quinta-feira, setembro 30, 2021

Emissores da RTP-rádio na Lousã operam através de um sistema radiante provisório

Confirma-se: a RTP está a utilizar um sistema radiante provisório na Serra da Lousã, que opera com potência reduzida,  por forma a manter em funcionamento das frequências da Antena 1, Antena 2 e Antena 3 enquanto procedem aos trabalhos de manutenção, que, como já referi numa publicação anterior, incluem a substituição dos elementos radiantes.

Ao que se sabe, a intervenção técnica na Lousã deverá demorar cerca de duas semanas (se as condições climatéricas o permitirem), pelo que as dificuldades de recepção das três estações sentidas nalgumas zonas da área de influência do centro emissor do Trevim deverão manter-se nos próximos dias.

Aos ouvintes afectados, recordo que a Antena 1 tem emissores em Coimbra (94,9 MHz) e Santarém (98,8 MHz), frequências que podem constituir uma alternativa de escuta confortável aos 87,9 MHz. No Ribatejo e Sul da Beira Litoral, é possível ouvir a Antena 1, a Antena 2 e a Antena 3 através das frequências do Montejunto (98,3, 88,7 e 105,2 MHz, respectivamente); na região de Leiria/Fátima, através das frequências da Maunça/ Batalha (98,7, 104,2 e 106,4 MHz). Para os ouvintes localizados no distrito de Aveiro, as melhores alternativas são as frequências do Atestal (Antena 1 - 106,7 e Antena 2 - 95,2 MHz) e, em especial a Norte de Aveiro, as do Monte da Virgem (Antena 1 - 96,7, Antena 2 - 92,5 e Antena 3 - 100,4 MHz).

Importa acrescentar que em grande parte da região Centro é possível escutar a Antena 1 também na Onda Média (630 kHz Montemor-o-Velho).

Não existe mundo ideal. Não é possível exigir que o operador público invista na manutenção da rede de emissores sem que os ouvintes tenham de aceitar alguns constrangimentos provisórios. Contudo, espero que esta intervenção no Trevim permita, dentro de alguns dias, às três "Antenas" fazerem-se ouvir melhor em toda a região coberta pelas frequências da Lousã.

terça-feira, setembro 28, 2021

RTP realiza trabalhos de manutenção nos emissores FM no alto da Serra da Lousã

Os técnicos da RTP encontram-se a realizar trabalhos de manutenção, incluindo e substituição dos elementos radiantes, na torre do centro emissor da Serra da Lousã (Trevim), afectando a Antena 1 (87,9 MHz), Antena 2 (89,3 MHz) e Antena 3 (102,2 MHz).

É bem provável que as frequências referidas estejam agora a ser, de forma provisória, radiadas a partir de um sistema radiante alternativo com potência reduzida. Do que posso verificar, num local favorável à recepção das emissões do Trevim mas longe da área primária de cobertura dos emissores, a mais de 160 km em linha recta, na cidade de Évora, os sinais das frequências das três rádios públicas é, neste momento, muito fraco, contrastando com as frequências da RR (106,0), RFM (91,7), TSF (107,4) e até, sendo certo que não emite do Trevim, da Rádio Comercial (90,8 MHz).

Pode haver perturbações na recepção, mas tal acontece por um bom motivo. A RTP tem, nos últimos tempos, investido na manutenção das redes de emissores das três rádios nacionais e da RDP África - e ainda bem. A rádio pública tem a obrigação de se fazer ouvir em boas condições por todo o território nacional. E investir no reforço da cobertura nas zonas problemáticas onde, no ano de 2021, nem sequer a Antena 1 se escuta de forma satisfatória, quanto mais a Antena 2 e a Antena 3!

P.S. Já agora, se os estimados leitores do blogue localizados na área de cobertura radioeléctrica dos emissores do Trevim quiserem comentar esta publicação, descrevendo as condições de recepção das frequências da RTP no local onde se encontram, agradeço a colaboração!

quarta-feira, setembro 22, 2021

Graça Franco vai ser a Provedora do Ouvinte da RTP

Já se sabe quem vai substituir João Paulo Guerra como provedor da rádio pública. Se o Conselho de Opinião "acender" a luz verde, não vai ser mais um provedor mas sim a segunda Provedora do Ouvinte da RTP: a jornalista Graça Franco, antiga directora de informação da Rádio Renascença entre os anos de 2009 e 2020.

De salientar que, pela primeira vez desde que existe na RTP o Provedor do Telespectador e o Provedor do Ouvinte, os cargos serão, em princípio, ocupados em simultâneo por duas mulheres jornalistas. Duas boas escolhas que provam que o mérito e a competência na área do jornalismo não é um exclusivo do género masculino.

Nota: Por lapso, no texto original desta publicação, referi que Graça Franco seria a primeira Provedora do Ouvinte. Com efeito, trata-se da segunda - a primeira foi a investigadora Paula Cordeiro. Obrigado, P. Pinto, pela correcção.

quinta-feira, setembro 16, 2021

Rádios da Media Capital vendidas ao grupo britânico Bauer Media?

Segundo o jornal "i", a Media Capital estará prestes a concluir o negócio da venda das rádios do grupo (Rádio Comercial, M80 Rádio, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM) ao grupo britânico "Bauer Media Group UK", com origem na Alemanha.

Importa mencionar que o grupo Bauer está presente em vários países, e subsidiária britânica é proprietária de diversas estações do país liderado pela rainha Isabel II, incluindo a "Absolute Radio", a "Kiss" ou a "Magic Radio".

A concretizar-se o negócio, a Media Capital abandona o mercado da radiodifusão, já que o grupo Bauer deverá adquirir a totalidade da operação da MCR (Media Capital Rádios). Resta saber que efeitos terá a mudança de proprietários nas cinco rádios - teremos de esperar por futuros desenvolvimentos...

segunda-feira, setembro 06, 2021

TSF: Avarias & Avarias Group

Permitam-me a ironia de sugerir que a Global Media Group, a holding dona da TSF, mude de designação para "Avarias & Avarias Group". Se já era muito mau para a TSF manter o emissor de Braga inoperacional durante vários dias, ou deixar o emissor da Marofa em portadora também por um período de tempo relativamente prolongado, eis que os emissores do Muro (Serra Amarela) e da Lousã estiveram recentemente também desligados durante algum tempo, muito provavelmente dias. 

Importa sublinhar que o emissor do Muro (106,5 MHz) é "só" o emissor que cobre grande parte do Minho; para piorar as coisas, o emissor instalado no alto do Trevim (Serra da Lousã), é simplesmente o emissor da TSF com maior cobertura radioeléctrica em Portugal, ouvindo-se não somente na região Centro mas também em Lisboa, nalgumas zonas do Alto Alentejo e até interfere a Rádio Voz de Santo Tirso (que emite na mesma frequência, 107,4 MHz) no Grande Porto.

Com demasiadas falhas graves na manutenção da rede de emissores, e socorrendo-me de algum sarcasmo, suponho que, neste este estado de coisas, a direcção da TSF e, sobretudo a administração da Global Media tenham estado a pensar como vão testar a nova tecnologia de difusão de notícias em tempo real, destinada a compensar as falhas do FM. E não, não me refiro à rádio digital no sistema DAB/DAB+ ou a algum "codec" novo para stream online de alta fidelidade. Refiro-me à tecnologia "ultra-moderna" da rede nacional de fogueiras - sim, uma TSF (Telefonia via Sinais de Fumo)...

terça-feira, agosto 31, 2021

Emissor da Rádio Imagem (87,6 MHz Fornos de Algodres) vandalizado!

A Rádio Imagem (87,6 MHz Fornos de Algodres, no distrito da Guarda) viu o centro emissor ser vandalizado, tendo sido furtados alguns equipamentos. Esta situação obrigou a rádio a suspender as emissões FM.

Independentemente das motivações que levaram ao sucedido, espero que os criminosos execráveis e sem escrúpulos sejam identificados e levados à justiça.

Ainda há rádios locais que incomodam - e ainda bem! Destruir o patrocínio duma rádio significa atentar contra a liberdade de informação e de expressão, contra os profissionais da estação que querem trabalhar para serem ouvidos e contra os ouvintes que, permitam-me o pleonasmo, querem ouvir a estação da sua terra. Não posso deixar de me silidarizar com os responsáveis e profissionais da Rádio Imagem, desejando que a emissora local de Fornos de Algodres consiga reestabelecer as emissões hertzianas tão depressa quanto possível.

sábado, agosto 28, 2021

Rádio Observador emite provisoriamente a partir da Amadora

A Rádio Observador trocou provisoriamente o concelho de Lisboa pelo da Amadora, passando a realizar as emissões a partir dos estúdios da ex-Fi FM.

Esta mudança temporária deve-se à realização de obras no edifício da redacção do jornal e dos estúdios da rádio, em Lisboa, que decorrem até meados do mês de Outubro.

quarta-feira, agosto 25, 2021

TSF: emissor da Marofa (105,4 MHz) em portadora e sem RDS há dias!

Não há qualquer dúvida: a TSF vai de mal a pior, incluindo a parte técnica.

O emissor da Serra da Marofa (105,4 MHz), que serve a Beira interior, incluindo o vale do Côa, o Alto Douro oriental e até a zona de Vilar Formoso, encontra-se em portadora há vários dias, sem emitir o áudio da TSF nem os dados do RDS.

Infelizmente, a precariedade nas condições de funcionamento da rede de emissores já se nota de Norte a Sul do país, verificando-se uma degradação considerável da qualidade de som dos emissores e da cobertura radioléctrica de alguns dos emissores. Já o disse mas insisto, é triste assistir à destruição progressiva duma rádio que foi  (já não o é) uma referência em Portugal.

terça-feira, agosto 24, 2021

Myanmar confisca rádios com Onda Curta!

Se dúvidas houvesse que em 2021 as emissões em Onda Curta ainda incomodam regimes políticos, uma notícia recente dá conta da nova forma de censura por parte da junta militar que governa com pulso de ferro Myanmar, a antiga Birmânia.

O governo exilado por força da ditadura militar lançou a Rádio NUG, uma estação anti-regime transmitida em Onda Curta para o país asiático. A solução? Ordenar o confisco dos rádios com Onda Curta que estejam à venda nas lojas. Depois da proibição das antenas parabólicas e das restrições no funcionamento da Internet, a única coisa que o regime podia fazer contra as emissões hostis era tentar conter os danos, evitando que mais ouvintes sintonizem estações de rádio que emitam a partir do estrangeiro.

Para quem estiver em Portugal, é possível tentar escutar a Rádio NUG nos 17710 kHz em dois períodos do dia: a partir das 2h30 (hora portuguesa, 1h30 UTC) e a partir das 14h30 (13h30 UTC). Obviamente que quem estiver noutro país poderá sintonizar a frequência referida, devendo para o efeito determinar os horários na hora local do país onde se encontra.

Não há dúvida que a rádio tem uma característica inegualável por qualquer outro meio de comunicação: a capacidade de atravessar fronteiras sem que no território de destino das emissões seja possível fazer muito mais do que empastelar, interferir deliberadamente as emissões, ou confiscar receptores.

sexta-feira, agosto 20, 2021

Fama Rádio (Vila Nova de Famalicão) deslocaliza o emissor principal para chegar melhor e mais longe

Segundo a informação cedida pelo utilizador "Rochinha Mike" no grupo " Mundo da Rádio" na rede social Facebook, a "Fama Rádio", estação local do concelho de Vila Nova de Famalicão (distrito de Braga) e que opera nos 105,0 (emissor principal) e nos 96,4 MHz (microcobertura), procedeu à deslocalização do emissor dos 105,0 MHz para o Monte de Nossa Senhora da Assunção, Monte Córdova, no concelho de Santo Tirso, a cerca de 500m de altitude, utilizando uma torre com mais de 50m de altura.

Com esta mudança, a "Fama Rádio" deverá fazer-se ouvir melhor no Minho e na Área Metropolitana do Porto; contudo, a cobertura a Sul deverá ser limitada pela presença da Rádio Terra Nova, com emissor na Gafanha da Nazaré (Ílhavo), na mesma frequência (105,0).

quarta-feira, agosto 18, 2021

A rádio, o meio que pode levar informação, música, desporto e entretenimento a quem vive com medo

O mundo assistiu incrédulo ao regresso do regime talibã ao Afeganistão. Enquanto se assiste à fuga desesperada de quem receia ser brutalmente punido ou até morto pelos radicais, os talibãs não perderam tempo a implementar a "Voz da Sharia", a estação que substitui o formato anterior da rádio pública do país. A partir de agora, as emissões nos 1107 kHz cumprem a versão mais fundamentalista da lei islâmica. Não se sabe o que vai acontecer às restantes rádios do país asiático.

Com a comunicação social dominada por um regime cruel que não respeita os mais elementares direitos humanos, eu diria que um acto de coragem no Afeganistão é ligar um rádio na Onda Curta ou na Onda Média para ouvir estações mais liberais do que a visão extremista dos talibãs. A Voz da América e o Serviço Mundial (World Service) da BBC são duas das estações que emitem nas línguas dari e pastó para o Afeganistão. 

Também a Voz da Turquia, a Rádio Internacional da China, a All India Radio e até a Voz da República Islâmica do Irão e a rádio saudita emitem também na Onda Curta para o Afeganistão. Uma coisa é certa: a rádio não conhece fronteiras e consegue fazer-se ouvir mesmo num país onde nos próximos tempos vai ser incómoda para o poder religioso e político.

Diria que um dos grandes medos dos afegãos que não se revêem no fundamentalismo vai ser o de ser apanhado a ouvir uma estação de rádio proibida pela visão radical da religião islâmica. Ouvir uma rádio não simpatizante da causa talibã sem que ninguém se aperceba vai ser um acto heróico para muitos afegãos.

Para quem tiver curiosidade em saber a situação das rádios afegãs e as emissões internacionais dirigidas ao Afeganistão, sugiro a consulta deste guia publicado por um grupo de DX britânico.

terça-feira, agosto 17, 2021

Carlos Vaz Marques sai da TSF e vai processar judicialmente a Global Media

Se a TSF foi uma rádio de referência em Portugal, o tempo verbal desta frase diz tudo: pretérito perfeito. Passado. Já não é, infelizmente.

O jornalista Carlos Vaz Marques, autor de programas que marcaram a história da TSF, como “O Livro do Dia”, “Pessoal e… Transmissível” e moderador do “Governo Sombra”, com Ricardo Araújo Pereira, anunciou que está de saída da estação onde trabalhou durante 31 anos. Numa extensa publicação na rede social "Facebook", o profissional anunciou a sua indignação com o processo que o leva a sair da estação, qualificando-o como "bullying profissional".

Carlos Vaz Marques não aceita as situações vexatórias a que foi sujeito nos últimos meses e promete recorrer ao tribunal.

É triste, muito triste assistir à progressiva destruição da TSF. O grande Emídio Rangel já deve ter dado voltas na campa ao ver que a rádio que construiu está a degradar-se dia após dia. Emissores avariados, programas cancelados, profissionais despedidos e um mal-estar instalado nas redacções da TSF e das publicações do grupo Global Media são algumas das situações que têm colocado em causa o funcionamento da TSF.

quarta-feira, agosto 04, 2021

RTP reactiva emissor de Onda Média da Antena 1 em Lamego (756 kHz)

Boa notícia para a Onda Média em Portugal. A RTP reactivou o emissor da Antena 1 em Lamego (756 kHz 2 kW).  Segundo  P. Pinto, o emissor da Nautel, instalado na Serra das Meadas e que serve a região central do Alto Douro (Lamego, Armamar, Peso da Régua, Sta. Marta de Penaguião, Mesão Frio e Sabrosa), esteve inoperacional por mais de 18 meses devido à avaria de um dos componentes.

De referir que os técnicos da rádio pública procederam nos últimos meses a trabalhos de melhoramento dos emissores de Onda Média em Miranda do Douro, Mirandela, Viseu, Guarda e Covilhã, depois de terem sido afectados por problemas técnicos. Inclusivamente, os técnicos da RTP desenvolveram um sistema único de telemetria para a rede de emissores OM.

Importa acrescentar que, apesar dos contrangimentos financeiros, a Direcção de Engenharia, Sistemas e Tecnologias  da RTP tem igualmente procedido à realização de intervenções técnicas em vários emissores de macrocobertura  (grande potência) constituintes das redes nacionais FM da Antena 1, Antena 2 e Antena 3, de Norte a Sul de Portugal, incluindo os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Os trabalhos incluem a substituição progressiva de emissores por outros de última geração energeticamente mais eficientes, bem como a substituição e/ou reafectação de sistemas radiantes, além de outros aspectos técnicos (novos tripléxeres, geradores de estéreo, etc.).

Há que agradecer aos técnicos da Direcção de Engenharia, Sistemas e Tecnologias da rádio pública o esforço e dedicação, decerto que com sacrifício, em prol dos ouvintes da Antena 1, Antena 2, Antena 3 e RDP África. Os verdadeiros heróis da RTP aqueles que sobem e descem torres, montam e desmontam antenas de rádio. Figuras desconhecidas do público, que nunca os vê na televisão ou ouve a sua voz na rádio, mas que fazem os possíveis e os impossíveis para que os ouvintes possam sintonizar os vários canais da RTP-rádio.
Porque para que a rádio seja ouvida, é fundamental que os emissores funcionem. A título pessoal tenho a dizer: muito obrigado, RTP! Muito obrigado, senhores da Direcção de Engenharia da RTP pelo empenho, apesar do orçamento magro, em recuperar as redes de emissores condenadas ao desinvestimento por parte das sucessivas administrações da RTP. E, sobretudo, muito obrigado aos técnicos, quais valentes guerreiros, que trabalham ao calor e ao frio, nos dias de sol ou de chuva, por vezes até com neve, com saraiva e outros rigores do Inverno desagradáveis. Sem emissores, uma rádio não é uma rádio - os ouvintes que não possam ouvir via Internet, satélite ou através da "box" da TV (basta pensar num corte generalizado da energia eléctrica), dependem das ondas electromagnéticas irradiadas nas faixas de Onda Média ou de VHF-FM para acompanharem as notícias.

quinta-feira, julho 29, 2021

73 anos a servir a população da Guarda e da Beira Alta: parabéns, Rádio Altitude!

 A mais antiga rádio local em actividade em Portugal está hoje de parabéns! A Rádio Altitude celebra hoje 73 anos de emissões regulares; primeiro ao serviço do sanatório da Guarda e mais tarde a toda a população da Guarda e da região.

Tendo sido das poucas rádios privadas que sobreviveram à onda de nacionalizações do pós-25 de Abril, a Rádio Altitude é hoje a única estação local do continente que sobreviveu à ditadura, ao 25 de Abril, a todas as mudanças políticas e económicas e aos desafios técnicos que ao longo dos anos têm condicionado a actividade radiofónica.

Vale a pena conhecer a história da Rádio Altitude e, sobretudo, ouvir a estação nos 90,9 MHz do FM ou através do site. Parabéns pelas 73 primaveras, Rádio Altitude!

quarta-feira, julho 28, 2021

Rádio "é sistematicamente subestimada no seu papel de segurança nacional"

O título que escolhi para esta publicação cita ipsis verbis as palavras de Manuel Coelho da Silva, presidente do Conselho de Opinião da RTP, ditas há dias no parlamento.

Para melhor contextualizar, vou citar na íntegra o parágrafo:

"A rádio é sistematicamente subestimada no seu papel de segurança nacional, aliás, o Conselho de Opinião tem tomado posição muito clara sobre essas matérias. Chamámos a atenção neste contrato de concessão que havia uma ausência de clarificação sobre o papel da rádio na segurança nacional".

O CO da RTP tem toda a razão! Basta pensar em catástrofes como as inundações recentes na Alemanha e outros países europeus, ou os incêndios em Portugal em 2017, para se reconhecer que, quando a electricidade é cortada, as antenas das redes móveis ficam inoperacionais, a rádio é o meio que chega onde os outros meios não conseguem chegar. O pequeno aparelho a pilhas que temos em casa pode prestar informações cruciais à segurança de pessoas e bens durante ou imediatamente após uma catástrofe. É por esta razão que considero um erro o fim progressivo da Onda Média em Portugal, quando se sabe perfeitamente que o alcance de um emissor de OM é substancialmente superior ao de um emissor FM. Mesmo um emissor OM de 10 kW consegue atingir uma distância superior a 100 km.

Se uma catástrofe natural ou qualquer outro evento inviabilizar a operação dos emissores FM no alto do Trevim (Serra da Lousã) ou na Serra do Montejunto, para dar dois exemplos,  grande parte da região centro (no primeiro caso) ou a região Oeste, o Ribatejo e até algumas zonas do Alentejo ficam sem conseguir escutar em condições razoáveis as rádios nacionais.

No caso de problemas graves no Trevim, apenas a Antena 1 um emissor operacional alternativo para Coimbra (94,9 MHz). Contudo, e graças aos 630 kHz de Montemor-o-Velho, a rádio pública seria a única que conseguiria fazer-se ouvir do Ribatejo até ao Norte. Sem a qualidade de som do FM, quiçá com algum ruído eléctrico, mas entre não ouvir e ouvir na Onda Média, creio que a segunda opção é a melhor - e a mais segura para as populações locais.

Se as torres no Montejunto caíssem na sequência de uma tragédia nacional de dimensões consideráveis, a cobertura na Grande Lisboa, região Oeste e Ribatejo ficava limitada aos emissores de Lisboa, Lousã, uma microcobertura da Antena 1 em Santarém, os emissores da rádio pública na Banática e os emissores da RR e da RFM na Arrábida. Grande parte da população a Norte de Lisboa teria sérias dificuldades para conseguir ouvir de forma satisfatórias as notícias- seja na Antena 1, seja na RR, seja, por hipótese, na RFM. Excepto quem conseguisse ouvir os 630 kHz ou os 666 kHz da Antena 1. Há quem lhe chame velha, há quem lhe chame desactualizada, mas à Onda Média eu chamo redundância.

terça-feira, julho 27, 2021

Rádio Renascença com emissor inactivo há mais de um mês!

Já relatei a situação no passado mês de Junho, mas a situação persiste. A microcobertura para a cidade de Elvas da Rádio Renascença (102,3 MHz 100W) encontra-se há mais de um mês inoperacional, aparentemente devido a avaria.

Não deixa de ser uma situação lamentável, para não dizer inaceitável para uma estação com a história e a importância da emissora católica portuguesa - tanto mais que o pequeno retransmissor não é supérfluo em determinadas zonas da cidade de Elvas e arredores - e nem os 99,8 (Vila Boim), nem os 95,3 MHz (Serra de São Mamede- Portalegre) fazem milagres. Sim, avarias acontecem, é certo, mas manter um emissor inoperacional durante semanas e semanas (mais de um mês), sem encontrar uma solução técnica que ofereça o mínimo dos mínimos de condições é, no mínimo, uma falta de respeito pelos ouvintes. Espero que ninguém me interprete mal, eu compreendo que os técnicos fazem o que podem para assegurar o funcionamento de dezenas de emissores, mas não creio que seja razoável prolongar esta situação durante demasiado tempo. E se fosse o emissor da Lousã ou da Arrábida, será que já teria havido uma solução técnica (e quiçá financeira, se necessário...) para o problema?

segunda-feira, julho 26, 2021

Rádio Paradiz: muito provavelmente, a primeira rádio pirata em Portugal

Porque a rádio é feita de História e histórias, importa referir uma ou outra praticamente desconhecida mas que merece ser recordada.

Rádios piratas em Portugal. Se a primeira ideia que vem à mente da esmagadora maioria dos leitores deste artigo são as centenas de rádios livres que operavam de Norte a Sul de Portugal nos anos 80, e uma outra no final dos anos 70 (Rádio Imprevisto/Rádio Juventude), a verdade é que a primeira emissão pirata conhecida remonta ao final dos anos 50.

O livro "As rádios locais em Portugal - da génese ao online", da autoria de Luís Bonixe conta a história da Rádio Paradiz.

Ano de 1958. Em Pernes (distrito de Santarém), o jovem aprendiz de electrónica José Paradiz coloca no ar a "Rádio Paradiz". Feita por uma equipa de jovens com menos de 18 anos, a estação transmitiu de 1958 a 1962, altura em que foi encerrada pelas autoridades, o que obrigou a equipa a andar fugida durante uns tempos.

Não se sabe muito mais a respeito da estação, ainda que, contrariamente ao que o livro sugere, eu acredito que não tenha sido a única rádio pirata a funcionar durante o Estado Novo. Claro que à época as coisas tinham de ser feitas no maior sigilo, contudo acredito que possa ter havido pontualmente uma ou outra emissão pirata noutras zonas do país.

Voltando a 1958, e para melhor contextualizar, importa referir que o primeiro transístor, componente electrónico que revolucionou as décadas seguintes, foi apresentado em 1947; a nível nacional, o então Centro Emissor Ultramarino da Emissora Nacional (mais tarde o CEOC (Centro Emissor de Onda Curta), próximo de Canha e Pegões, foi inaugurado em 1954; no mesmo ano, os técnicos do Rádio Clube Português construíram o primeiro emissor de rádio en frequência modulada (FM) em Portugal. Muito provavelmente, o emissor da Rádio Paradiz foi construído com válvulas e outros componentes electrónicos da época; tudo artesanal e sem grandes meios. A estação resumia-se, quase de certeza, a um pequeno emissor de Onda Média, um ou dois microfones e talvez um gira-discos. Se alguém tiver conhecimento de algum pormenor adicional a respeito da Rádio Paradiz ou algum dado a respeito de outra estação pirata praticamente desconhecida, ficaria muito grato se me dessem a conhecer tal informação.

Para terminar, saliente-se que o mesmo José Paradiz foi um dos impulsionadores da Rádio Local de Pernes, criada em 1980. Ironicamente, se Pernes foi uma terra de liberdade radiofónica, a Rádio Pernes foi, infelizmente, vendida há poucos anos a uma seita religiosa que ocupa as duas frequências no concelho de Santarém a prometer milagres... Vale a pena ouvir a edição do dia 13 de Fevereiro de 2020 do "Código Postal" da Rádio Observador.

sexta-feira, julho 23, 2021

Mais DX transatlântico de emissores açorianos!

Se as duas últimas publicações neste blogue podem ter impressionado positivamente alguns leitores, sobretudo os naturais e/ou residentes nos Açores, a temporada de captações de emissores do arquipélago registadas no outro lado do Oceano Atlântico não acabou.

Na passada quarta-feira dia 21, o DXista Bryce Foster conseguiu captar, em Cape Cod (Massachusetts, nos Estados Unidos) os 87,7 MHz da Antena 3 (Pico da Barrosa), os 88,5 MHz da Rádio Atlântida (Ponta Delgada, com emissor no Pico da Barrosa), os 96,7 MHz da Antena 1 Açores (Pico Alto de Santa Maria, na ilha de Santa Maria). 

No mesmo dia, o Dxista Larry Horlick captou em Coley's Point (Terra Nova, Canadá), não só a Antena 3 nos 87,7, como também a Antena 1 Açores nos 90,5 MHz (Serra de Santa Bárbara, ilha Terceira) e nos 88,9 MHz (emissor do Cabeço Gordo, na ilha do Faial).

Em especial para quem se encontra na costa portuguesa e, em particular, nos Açores, quem sabe se não será possível captar no FM e identificar algum emissor de uma qualquer estação americana ou canadiana? Vale a pena ficar atento ao éter!

sábado, julho 10, 2021

Frequência da Antena 3 no Pico da Barrosa (87,7 MHz) captada no Canadá, a cerca de 4530 km!

E o DX transatlântico continua a surpreender! O emissor da Antena 3 no Pico da Barrosa (São Miguel, Açores), que opera nos 87,7 MHz, foi captado em Grimsby, na província de Ontário, no Canadá, na noite do dia 8 de Julho (noite em Portugal, tarde no Canadá) por William Hepburn. A distância estimada é de cerca de 4530 km.

O William Hepburn até publicou no seu blogue um excerto do "Indiegente", comparando o sinal fraco dos 87,7 MHz com o áudio do podcast do programa apresentado pelo Nuno Calado.

Parece que este mês de Julho tem sido uma verdadeira caixa de surpresas agradáveis no que diz respeito à propagação das emissões FM via E Esporádica com um duplo salto na ionosfera. Será que alguém, dentro da RTP, seria capaz de ter a ousadia de enviar, por sua iniciativa, um QSL ao William Hepburn a confirmar a proeza?

quinta-feira, julho 08, 2021

Mais DX transatlântico de uma rádio portuguesa: Antena 1 (87,9 MHz Lousã) ouvida na Terra Nova (Canadá)!

Depois da captação de emissores açorianos da Antena 2 e Antena 3 no leste dos Estados Unidos, o mês de Julho trouxe outra surpresa: o emissor da Antena 1 na Serra da Lousã (87,9 MHz) foi captado ontem, dia 7 de Julho de 2021, na Terra Nova (Canadá) por Larry Horlick, a cerca de 3657 km do Trevim. O Larry também captou algumas rádios espanholas a mais de 3700 km.

Ao que parece, uma "E esporádica" com dois saltos na ionosfera, explica esta proeza. De referir que as rádios do país vizinho captadas na ilha canadiana foram a "Los 40 Classic", emissor de Segóvia (89,9 MHz), a 3916 km; a "Cadena 100" de Salamanca (90,0 MHz, a 3799 km); a RNE Radio Clásica, emissor de Valladolid/Cerro de San Cristóbal (93,1 MHz, a 3838 km) e o emissor de León/Las Lomas da "Los 40" (88,2 MHz, a 3728 km).

As ondas de rádio não conhecem fronteiras, não conhecem países, não conhecem continentes. Quando as condições o propiciam, é possível estarmos a ouvir o sinal de um emissor sitiado a milhares de quilómetros do local onde nos encontramos.  É isto que torna o DX um passatempo interessante.