falhas de cobertura (talvez com a excepção de algumas zonas do distrito de Leiria), graças a uma rede de nove emissores, a saber: 92,4 MHz Lisboa, 88,0 Sintra, 92,6 + 99,5 Rio Maior, 90,0 Coimbra, 106,4 Viseu, 96,5 Aveiro, 90,6 MHz Valongo (frequência atribuída ao concelho de Gondomar) e 92,9 MHz Braga.

quinta-feira, julho 23, 2020

RTP-Rádio: emissões FM do Monte da Virgem a operar temporariamente com potência reduzida devido a intervenção técnica

Uma breve nota para informar que o centro emissor das rádios públicas no Monte da Virgem, no concelho de Vila Nova de Gaia (Antena 1 - 96,7 MHz, Antena 2 - 92,5 MHz e Antena 3 - 100,4 MHz) se encontra há vários dias a operar através de um sistema radiante alternativo e provisório, com potência reduzida. Segundo o utilizador "P. Pinto" do grupo Yahoo! do "Mundo da Rádio", citado pelo utilizador Abílio Maia no "Fórum da Rádio", esta situação deve-se à realização de trabalhos na torre, que incluem a substituição integral do sistema radiante.

Com esta intervenção técnica, a RTP espera optimizar a cobertura radioeléctrica das emissões FM no Grande Porto e no Douro Litoral, enquanto racionaliza os custos de operação do centro emissor. O fim dos trabalhos (e consequentemente reestabelecimento das condições normais de emissão, está previsto para, o mais tardar, o final da corrente semana.

É uma notícia saber que a rádio pública está mesmo a investir na melhoria das condições técnicas de emissão. Claro que há um longo caminho a percorrer até que a rádio pública funcione com os meios adequados - e o Provedor do Ouvinte já por várias vezes denunciou as condições sofríveis em que as rádios da RTP se mantêm no ar-, mas é um bom começo.

terça-feira, julho 21, 2020

Rádio Observador sintonizada nos 98,4 MHz... na Finlândia!

Não tenho o hábito de falar de DX (captação de sinais de rádio a grandes distâncias) no blogue principal do "Mundo da Rádio", mas a situação relatada hoje pela Rádio Observador justifica o esclarecimento dos profissionais da estação, dos ouvintes, e de quem se interessa pela captação de emissões de rádio FM a distâncias (entre as antenas emissoras e os receptores dos ouvintes) invulgarmente elevadas.

Contando a história de forma lacónica, Jim Solatie, um DXista, entusiasta da captação de emissões de rádio a centenas e milhares de quilómetros da antena emissora, conseguiu sintonizar, na Finlândia e a cerca de 140 km da capital do país, Helsínquia, o sinal FM da Rádio Observador nos 98,4 MHz, que é emitido das antenas localizadas no Monte de Santa Eufémia, no limite geográfico dos concelhos de Vila do Conde e da Trofa. Contas feitas, uma distância na ordem dos 3000 a 3200 km.

Esta captação extraordinária, registada no passado dia 12 de Julho, foi o assunto do programa "E=mc^2" do dia de hoje, que pode ser ouvido em podcast. Para comentar esta situação insólita, a Rádio Observador convidou o professor Nuno Borges de Carvalho, da Universidade de Aveiro. Não obstante, e salvo o devido respeito pelo senhor professor, considero que a explicação terá sido um pouco confusa, mormente para um leigo, pelo que tomei a iniciativa de tentar ajudar a compreender melhor o fenómeno.

Antes de mais, permitam-me que recomende um artigo da minha autoria onde, modéstia à parte, tento descrever, da forma mais simples que consegui encontrar, as várias formas de propagação de sinais de rádio FM a distâncias elevadas. Tenho feito um esforço para descomplicar, na medida do possível,esta matéria, quando praticamente toda a bibliografia existente encontra-se em inglês e noutras línguas que não o português.

Regra geral, a propagação das ondas de rádio no FM é feita em linha de vista, podendo atingir, no máximo e em condições muito favoráveis, uma distância de cerca de 160 km. Contudo, por vezes surgem condições atmosféricas que possibilitam a recepção de sinais a centenas ou até milhares de quilómetros do emissor.

O fenómeno de propagação mais comum é o da condução troposférica, que ocorre quando há uma inversão térmica que faz com que as ondas fiquem "presas" num "canal" por onde circulam por centenas ou até milhares de quilómetros. Os sinais costumam permanecer de forma relativamente estável durante longos minutos ou até horas e este tipo de propagação é mais comum e tem maior intensidade no Verão, nomeadamente durante a noite. No Sul do continente, na margem Sul do Tejo, no Alentejo e no Algarve, não é raro ouvir-se no Verão estações de rádio marroquinas, madeirenses e até, por vezes, das ilhas Canárias, a cerca de 1300 km da nossa costa! Também é comum ouvir, em certas zonas do Sul e Centro, rádios do Norte do país.

Outro fenómeno, que geralmente ocorre no início do Verão, (sobretudo entre finais de Maio e meados de Julho), é a propagação ionosférica via esporádica "E". Afectando sobretudo as frequências mais baixas da banda FM (87,5~108 MHz), mas podendo subir inclusivamente acima dos 108 MHz, permite a recepção de rádios localizadas a milhares de quilómetros de Portugal. A título pessoal, já captei emissões de países como o Reino Unido, a Itália, a Croácia, a Tunísia, entre outros. Aliás, tenho inúmeros vídeos de captações no meu canal do YouTube.

De referir que existem outros tipos de propagação, que por razões de espaço não abordarei nesta publicação, sugerindo ao leitor que consulte o artigo supramencionado.

Considerando o que se sabe e o que foi dito, parece-me que a captação resulta da condução troposférica invulgarmente favorável, que criou uma "estrada" na atmosfera por onde as ondas da Rádio Observador viajaram até à Finlândia - o que não deixa de ser um feito digno de registo. Não sei falar finlandês, mas vou dizer: Congratulations, Jim Solatie! Nice catch! Como se diz na gíria, bons 73 a todos os que gostam de realizar captações de sinais de rádio a distâncias consideráveis!

Faleceu o jornalista e antigo director de informação da rádio pública Manuel Vaz Bravo

Hoje é um dia duplamente triste para a rádio em Portugal. Depois de ficarmos a saber que tinha falecido o jornalista Luís Filipe Costa, eis que a Antena 1 anuncia que faleceu, aos 80 anos de idade, Manuel Vaz Bravo, jornalista, subchefe e chefe de redacção, director-adjunto e director de informação da Antena 1, além de técnico e chefe de exteriores, tendo inclusivamente sido responsável pelo Museu da Rádio.

De referir que o jornalista Manuel Bravo entrou para a Emissora Nacional no dia 28 de Maio de 1964, tendo também trabalhado no Rádio Clube Português. Que descanse em paz. Sem Luís Filipe Costa e Manuel Vaz Bravo, hoje perdemos duas referências históricas da rádio que se fez em Portugal nas últimas seis décadas.


Faleceu o jornalista Luís Filipe Costa, o homem que leu os comunicados do MFA ao microfone do RCP

Morreu o jornalista, radialista e realizador de televisão Luís Filipe Costa. O profissional, que marcou a história contemporânea de Portugal por ter lido aos microfones do Rádio Clube Português os comunicados do MFA na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, trabalhou sobretudo na área da televisão.

Hoje a comunicação social ficou mais pobre. Que o grande profissional Luís Filipe Costa descanse em paz.

segunda-feira, julho 20, 2020

ARIC alerta que algumas rádios locais encontram-se a ponderar o encerramento nas próximas semanas

A ARIC (Associação de Rádios de Inspiração Cristã) publicou um comunicado em que afirma que muitas rádios locais estão a encarar a possibilidade de fechar nas próximas semanas, mercê das dificuldades agravadas pela quebra de actividade económica derivada da pandemia.

Trata-se, evidentemente, de uma notícia preocupante e triste, mas que reflecte os constrangimentos  pecuniários que afectam as rádios locais há muitos anos.

Eu compreendo que existam rádios locais bem geridas e que cumprem o seu papel a denunciar as dificuldades económicas. E, certamente, ainda haverá umas tantas. Todavia, e por mais desagradável que seja de ouvir, também existem rádios transformadas em pouco mais do que música atrás de música, seleccionada por um software de automação, um jornalista a ler as notícias e talvez até um programa religioso pago por uma instituição religiosa (nomeadamente na área do evangelismo) para equilibrar as contas. Por outro lado, há muitas rádios locais que foram despromovidas a meros retransmissores de estações de rádio com estúdios em Lisboa e que já nem disfarçam na hora de apresentar as notícias do concelho para o qual o alvará da rádio local foi atribuído, colocando um jornalista em Lisboa a relatar, em poucos minutos e a dezenas ou até a centenas de quilómetros da "terra", os últimos desenvolvimentos da política, da sociedade e eventualmente uma referência ao desporto regional.

Talvez a melhor solução para os problemas das rádios em Portugal passasse, houvesse vontade política, pela criação de rádios distritais que cobrissem todo o distrito e que acompanhassem a actualidade numa perspectiva regional. Também o estabelecimento de cadeias de rádios, que fossem autorizadas a emitir 24 horas por dia a mesma programação regional em todas as frequências, na condição de prestarem um verdadeiro serviço público de informação na região onde se inserem, fosse uma boa ideia. Porque, mais do que cadeias de rádios a tocarem playlists repetitivas ou a passarem propaganda religiosa, Portugal precisa de rádios locais que se unam no sentido de servir realmente as populações. Se não há condições para termos uma rádios local em cada concelho a querer concorrer com a rádio do concelho vizinho, que haja coragem política e empresarial para facilitar a criação de rádios regionais. Também ajudava uma alteração legislativa que autorizasse a criação de rádios comunitárias sujeitas a um regime fiscal, de pagamento de direitos de autor e direitos conexos, substancialmente mais favorável do que o aplicado aos grandes operadores radiofónicos. Mais do que "migalhas" dos 15 milhões de euros em publicidade comprados pelo Estado, as rádios precisam que o Estado lhes facilite a vida, reduzindo a burocracia e as exigências fiscais, enquanto facilita a reinvenção necessária à sobrevivência das estações e a sua adaptação a uma nova realidade decorrente das mudanças no mundo provocadas pela pandemia.

sábado, julho 18, 2020

Media Capital: trocas e baldrocas

"Trocas & Baldrocas". Este podia muito bem ser o título da próxima novela da TVI, tal é a quantidade de mudanças no seio da Media Capital, que pode não só afectar o funcionamento do operador de televisão como também reflectir-se no funcionamento das rádios do grupo (Rádio Comercial, M80 Rádio, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM).

Depois de Manuel Alves Monteiro ter sido promovido a CEO da Media Capital, a ERC tomou a iniciativa de avaliar as mudanças na estrutura da TVI. No limite, a terem existido irregularidades gravíssimas, a entidade reguladora poderá suspender a licença do canal. Ao que parece, não obstante o interesse da Cofina na aquisição da empresa, a guerra entre a dona do "Correio da Manhã" e o empresário Mário Ferreira continua. Certo é que a estrutura accionista da Media Capital está em processo de mudanças, incluindo a entrada de uma accionista bem conhecida pelos portugueses: a apresentadora de televisão Cristina Ferreira.

Indubitavelmente, o futuro da Media Capital continuará a fazer correr muita "tinta" digital nos sites de informação; seja como for, a instabilidade resultante da indefinição de quem manda no quê e quem deve fazer o quê numa empresa de comunicação social não contribui positivamente para o regular funcionamento dos canais de televisão e de rádio dessa empresa - sobretudo quando, no caso da TVI, já houve várias saídas e entradas de profissionais. Resta saber se o ímpeto reformista não irá afectar as rádios do grupo nos próximos tempos...

segunda-feira, julho 06, 2020

Mega Hits brevemente também em Rio Maior (92,6 + 99,5) e em Viseu (106,4 MHz)

Já é oficial: a ERC publicou duas deliberações que autorizam a até agora Rádio Sim- Rio Maior (92,6 + 99,5 MHz) e a Rádio Sim - Noar (106,4 MHz Viseu) a mudar as respectivas designações e a transmitir a Mega Hits (Mega Hits Rio Maior e Mega Hits Viseu, respectivamente).

Deste modo, o canal jovem da emissora católica portuguesa contará brevemente com um importante reforço de cobertura, servindo o Ribatejo e a região de Viseu. Por apurar continua o destino a ser dado às restantes rádios locais que transmitem o que resta da Rádio Sim descontinuada: 102,2 MHz Palmela, 100,8 MHz Maia (emissor em Valongo) e 97,5 MHz Portel.

A Mega Hits contará com emissores, a saber: 92,4 MHz Lisboa; 88,0 MHz Sintra; 92,6 e 99,5 MHz Rio Maior; 90,0 MHz Coimbra; 96,5 MHz Aveiro, 106,4 MHz Viseu, 90,6 MHz Gondomar (emissor em Valongo) e 92,9 MHz Braga.

domingo, julho 05, 2020

D+ FM: a nova rádio nos 93,7 MHz Amadora

A "93.7 FM" (ex-Fi FM) mudou de designação. Depois da Rádio Mais, da Central FM, da Lights FM, da Rádio Mais, da Kiss FM Lisboa e da Fi FM, a frequência 93,7 MHz atribuída ao concelho da Amadora adoptou um novo nome: "D+ FM". A nova rádio, que ao que parece vai ter vozes novas, promete colocar no ar novos programas dentro de dias.

Para já, o emissor continua a utilizar a configuração do RDS respeitante à Fi FM. Do que ouvi ontem à noite, a playlist aparenta ser sobretudo de música portuguesa, uma ou outra brasileira e pouca música em inglês. Para já, não se conhece site ou sequer emissão online da estação. Tratando-se de uma frequência que em 31 anos já viu tantos projectos radiofónicos, esperemos que a D+ FM seja uma rádio de sucesso na Grande Lisboa...